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Shopify abandona React Native e volta ao nativo, com IA no cálculo

Head de Mobile da empresa diz que a melhora nos modelos de IA inverteu a conta de custo-benefício entre manter código nativo por plataforma ou usar uma camada de abstração.

Shopify abandona React Native e volta ao nativo, com IA no cálculo
Imagem gerada por IA

A Shopify anunciou que está abandonando o React NativeReact37 conteúdos7 erros com React moderno que só aparecem em produção; e como evitarDev (Back & Front) · abr 2026React Native 0.76: o futuro do desenvolvimento mobileDev (Back & Front) · out 2024Simplificando componentes com React HooksDev (Back & Front) · mar 2019Ver tudo em Dev (Back & Front) para reescrever seus apps principais em Swift e Kotlin nativos. Segundo reportagem do InfoQ, o Head of Mobile Mustafa Ali reavaliou o compromisso da empresa com o framework depois do salto de qualidade nos modelos de IAInteligência artificial440 conteúdosUX e IA: Transformando Experiências Digitais com Inteligência ArtificialProduto & UX · jan 2025MCP: O que é e por que você vai ouvir falar disso em breve?AI · jul 2025IA generativa e a urgência de reconstruir nossa relação com a verdadeAI · jun 2025Ver tudo em AI , e concluiu que a relação benefício/custo de manter bases de código nativas por plataforma passou a ser maior do que a de usar uma camada de abstração.

O detalhe que importa para quem constrói software: a IA entra aqui não como recurso do produto, mas como fator que muda o cálculo de arquitetura. É o tipo de decisão que costumava se resolver na planilha de custo de manutenção, e que agora ganhou uma variável nova.

A reviravolta de uma empresa que era símbolo do React Native

O peso da notícia vem do histórico. Em 2020, a Shopify declarou que o React Native era o futuro da sua arquitetura mobile. Em 2025, reafirmou o compromisso após concluir com sucesso a migração de todos os apps ao longo de cinco anos. A justificativa na época era tripla: não construir a mesma feature duas vezes, portabilidade de talento entre plataformas e gastar mais tempo entregando valor em vez de correr atrás de paridade de features.

Os números que a empresa reportava sustentavam a escolha: telas carregando em menos de 500ms e sessões com mais de 99,9% livres de crash. Hot reloading e TypeScript eram citados como aceleradores de produtividade. Mesmo assim, a Shopify nunca descartou o nativo por completo: recursos que dependem de hardware do dispositivo (scanning 2D/3D, rodar modelos on-device), widgets de tela inicial e de bloqueio, apps de Apple Watch, App Intents, Siri Shortcuts e jobs longos em background sempre ficaram no lado nativo. O mote era "native e React Native", não "native ou React Native".

Os dois fatores que viraram a chave

Pouco mais de um ano depois, a empresa reavaliou tudo. Segundo o InfoQ, dois fatores empurraram a decisão.

O primeiro foi um refactor pesado que estava no horizonte: adotar a New Architecture do React Native. Esse trabalho exigiria revisitar integrações de módulos nativos, renderização e as fronteiras entre código compartilhado e específico de plataforma. Como já era um esforço grande de engenharia de qualquer jeito, valeu a pena parar e reanalisar as opções.

O segundo foi o ritmo de melhora dos modelos de IA para código, dos agentes e das harnesses. Um proof of concept conduzido por um único engenheiro em uma semana deu tão certo que seis engenheiros reconstruíram o app Shop do zero até produção em 12 semanas. Esse resultado reforçou a opção de reescrita greenfield em vez de migração.

Como a IA foi usada de fato

Esse é o ponto que interessa a quem trabalha com agentes de código. A Shopify padronizou em frameworks declarativos modernos, SwiftUI da Apple e Jetpack Compose do Google, justamente porque as simetrias de estrutura e de modelo mental entre as duas plataformas ajudam a guiar agentes autônomos, mantendo os idiomas nativos de cada uma.

Mas o detalhe mais esperto é arquitetural: a empresa isolou os fatores de mudança (a plataforma mobile e a UI) da lógica de negócio e do gerenciamento de estado, que são estáveis. Isso serviu para contornar o feedback loop lento dos simuladores mobile. Na prática, os modelos de IA passaram a disparar ações, manipular estado de navegação e verificar resultados em milissegundos, no desktop, sem renderizar UI nem subir simulador. Os simuladores ficaram reservados para as passagens automatizadas de integração end-to-end.

Vale registrar o que a própria Shopify admite: apesar do avanço dos modelos, a reescrita ainda exigiu envolvimento considerável de engenharia em arquitetura, planejamento do trabalho dos agentes, validação de conclusão de tarefas e correção de erros. Não foi "pedir para a IA reescrever o app".

Os números da reescrita

A empresa reportou ganhos concretos ao comparar o nativo com o React Native antigo:

  • Latência de cold start caindo 23% no iOS e 50% no Android;
  • Estabilidade de sessão subindo de 99,5% para 99,95% (uma redução de 10x nas sessões que crasham);
  • Build de release 75% mais rápido no Android;
  • Scroll de feed nativo sustentando 120 FPS no Android sem otimização manual extensa.

As ressalvas que a comunidade levantou

O anúncio, como era de se esperar, gerou debate. A crítica mais forte, segundo o InfoQ, é metodológica: os resultados de performance e produtividade foram medidos contra a arquitetura antiga do React Native, não contra a New Architecture. Ou seja, fica em aberto se migrar para a nova arquitetura teria alcançado resultados parecidos, sem trocar de stack.

O outro tradeoff citado por desenvolvedores é o velho problema das atualizações over-the-air. Indo full native, publicar uma nova versão passa a depender do processo de review das lojas, o que reduz a frequência de releases. Um desenvolvedor levantou uma provocação cultural interessante: a percepção de que OTA é um argumento decisivo a favor do cross-platform pode vir de uma cultura web, na qual mudanças são baratas e rápidas e times sentem menos pressão para testar tudo antes de subir. No mundo nativo, como cada release é mais difícil de reverter, os times acabam investindo mais em tooling de release, pensando com mais cuidado nas mudanças e testando mais, o que leva a releases maiores e mais espaçados. A conclusão dele foi direta: no fim, as duas abordagens funcionam.

O que muda para quem constrói software no Brasil

Para times mobile daqui, a leitura não é "React Native morreu". O ponto que a Shopify está sinalizando é que a variável IA entrou no cálculo de arquitetura, e ela mexe justamente com o custo histórico do nativo: escrever e manter duas bases de código. Se agente de código consegue transitar bem entre SwiftUI e Jetpack Compose aproveitando as simetrias entre elas, o "não construir a mesma feature duas vezes" perde parte do peso que tinha em 2020.

Mas o caso da Shopify vem com contexto que raramente se replica: um time grande, uma reescrita greenfield, uma decisão que já esbarraria num refactor pesado de qualquer forma, e a disciplina de isolar lógica de negócio da camada de UI para dar feedback rápido aos agentes. Esse último ponto é o mais transferível para qualquer projeto, com ou sem IA: separar o que muda do que é estável é boa arquitetura antes de ser truque para agente.

O que fica em aberto é se a conta se sustenta para times menores, que não têm o volume de engenharia para bancar duas bases nativas mesmo com IA ajudando, e que sentem muito mais a dor de perder o OTA. A própria Shopify ainda está no meio da transição: planeja concluir os apps de Point of Sale e Inbox ao longo do próximo ano, e o app principal da Shopify (com mais de 300 telas, widgets de tela inicial e de bloqueio, app de Apple Watch e Siri Shortcuts) neste ano. Vale acompanhar como esses casos mais complexos se comportam, porque é neles que a promessa de barateamento via IA será realmente testada.

Fonte: InfoQ

Este artigo foi escrito por Redação iMasters. Conteúdo produzido por agente de IA da redação iMasters, sob revisão editorial humana. Saiba como produzimos no expediente.

O editor-chefe da redação de agentes. Sem persona pública própria: assina como Redação iMasters. Monta a pauta do dia, distribui o mix entre verticais, revisa tudo que os especialistas escrevem, escreve notícias e compilados de opinião, e sugere taxonomia para revisão humana.

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