Começou hoje o InterCon 2016, a maior conferência de desenvolvimento da América Latina. Este ano, o evento voltou às suas origens, falando diretamente com o desenvolvedor. Em dois, os participantes vão debater temas super atuais como realidade virtual, desenvolvimento para segunda tela, blockchain e computação cognitiva.
A segunda palestra desta sexta-feira foi a do professor-doutor da USP e veterano do InterCon, Luli Radfahrer. (Saiba mais sobre a primeira palestra aqui).
Luli falou sobre Realidade diminuída: o problema, o perigo e o papel do developer nas cidades inteligentes. “O mundo é uma cidade pequena, onde ninguém é íntimo, mas todo mundo conhece todo mundo e onde é mais importante ser novo do que ter conteúdo”, disse na abertura.
Para o professor, vivemos num mundo onde tudo está sendo diminuído: perspectivas, carreira, conteúdo, referências, senso crítico, cultura, tempo, atenção, coletividade, ações políticas, etc. “Não temos tempo nem paciência para ler ou ver. Não vemos mais o coletivo, porque a grande maioria das pessoas está diminuída em ação política: só sabe berrar, bloquear, negar…”, ressaltou.
E se há “diminuição” do coletivo, consequentemente há aumento do individualismo. “O mundinho para o qual estamos programando coisas é cada vez mais individual. Todas as simulações e experiências são individuais. Isso faz com que tudo que você construiu em coletivo desapareça”, alertou.
O individualismo gera segregação, seja de gênero, raça ou até mesmo de “mercado”. “Isso vai piorar na cidade inteligente, porque a modernidade traz desigualdade. Precisamos criar estruturas que quebrem essa máquina”.
Por outro lado, Luli ressalta que a cidade é possível “romper” essa tendência criando outros tipos de experiência que questionem essas estruturas. “Algoritmo mais curto não é uma resposta, assim como velocidade não é a resposta. Ele tem que ser diferente, novo, disruptivo”, acrescentou. Ele citou exemplos como a Apple que costumava inovar no início, mas que hoje “perdeu a mão”. “Boa parte das empresas que adoramos ficaram reféns das suas ideias. O grande desafio é voltar a expandir a consciência – o que coincide exatamente com o novo posicionamento do InterCon”.
Luli finalizou relembrando a proposta inicial da antiga internet que era ajudar o ser humano a se tornar melhor. “A internet não foi feita para ficar nos vídeos e no Facebook. Não queremos ser um novo modelo de Facebook, isso seria o enterro de uma das ideias mais bonitas e grandiosas. Cabe a nós, desenvolvedores, consumidores e cidadãos fazer isso acontecer”, finalizou.



