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Anthropic vê seu modelo mais caro travar em 11% dos gastos

Anthropic enfrenta estagnação do Fable 5 em 11% dos gastos corporativos. Veja os dados da Ramp e o que muda na arquitetura de quem programa.

Anthropic vê seu modelo mais caro travar em 11% dos gastos
Imagem: Redação iMasters

Anthropic colocou o modelo mais potente do mercado em produção e encontrou uma resposta desconfortável. No entanto, as empresas americanas escolheram opções mais baratas. Segundo dados da Ramp analisados pelo Financial Times, o Fable 5 estacionou em cerca de 11% dos gastos dos clientes com ferramentas da companhia. Além disso, o levantamento cobre 70 mil empresas nos Estados Unidos. Ou seja, a amostra é grande o bastante para acender um alerta.

Anthropic esbarrou em um teto de preço

Antes disso, o padrão do mercado era previsível. Cada modelo de fronteira chegava e puxava a demanda para cima, mesmo custando mais caro. Dessa vez, o roteiro mudou. O Fable 5 estreou em junho e voltou ao mercado em 1º de julho, após uma retirada por questões de segurança nacional. Desde então, a curva de gastos parou de subir.

Portanto, existe agora um número visível para o teto de preço que o mercado corporativo aceita pagar. Ara Kharazian, economista da Ramp, resumiu o caso de forma direta ao Financial Times. Para ele, o modelo decepcionou tanto em adoção quanto em uso real. Aliás, esse teto tende a valer para qualquer fornecedor de IAInteligência artificial440 conteúdosUX e IA: Transformando Experiências Digitais com Inteligência ArtificialProduto & UX · jan 2025MCP: O que é e por que você vai ouvir falar disso em breve?AI · jul 2025IA generativa e a urgência de reconstruir nossa relação com a verdadeAI · jun 2025Ver tudo em AI .

Dólares e tokens contam histórias diferentes

Em primeiro lugar, vale olhar as duas métricas separadamente. Inclusive, o Fable 5 responde por 11,4% dos dólares gastos com a Anthropic e por apenas 6% dos tokens comprados. Em seguida, compare com a rival: o GPT 5.6 Sol fica em 23% dos dólares e em 25% dos tokens da OpenAI. De fato, a distância entre as duas colunas revela o problema. Ou seja, quem adota o Fable 5 usa pouco e paga caro por essa escolha. Na prática, o modelo virou ferramenta de exceção dentro dos times.

Anthropic viu o Opus 5 passar na frente

Curiosamente, o dado mais forte do levantamento veio de casa. O Claude Opus 5 chegou no fim de julho por um preço menor. Logo depois, já superou o Fable 5 em gasto corporativo, segundo a Ramp. De fato, os preços explicam boa parte disso. O Fable 5 cobra cerca de US$ 10 por milhão de tokens de entrada e US$ 50 na saída. Enquanto isso, o Opus 5 pratica US$ 5 e US$ 25. Assim, a conta fecha melhor para a maioria das cargas de trabalho. Além do preço, a exigência de retenção de dados por 30 dias pesou na decisão de várias equipes.

Anthropic cresce enquanto o topo da linha estagna

Por outro lado, a leitura pessimista tem limites claros. A Anthropic lidera a adoção entre as empresas rastreadas pela Ramp, com 43,5% contra 39,7% da OpenAI em julho. Ademais, a receita anualizada chegou a US$ 65 bilhões em julho, ante US$ 47 bilhões em maio. A companhia também registrou lucro operacional ajustado pela primeira vez no segundo trimestre. Atualmente, são cerca de 6 mil clientes que gastam ao menos US$ 100 mil por ano. Ainda assim, o número de julho ficou abaixo das projeções mais otimistas, que falavam em mais de US$ 80 bilhões.

O que muda no roteiro de quem escreve código

Na prática, times de engenharia levam quatro lições daqui. Primeiro, o roteamento entre modelos virou decisão de arquitetura, com peso igual ao de cache e fila. Depois, meça custo por tarefa concluída em vez de custo por token. Por exemplo, um modelo caro que resolve em uma passagem sai mais barato que três tentativas em um modelo econômico. Portanto, o seu benchmark interno vale mais que qualquer tabela de preço.

Em seguida, trate a política de retenção de dados como requisito técnico desde o desenho da integração. Afinal, muitos contratos travam exatamente nesse ponto. Por fim, desenhe fallback entre famílias de modelos. Assim, uma mudança de preço ou uma indisponibilidade mantém o seu produto de pé.

Anthropic chega ao IPO com uma pergunta nova

Investidores esperam uma abertura de capital que pode acontecer já no próximo mês, com avaliação estimada em US$ 2 trilhões. Contudo, a tese por trás desse número depende de empresas pagando cada vez mais por capacidade de ponta. Miles Clements, sócio da Accel, disse ao Financial Times que a escolha automática pelo topo da linha tinha prazo de validade. Segundo ele, a maioria das operações roda bem longe da fronteira. Dessa forma, o modelo mais avançado passa a funcionar como vitrine e como ímã de talento.

Vale um lembrete sobre a amostra. Os dados da Ramp cobrem apenas clientes americanos da plataforma e ainda medem gasto em cartão corporativo. Logo, o quadro global de uso pode ser bem diferente.

O teto de preço virou parte da arquitetura

Anthropic vive um teste que interessa direto a quem constrói software. Em resumo, o mercado acabou de mostrar onde fica o teto de preço aceitável. Agora, a vantagem competitiva mora em quem escolhe o modelo certo para cada chamada.

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