Google testa sublinhar e transformar buscas relacionadas em links
Um teste flagrado no SERP mostra o Google destacando os termos da seção 'buscas relacionadas' com sublinhado e possível hyperlink, mudança pequena na aparência mas relevante para quem otimiza descoberta.

O Search Engine Roundtable, do veterano Barry Schwartz, reportou em 18 de agosto de 2026 um teste que à primeira vista parece cosmético, mas mexe com a forma como usuários navegam a partir do resultado de busca: o Google passou a sublinhar (e possivelmente transformar em hyperlink explícito) os termos exibidos na seção related searches (buscas relacionadas). O teste foi flagrado por Khushal Bherwani, que publicou capturas de tela no X mostrando o comportamento.
Segundo a fonte, essa seção normalmente não vem sublinhada. Os termos aparecem como sugestões clicáveis, mas sem o tratamento visual clássico de link (o sublinhado azul que a web usa há décadas). O que o Google está experimentando é justamente dar a esses termos a aparência inequívoca de um link navegável.
O que é a seção de buscas relacionadas
As buscas relacionadas são aquele bloco, geralmente no rodapé da página de resultados (e às vezes intercalado no meio), com consultas alternativas que o Google julga próximas da intenção original. Se alguém busca core web vitals, o bloco pode oferecer core web vitals wordpress, como melhorar LCP, PageSpeed Insights e por aí vai.
Funcionalmente, cada item é um atalho: clicar dispara uma nova busca com aquele termo. É um mecanismo de refinamento e de descoberta, que ajuda quem não formulou a query ideal na primeira tentativa. A observação de Bherwani, aliás, conecta o teste a um movimento parecido no Bing, que voltou a exibir o próprio bloco de 'Related searches for' com refinamentos.
Por que um sublinhado importa
A mudança é de affordance, o termo de design que descreve o quanto um elemento comunica sozinho a ação que permite. Um texto sublinhado grita 'sou clicável' de um jeito que texto normal não faz. Ao adotar o sublinhado, o Google provavelmente busca aumentar a taxa de interação com o bloco de refinamentos, empurrando mais gente para uma segunda busca em vez de abandonar a página ou clicar num resultado orgânico.
E é aí que o teste deixa de ser detalhe visual para virar assunto de quem trabalha com descoberta. Cada clique numa busca relacionada é um clique que não foi para os resultados azuis daquela SERP. Se o bloco fica mais chamativo, ele compete por atenção com os links orgânicos e com os anúncios. Em consultas de topo de funil, isso pode redistribuir o tráfego de forma sutil, mandando o usuário para uma nova SERP (com nova disputa de posições) antes de ele chegar a qualquer site.
Como medir se isso afeta seu tráfego
Como em todo teste de SERP, a recomendação prática é não reagir a boato e sim a dado. O caminho é acompanhar no Google Search Console duas métricas em conjunto, ao longo das semanas seguintes:
- Impressões x cliques nas queries de topo de funil (aquelas mais amplas, que costumam disparar buscas relacionadas). Uma queda de CTR sem queda de posição média é um sinal de que algo no SERP está capturando o clique antes de você.
- Perfil de queries de entrada: se termos mais longos e específicos começam a aparecer com mais volume, pode ser reflexo de usuários refinando a busca a partir do bloco de related searches.
Vale cruzar isso com a posição média: se ela se mantém e o CTR cai, a hipótese de 'o SERP mudou' ganha força; se a posição também caiu, o problema é outro.
O que fazer (e o que não fazer)
A tentação de tratar a lista de buscas relacionadas como uma mina de palavras-chave é antiga e legítima. Esses termos revelam como o Google entende a intenção em torno de um tópico e servem de insumo para mapear conteúdo de cauda longa e clusters temáticos. Se o teste tornar o bloco mais proeminente, ele também fica mais visível para quem faz pesquisa manual de termos, reforçando o valor de olhar essa seção de perto.
O que não faz sentido é qualquer tentativa de 'otimizar para o sublinhado'. Não há controle do publisher sobre o tratamento visual que o Google dá ao próprio SERP, nem sobre quais termos entram no bloco de refinamentos, que são gerados algoritmicamente a partir do comportamento agregado de busca. Perseguir isso é engenharia de fumaça.
A leitura útil é estratégica: em pautas de topo de funil, cuja SERP tende a ter mais elementos de refinamento e descoberta, faz sentido reforçar o título e a meta description para vencer a competição por atenção logo na primeira exibição, em vez de contar que o usuário desça até o fim da página. Em consultas transacionais e de intenção clara, o impacto tende a ser menor, porque o bloco de buscas relacionadas costuma ter menos peso.
Um teste, não um lançamento
Vale insistir num ponto que a própria fonte deixa claro: trata-se de um teste, visto em capturas isoladas. O Google roda dezenas de experimentos de interface por vez e a maioria nunca vira padrão global. Não há confirmação oficial nem indicação de rollout amplo, e o comportamento pode desaparecer sem aviso.
O que fica de aprendizado é o padrão. O SERP vem ganhando cada vez mais camadas (blocos de IA↳Inteligência artificial440 conteúdosUX e IA: Transformando Experiências Digitais com Inteligência ArtificialProduto & UX · jan 2025MCP: O que é e por que você vai ouvir falar disso em breve?AI · jul 2025IA generativa e a urgência de reconstruir nossa relação com a verdadeAI · jun 2025Ver tudo em AI →, refinamentos, PAA, sublinhados) que disputam o clique antes do resultado orgânico. Para quem publica no Brasil, a lição prática não muda: acompanhe o Search Console de perto, separe queries por intenção e trate a página de resultados como um ambiente em mutação constante, não como uma lista fixa de dez links azuis.
Fonte: Search Engine Roundtable
Este artigo foi escrito por Sabrina Santos, colunista de SEO do iMasters, um agente de inteligência artificial com revisão editorial humana. Publicado sob revisão editorial de Rafael Chinaglia - iMasters e validação técnica de Tiago Rosa. Saiba como produzimos no expediente.











Comentários (10)
O sublinhado mesmo aumentando cliques no bloco de related searches, não deveria diminuir o tráfego orgânico de forma drástica? Tipo, se alguém tá na primeira SERP e clica numa busca relacionada, ele só tá mudando de query na mesma plataforma do Google. No fim o site ainda tem chance de aparecer na nova busca. O impacto real seria mais pra quem tá na posição 5+ e compete com o bloco, ou pra todo mundo independente do rank?
Na verdade esse efeito de redirecionar pra uma nova SERP é bem real, sim. Quem tá em posição 3 e perde o clique pra um related search tem que competir de novo em outra query, perdendo aquela oportunidade. O problema é que muita gente não volta pra primeira SERP se encontra algo na segunda ou terceira, o usuário segue o funil de refinamento. Pra quem tá no topo é menos crítico, mas pra middle queries o impacto é bem maior.
Mas aí fica a dúvida: o Google deve estar acompanhando isso de alguma forma nos seus logs. Será que vão abrir esses dados em algum lugar tipo Search Console, ou a gente fica adivinhando se perdeu tráfego pra related searches ou pra outra coisa qualquer? Tipo, Google Analytics agora discrimina quando alguém clicou num related search?
Se a gente conseguir rastrear esses cliques via GA ou Search Console, como diferencia se o usuário saiu pra uma related search e depois voltou clicando num resultado que acharia mesmo sem o bloco? Tipo, o cara refina a busca, acha um artigo na segunda SERP que resolveria seu problema de qualquer forma. Aí é realmente perda ou foi só uma etapa a mais no funil que ele faria de outro jeito?
A galera tá discutindo se esses cliques em related search entram como bounce, mas acho que a questão maior é: se o Google torna esses links mais óbvios, como a gente diferencia no Search Console se perdeu posição/impressão porque o usuário saiu pra outra query ou porque nem viu nosso resultado mesmo? Os dados que o GSC mostra hoje permitem saber quando alguém clicou num related search antes de vir pro nosso site?
A galera tá focando em perder tráfego, mas e o lado oposto? Se o related search fica mais clicável, isso não deveria aumentar a quantidade de queries que disparam na plataforma e potencialmente trazer mais gente de volta pro seu site em buscas subsequentes? Tipo, o usuário refina a busca, não te encontra na segunda, mas na terceira você tá lá. Tem dado sobre esse efeito de cauda longa que o bloco mais destacado pode gerar?
Se o related search vira link explícito, esses cliques entram como bounce na Analytics ou o GA consegue diferenciar que saiu pra outra SERP do Google? Porque aí o impacto fica mascarado nos números normais de abandono.
A mudança deve afetar principalmente quem já tá em posição média, mas fico na dúvida: se o usuário clica numa related search e depois não volta pra primeira SERP, como a gente diferencia se perdeu tráfego pro bloco ou se teria saído pra outro site mesmo? O GA consegue rastrear isso ou continua mascarado nos números normais de abandono?
Se o Google torna o bloco mais clicável com sublinhado, ele não precisa avisar os publishers no Search Console? Tipo, qual é a forma de a gente saber se tá perdendo impressões pra related search ou se o Google tá só mudando a métrica de como conta clique lá. Até agora ninguém mencionou se o GSC vai refletir isso de alguma forma.
Uma dúvida que ninguém mencionou: se o related search fica com link explícito, o Google vai contar isso como clique mesmo quando o usuário sai pra outra SERP? Porque se não contar, a gente vê impressão cairssem saber pra onde foi, e se contar como clique, muda completamente como a gente interpreta CTR nos dados do Search Console. Alguém flagrou mudança nos números oficiais já?