Websites multiplataforma descomplicados
Tudo pode ser mais fácil… Sou usuário
de Linux. E com certeza o leitor, se não usar Internet
Explorer, vai se identificar com o meu problema: não consigo
acessar o Internet Banking. E mais uma porção de
sites desenvolvidos para funcionar apenas no Internet Explorer
para Windows. Ora é a Máquina Virtual Java que se
diz incompatível, ora o site utiliza os famigerados recursos
de ActiveX, ora simplesmente exibe uma mensagem: "Este site
só pode ser acessado com Internet Explorer 5 ou superior"
(mesmo que você esteja usando Internet Explorer no Mac).
Agora, se você desenvolve sites, conhece
o outro lado da moeda. Desde os usuários do novíssimo
Safari ou do Internet Explorer para Mac, passando pela multidão
de usuários Windows com as diferentes versões do
Internet Explorer e usuários de diversas plataformas como
Netscape, Mozilla, Opera, Konqueror, até alguns poucos
usuários de consoles de texto ou de browsers da geração
4 ou anteriores, como o Netscape Communicator.
Qualquer um que codifique HTML, ou mesmo use um
editor WYSIWYG, já esbarrou no problema. Se você
trabalha com internet, já deve ter tido também esse
problema. O código se tornou complexo, com várias
tabelas, uma dentro da outra. Vários frames, com uma porção
de scripts para manter o conteúdo atualizado entre eles.
Uma parte da aplicação rodando em um pop-up, com
um script que atualiza o conteúdo principal.
Então, cumprindo a lei de Murphy, um dos
seguintes fatos indesejáveis acontece:
. Um
cliente liga reclamando que o site está dando um tal de
"erro de script" quando clica num link. Você tenta,
mas não consegue reproduzir o erro em nenhum navegador;
. Alguém
da diretoria resolve que os títulos devem ser azuis, não
vermelhos. E você se põe a localizar <font
face="verdana" size="5" color="red">
para poder mudar a cor;
. Alguma
tabela não fechada corretamente está dando problemas
no Netscape, mas o código tem cinco tabelas aninhadas e
você perde um dia tentando achar o defeito;
. Você
percebe uma certa demora para carregar algumas páginas,
vai conferir o código e descobre algumas coisas assim:
<font face="Verdana"><b></b><i></i><font
size="1"><b></b></font><font
face="Arial">Texto</font></font>.
Que fazer? É claro que com muito cuidado
e talento esse tipo de problema pode ser evitado, mas isso envolve
uma quantidade de trabalho insana. Já vi muitos projetos
onde se gastou mais tempo preso nas entranhas de um código
complexo do que em qualquer outra fase do projeto.
Tem um pessoal na web que propõe uma solução
bastante interessante para isso. É a turma do WaSP. As
soluções não são apenas uma lista
de novas tecnologias, mas também uma filosofia de desenvolvimento
baseada na simplicidade.
Baseado nessa filosofia da simplicidade, que tem
me rendido resultados surpreendentes, gostaria de fazer algumas
sugestões interessantes:
XHTML
<– nota
SGBD é a sigla para Sistema Gerenciador de Banco de Dados.
Os mais conhecidos são o Oracle, o MSSQL Server, o MySQL
e o PostgreSQL. Mas mesmo quem usa um banco de dados em arquivos
simples, como o Microsoft Access, pode contar com geradores de
XML a partir de seus dados. Um parser XML é um programa
ou componente que lê, interpreta e transforma XML.
nota –>
Quem já trabalha com XML certamente percebeu
o poder da flexibilidade e da simplicidade. É impossível
escrever um XML com erros de sintaxe, porque os interpretadores
reclamam imediatamente. É muito simples escrever documentos
XML, sendo fácil extrair dados de qualquer banco de dados
e transformá-los em XML (a maioria dos SGBDs incorpora
ou tem planos de incorporar o suporte nativo a XML.) Através
da poderosa linguagem XSL e da farta oferta de parsers gratuitos,
XML pode ser transformado em praticamente qualquer formato de
arquivo.
XHTML nada mais é do que uma forma de escrever
um documento HTML de modo que ele também seja um documento
XML válido. Ou seja, seu documento HTML ganha a coerência
e flexibilidade de um documento XML, podendo ser facilmente lido
por ferramentas automáticas e convertido em outros formatos
de arquivos. Com XHTML torna-se muito fácil oferecer os
dados do seu site através de WAP ou de um RSS por exemplo.
Torna-se fácil também transformar o resultado de
uma consulta a banco de dados ou um documento XML numa página
web.
A boa notícia é que é muito
fácil escrever XHTML. Qualquer um que escreva HTML pode
aprender a fazê-lo sem muita dificuldade. Existem inclusive
uma série de ferramentas interessantes para tornar esse
processo mais produtivo, como o excelente HTML Tidy, que tem uma
eficiência impressionante para uma ferramenta automática.
CSS e a Abordagem Semântica
Como você cria um título num documento
HTML?
O meio comum hoje em dia para fazê-lo é:
<font face="Arial"
size="4" color="blue">Texto do Título</font>
Quando eu estudei HTML (acho que foi em 1996) aprendi
que existia uma tag específica para criação
de títulos. É a tag h2. Assim, a maneira de se criar
um título em HTML seria:
<h2>Texto do Título</h2>
Extremamente mais simples, não é
verdade? E torna o código também mais significativo.
Assim um interpretador pode saber, por exemplo, onde estão
os títulos no meio do texto. Ou seja, esta abordagem dá
significado semântico ao código. Aquele tag passa
a significar alguma coisa, mesmo que não seja vista num
browser que renderize a fonte maior e azul que você tinha
planejado.
Aliás, por falar no texto azul, se você
usar a segunda abordagem seu título será exibido
com os estilos padrão do navegador, e seu azul vai para
o beleléu. Como você não quer perder a bonita
formatação que havia planejado, aqui entra uma segunda
linguagem, o CSS. Com CSS você pode colocar toda essa informação
sobre formatação num arquivo externo. Assim você
fica com um arquivo HTML apenas com informação (que
fica muito mais simples, organizado e rápido de se escrever)
e mantém toda a formatação num arquivo externo.
Se um dia seu chefe resolver que todos os títulos do site
tem que ser vermelhos ao invés de azuis (acredite, isso
é muito comum) você só precisará alterar
uma palavra em um único arquivo e todos os títulos
do site estarão automaticamente ajustados.
No Tables
Tabelas são um recurso muito útil
do HTML. Sem tabelas como exibiríamos informações
como uma lista de produtos, um extrato bancário ou um calendário?
O problema é que tabelas tem sido usadas para muito mais
do que isso. É preciso colocar o menu ao lado do texto?
Cria-se uma tabela. É preciso que o texto tenha uma largura
delimitada? Cria-se uma tabela. Imagem junto ao texto? Menu no
cabeçalho? Duas colunas de texto? Tabela neles!
E como fica, nessa situação, a semântica
do documento? Como você deve imaginar, não há
aqui aquela prática separação entre informação
e formatação. Além disso, temos um outro
sério problema: em browsers antigos, ou mesmo em browsers
modernos mal desenvolvidos, como o Internet Explorer, as tabelas
só são exibidas depois que a última tag </table>
chega ao navegador.
É por isso que, quando você está
conectado via dial-up, em alguns sites a tela fica em branco durante
longos segundos (às vezes minutos) até que é
exibido de uma vez só.
Abrir mão de tabelas para montar layouts
vai tornar seu código muito menor, mais simples e organizado.
Vai também centralizar a formatação, colocando
tudo que se refere a layout em um único arquivo. Imagine
a facilidade de manutenção. Melhora também
a experiência do usuário, pois a informação
é exibida instantaneamente, assim que chega ao browser.
Dá-se a esta abordagem o nome de tableless.
Apesar do nome, não é a ausência total de
tabelas, mas o seu uso apenas onde é semanticamente justificável.
De lambuja, um documento tableless bem pensado vai funcionar em
qualquer navegador, em qualquer sistema operacional, mesmo em
PDAs.
No Frames, No Pop-ups, No DHTML
Pense muito antes de aplicar uma solução
baseada em frames, DHTML, scripts absurdos, pop-ups, plugins,
ActiveX, Applets ou qualquer outra tecnologia que quebre essas
duas premissas da internet:
A web é um ambiente multiplataforma. Cada
documento na web tem um endereço associado a ele. Não
vou me alongar nesse tópico (vamos falar mais disso nos
próximos artigos), mas você pode saber mais:
http://www.wired.com/news/culture/0,1284,55675,00.html
http://www.digital-web.com/features/feature_2001-6.shtml
http://www.digital-web.com/features/feature_2002-09.shtml
http://www.useit.com/alertbox/990530.html
http://www.useit.com/alertbox/9612.html
Vamos com calma
O interessante dessa abordagem baseada na simplicidade
é que você não precisa fazer tudo de uma vez.
Se está inseguro para começar, pode apenas eliminar
as tags <font> e criar um arquivo CSS único. Ou pode
começar usando os recursos de XML do seu banco de dados
para gerar XHTML, ou criando um RSS. O importante é começar
a simplificar antes que você fique maluco!
No próximo artigo apresentaremos um breve
artigo mostrando como desenvolver um site usando XHTML, CSS e
a abordagem semântica.






