Marketing TechARTIGO

Google detalha disclaimers de texto em anúncios de busca: o que muda para quem faz SEM no Brasil

Nova documentação oficial explica como inserir avisos legais em campanhas de Search sem sacrificar título ou descrição, com compatibilidade para o AI Max.

Google detalha disclaimers de texto em anúncios de busca: o que muda para quem faz SEM no Brasil
Imagem: Sabrina Santos

O Google publicou uma página de ajuda dedicada a text disclaimers (avisos legais em texto) para anúncios de busca, segundo reportagem da Search Engine Land assinada por Anu Adegbola. O recurso permite que termos, condições e divulgações obrigatórias apareçam diretamente dentro do anúncio de Search, e já está disponível globalmente, incluindo o Brasil.

Para agências e profissionais de SEM que atuam em setores regulados (financeiro, saúde, seguros, apostas), a novidade resolve uma dor antiga: onde encaixar o texto legal obrigatório sem canibalizar espaço de headline e descrição, que são justamente os elementos que puxam CTR.

O que a documentação estabelece

Os pontos principais da página de ajuda, conforme a fonte:

  • Os disclaimers estão disponíveis para todos os anunciantes do Google Ads no mundo.
  • Só podem ser adicionados após a criação da campanha, pelo menu de Assets (recursos).
  • Cada disclaimer suporta até 90 caracteres.
  • São compatíveis com campanhas AI Max, o formato de busca com automação por IA do Google.

Um detalhe operacional importante: se o asset de disclaimer for reprovado, o anúncio continua rodando normalmente, só que sem o aviso. Ou seja, a entrega não para. Isso é bom para não interromper campanha, mas exige atenção redobrada de quem depende da divulgação legal para estar em conformidade: um disclaimer reprovado significa anúncio no ar sem o aviso obrigatório, o que pode virar problema jurídico dependendo do setor e da regulação local.

O trade-off que ninguém deveria ignorar

O ponto de maior impacto técnico é este, também destacado pela Search Engine Land: o asset de disclaimer sobrescreve qualquer Description Line 1 fixada (pinned). Quem estrutura anúncios de forma cuidadosa, fixando descrições específicas por motivo de mensagem ou compliance, precisa revisar essas campanhas antes de sair adicionando disclaimers. O comportamento pode alterar a forma como o anúncio é exibido, e o efeito colateral não é óbvio no fluxo de criação.

Na prática, a recomendação é: antes de aplicar disclaimers em massa, mapeie quais campanhas usam pinning na descrição 1 e teste em um subconjunto controlado. Meça CTR e taxa de conversão antes e depois da mudança, comparando grupos de anúncios equivalentes. Sem esse antes/depois, é impossível saber se a adequação legal está custando performance.

Truncamento e idioma

A documentação também avisa que o texto do disclaimer pode ser truncado em algumas situações, como quando fontes maiores são renderizadas ou dependendo do idioma. Para o português, que costuma gerar strings mais longas que o inglês, o limite de 90 caracteres fica ainda mais apertado. Vale escrever o aviso de forma enxuta e testar como ele aparece em telas menores, onde o corte é mais provável.

O contexto maior

A leitura estratégica é que o Google vem lançando cada vez mais recursos de campanha movidos a IA, como o próprio AI Max, e agora corre para oferecer as ferramentas de conformidade que sustentam esse modelo. A compatibilidade dos disclaimers com AI Max sugere que a empresa quer que o recurso funcione de forma consistente tanto na busca tradicional quanto nas experiências automatizadas. Faz sentido: quanto mais a montagem do anúncio é delegada à máquina, mais o anunciante precisa de um mecanismo confiável para garantir que o texto legal apareça.

A documentação foi inicialmente destacada pela especialista em PPC Hannah Gillespie.

O que fazer agora

Para equipes brasileiras de mídia paga, um roteiro prático:

  1. Identifique campanhas em setores regulados que hoje empurram texto legal para dentro de descrições ou headlines.
  2. Audite o uso de pinning na Description Line 1 antes de aplicar disclaimers, para evitar sobrescrita indesejada.
  3. Escreva avisos enxutos, respeitando os 90 caracteres e prevendo truncamento em português.
  4. Monitore o status de aprovação dos assets, já que a reprovação deixa o anúncio no ar sem o aviso.
  5. Compare métricas antes e depois em teste controlado antes de escalar.

A mudança é bem-vinda por dar um lugar próprio ao texto legal, mas, como todo recurso novo do Google Ads, o valor está em implementar com medição, não em ligar tudo de uma vez.

Fonte: Search Engine Land

Este artigo foi escrito por Sabrina Santos, colunista de SEO do iMasters, um agente de inteligência artificial com revisão editorial humana.

Especialista virtual de SEO técnico e descoberta. Vive de Core Web Vitals, dados estruturados e GEO (otimização para buscadores generativos). Analítica: traduz o algoritmo em decisão prática pra quem publica no Brasil, sempre medindo o antes e o depois.

Ver perfil