Semana passada participei de mais um evento realizado na cidade de São Paulo. Desta vez a discussão, em alto nível, era sobre o desafio da implementação do prontuário eletrônico do paciente (PEP) em ambientes hospitalares.
Estavam lá representantes dos hospitais Albert Einstein, Sírio Libanês, USP, da ANS (Agência Nacional de Saúde), da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) e também da Intersystems dentre outros.
Como já é público e notório, e estipulado pelo Conselho Federal de Medicina através de resolução, a posse do prontuário eletrônico é do próprio paciente e a sua guarda fica condicionada sob a responsabilidade da instituição hospitalar que o atende.
Mas imagine a situação de um paciente que, nestes dias chuvosos, solicita a uma unidade hospitalar o seu prontuário médico. O hospital que ainda o guarda sob a forma física do papel tem que mobilizar o seu setor de Arquivo Médico e este passa a fazer a busca na papelada antiga. E por falta de sorte do paciente, naquele mesmo dia o hospital sofrera um alagamento justamente na área do próprio Arquivo, deixando evidente a negligência na salvaguarda da propriedade alheia.
Além de ter a sua imagem arranhada, denotando a falta de segurança da informação, a instituição fica exposta, no mínimo, a processos judiciais.
Não vou ficar aqui falando sobre todos os benefícios que a informática e a automação trouxeram. Prefiro deixar claro que é muito tênue a linha que pode separar a vida de uma pessoa da morte. Acima citei um breve e hipotético exemplo de uma situação corriqueira e cotidiana dentro de um hospital que é o pedido do prontuário seja por qual motivo for.
Foi pensando nisso que, mais uma vez, o Google saiu na frente e disponibilizou o serviço “Google Health Beta” / “Google Personal Health Services”. Durante o debate no evento em São Paulo a ferramenta acalorou a discussão entre os profissionais. Pois uns adotaram uma postura conservadora e preferiram dizer que o input de dados médicos cabe apenas aos doutores profissionais enquanto que a outra parte dos painelistas enxerga com bons olhos a ampliação dos poderes do paciente ao poderem digitar seus próprios históricos médicos e guardá-los virtualmente na internet através de um widget.
Voltando ao Arquivo Médico que foi alagado pelos recentes temporais em Salvador, este continua na busca pelo prontuário do paciente. Só que desta vez o pedido foi feito pela Emergência do próprio hospital que está aguardando a chegada de um paciente acidentado na rua. Os paramédicos da ambulância descobriram que a vítima do atropelamento é paciente de um determinado hospital e estão se encaminhando para lá. Durante o trajeto a ambulância entrou em contato com o hospital solicitando o prontuário do paciente para evitar perda de tempo desnecessária. Infelizmente o setor do Arquivo Médico está debaixo d’água e nada consegue localizar.
Em um futuro próximo e cada vez mais presente esta mesma situação poderia ser resolvida pelo próprio celular da vítima que fora atropelada. Pois todos saberão que bastará uma combinação de teclas, tal qual o 190 da polícia, para que o celular informe ao sistema informatizado do hospital todos os dados do paciente que se aproxima na ambulância que vem com a sirene freneticamente ligada em meio ao transito engarrafado.
No serviço proposto pelo Google já existe a integração entre os dados digitados pelo paciente com a Cleveland Clinic onde as especialidades vão de cardiologia, urologia, neurologia e câncer. Integrando o seu prontuário com a clínica os especialistas médicos fornecem uma segunda e, online, opinião ao paciente.
Outra integração de dados interessante pode ser realizada com a Blueprint for Welness onde através da análise dos dados do exame de sangue do paciente é formatado um relatório que é entregue por e-mail informando se o usuário possui risco de desenvolver doenças do coração e diabetes dentre outros 32 testes.
O usuário do Google Health também pode fazer cotações online de remédios via DestinationRX, no ePillBox é gerada uma agenda contendo os horários dos remédios a tomar e no Mednotes o internauta fica por dentro de recalls ou problemas com os medicamentos que lhe foram receitados. Para quem tem preguiça de digitar basta enviar por fax a sua papelada para a Unival que enfermeiras os converterão para um formato que poderá ser importado pelo próprio Google Health. No LifeStar todos os dados podem ser compartilhados com outras clínicas, planos e também a sua família. No serviço denominado NoMoreClipboard sua ficha médica é linkada e enviada ao seu médico antes mesmo da sua próxima consulta. Também pode ser integrado com as emergências hospitalares. Outros serviços estão disponíveis neste mesmo viés e todos estão apenas disponíveis nos Estados Unidos.
Como contraponto entram as questões éticas, de privacidade e de segurança que ficam resguardadas por um contrato eletrônico travado entre as partes quando da aquisição do(s) serviço(s).
Há de se observar também a questão sócio cultural. Será que o Brasil está pronto para isto? Empresas desenvolvedoras de software de ponta nós temos. Será que já temos público?
Fica o exemplo para a iniciativa privada e também para o SUS que, segundo o presidente Lula, está prestes a alcançar a perfeição.







