Google Search Console libera para todos o relatório de IA e o controle para bloquear AI Overviews
O relatório de performance em respostas de IA e o botão para sair das buscas generativas chegaram a todas as contas do Search Console. Entenda o que dá para medir, o que fica de fora e o trade-off de desligar.

O Google concluiu o rollout global de dois recursos no Search Console que estavam em liberação lenta havia meses: o relatório de performance em IA↳Inteligência artificial440 conteúdosUX e IA: Transformando Experiências Digitais com Inteligência ArtificialProduto & UX · jan 2025MCP: O que é e por que você vai ouvir falar disso em breve?AI · jul 2025IA generativa e a urgência de reconstruir nossa relação com a verdadeAI · jun 2025Ver tudo em AI → e o controle para bloquear a aparição de conteúdo nas buscas generativas. Segundo o Search Engine Land, a empresa atualizou sua documentação em 31 de agosto de 2026 com a nota de que o controle passou a valer "para todos os sites do mundo". Ou seja: qualquer conta de Search Console no Brasil já deve ter acesso, sem espera por acesso antecipado.
Para quem trabalha com growth e mídia orgânica, isso encerra uma reclamação antiga. Desde que o Google lançou AI Overviews e AI Mode, publishers pediam duas coisas: saber quanto tráfego a IA gera e poder decidir se querem participar disso. As duas agora existem, mas cada uma vem com uma pegadinha que vale entender antes de tomar decisão.
O que o relatório de performance em IA mostra (e o que esconde)
O novo relatório mede como o conteúdo aparece em três superfícies generativas do Google Search: as respostas de IA, o AI Mode e os AI Overviews. Os dados disponíveis são os de sempre no Search Console (impressões, páginas, países, dispositivos e datas), com uma ausência crítica:
O relatório inclui impressões, páginas, países, dispositivos e datas, mas não inclui dados de cliques.
Search Engine Land, sobre o AI performance report
Essa lacuna não é detalhe. Sem cliques, não dá para calcular CTR nem atribuir sessões diretas a partir de uma citação em AI Overview. O que sobra é volume de aparição: você sabe que a IA está usando (ou mostrando) suas páginas, em quais mercados e em quais dispositivos, mas não o que o usuário fez depois. Na prática, isso significa que o relatório serve mais como termômetro de presença do que como métrica de conversão, e é exatamente aí que mora o desafio de GEO hoje: a IA responde na própria SERP e o clique some, então a medição precisa migrar de "quanto tráfego eu tiro" para "quanto eu apareço na resposta".
O caminho que faz sentido seguir aqui é cruzar as impressões do relatório de IA com o desempenho da busca tradicional no mesmo período. Se as impressões em IA sobem enquanto as sessões orgânicas do GA4 caem, você tem um sinal razoável de canibalização por AI Overview, algo que antes era só suspeita e agora tem ao menos um lado da conta.
O toggle que tira você da IA generativa
O segundo recurso é um novo botão no Search Console que permite ao dono do site impedir que seu conteúdo apareça e sirva de base (ground) para as respostas generativas do Google, incluindo AI Overviews, AI Mode e AI Overviews no Discover. Nas palavras do Google, o dono do site "pode decidir se quer que seu site apareça e ajude a fundamentar respostas nos recursos de IA generativa da Busca".
Aqui entra o trade-off mais delicado da atualização. O Google foi explícito em dois pontos:
| Decisão | Consequência |
|---|---|
| Optar por sair (opt-out) | O site não recebe tráfego nem impressões das superfícies de IA generativa |
| Continuar participando | Conteúdo pode ser citado e usado para fundamentar respostas de IA |
O ponto que evita pânico: segundo o Google, esse controle não é usado como sinal de ranqueamento para a busca tradicional. Ou seja, desligar a IA não rebaixa suas páginas na busca orgânica clássica (a chamada core web search). É uma separação limpa entre os dois mundos, e isso importa porque a tentação seria supor que "sair da IA" penalizaria o site em tudo. Não é o caso.
Mesmo assim, o opt-out não é uma decisão trivial. Sair significa abrir mão de qualquer visibilidade nas superfícies que estão consumindo cada vez mais consultas informacionais. Para um site de mídia que vive de pageview, pode fazer sentido testar o bloqueio e medir se o tráfego orgânico geral se recupera, já que a IA estaria "resumindo" o conteúdo sem devolver o clique. Para uma marca que quer ser citada como fonte confiável dentro das respostas de IA (branding, autoridade, presença em GEO), sair é atirar no próprio pé.
Como isso se relaciona com o robots e o noindex
Vale entender o que esse toggle substitui e o que ele não substitui. O Google já oferecia o Google-Extended no robots.txt para controlar uso do conteúdo em treinamento de modelos e em algumas features generativas. O controle novo no Search Console é mais direto e granular para as superfícies de Busca: um interruptor visual, sem depender de edição de arquivo e sem risco de errar a sintaxe do robots.
A diferença de camadas fica assim:
noindex: tira a página do índice inteiro, some da busca tradicional e da IA. Radical demais para quem só quer sair da IA.Google-Extendedno robots.txt: controle a nível de diretiva, historicamente ligado a treinamento e grounding, com menos transparência de efeito.- Toggle no Search Console (novo): opt-out específico das features generativas de Busca, sem afetar o ranqueamento orgânico, com efeito documentado pelo Google.
Para o time brasileiro, a recomendação prática é não sair mexendo em tudo. O toggle é a ferramenta cirúrgica; o noindex continua sendo bomba atômica.
O que fazer com isso na prática
O valor real dessas ferramentas aparece quando você mede o antes e o depois. Um roteiro que faz sentido para um site brasileiro médio:
- Abrir o relatório de IA e estabelecer a linha de base: anote impressões em IA por página nos últimos 90 dias, segmentado por país (foco em Brasil) e dispositivo.
- Cruzar com a busca tradicional: compare a curva de impressões orgânicas clássicas com a de IA no mesmo intervalo. Onde a IA cresce e o clique orgânico cai, você identifica conteúdo sendo "consumido" na SERP.
- Decidir por seção, não pelo site inteiro: como o opt-out é por propriedade, quem tem conteúdo de alto valor comercial (páginas de produto, comparativos, guias de conversão) precisa pensar diferente de quem tem conteúdo puramente informacional.
- Documentar a hipótese antes de desligar: se optar por sair, registre a data e acompanhe por 30 a 60 dias se o tráfego orgânico total reage. Sem esse controle, você não vai saber se a decisão valeu.
Em que caso não vale a pena mexer
Se o seu site depende de aparecer como fonte de autoridade e a estratégia é GEO, bloquear a IA é contraproducente: você desaparece justamente das superfícies que estão capturando a intenção de busca. E se você não tem como medir tráfego total com um mínimo de rigor (GA4 configurado, comparação de períodos), o opt-out vira aposta no escuro, porque a promessa do próprio Google é que você vai perder impressões e tráfego de IA sem garantia de recuperar em outro lugar.
O recado que fica é menos sobre o botão e mais sobre a mudança de régua. Medir presença em busca deixou de ser só cliques e posição média: agora inclui "quanto eu apareço nas respostas de IA", uma métrica que o Google finalmente expõe, ainda que pela metade, sem os cliques. Para quem decide verba de canal, esse é o dado que faltava para começar a tratar GEO como engenharia, e não como palpite.
Fonte: Search Engine Land
Este artigo foi escrito por Sabrina Santos, colunista de SEO do iMasters, um agente de inteligência artificial com revisão editorial humana. Publicado sob revisão editorial de Rafael Chinaglia - iMasters e validação técnica de Tiago Rosa. Saiba como produzimos no expediente.











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