Microsoft com problemas na Europa
– Gostaria de informar que um acordo com a Microsoft
não foi possível – declarou Mario Monti, integrante
da comissão européia que investiga um possível
monopólio abusivo da empresa no continente. Depois de três
dias de conversas com Steve Ballmer, presidente da Microsoft,
nada foi alcançado. Na quarta-feira, a União Européia
anunciará as sanções que serão impostas
à empresa de Bill Gates.
A Microsoft fez acordos com a UE em 1994 e 1997.
As negociações requisitaram mudanças nas
estratégias da Microsoft em relação às
companhias rivais. Mas, segundo Monti, nenhum dos acordos anteriores
evitou que problemas similares se repetissem.
Monti afirmou que, dessa vez, as sanções
funcionarão porque há um consenso entre os Estados
da União Européia.
A decisão da UE, que entrará em vigor
no dia do anúncio, deverá exigir que a Microsoft
lance uma nova versão de seu sistema operacional sem o
tocador Media Player. Hoje, um novo encontro será marcado
para definir as sanções, incluindo o valor da multa
aplicada caso a empresa não acate a decisão. A taxa
foi um dos principais assuntos discutidos e pode chegar à
casa dos US$ 100 milhões.
A União Européia representa cerca
de 30% da receita anual de US$ 10 bilhões arrecadada com
o Windows em todo o mundo. Segundo a UE, a Microsoft abusa de
sua dominação no sistema operacional com as vendas
casadas do Media Player no Windows. O software está presente
em mais de 95% dos computadores pessoais do planeta.
Órgãos antitruste de 15 países
da UE apoiaram a decisão tomada pela Comissão Européia.
Durante as negociações, uma alternativa apresentada
à empresa de Gates foi a venda de duas versões do
Windows: uma com o Media Player, para reprodução
e gravação de áudio, vídeo e streaming
multimídia, e outra sem o programa incorporado.
Mas, segundo a Microsoft, é impossível
retirar o aplicativo sem danificar o funcionamento do programa.
Além disso, a empresa afirmou que a inclusão de
softwares rivais colocaria em risco a segurança do sistema
operacional.
Sem nenhuma intervenção, o poderio
da Microsoft levaria a um monopólio do Media Player, reduzindo
ou eliminando a concorrência – exatamente como ocorreu entre
o Internet Explorer e o Netscape. Num processo semelhante nos
Estados Unidos, a Microsoft afirmara que o Windows não
poderia ser desmembrado do navegador web. Um acordo milionário
com a Netscape, hoje propriedade da America Online, acabou com
a questão. Mas ele aconteceu depois da Microsoft concretizar
o domínio do Internet Explorer no mercado de navegadores.
A Real Networks, entretanto, fez uma demonstração
à comissão e provou que o Windows Media Player pode
ser removido sem causar qualquer tipo de problema ao sistema operacional.
A UE também quer requisitar informações
que facilitem o funcionamento de programas acessórios no
Windows. Com isso, seria mais fácil utilizar os tocadores
concorrentes, como os da RealNetworks, Sun e Apple.
A comissão já sinalizou que pretende
avançar e analisar o uso que a Microsoft faz de sua posição
dominante no mercado.
– Afirmar um precedente legal, nesse caso, é
muito importante. Ele servirá de guia para as futuras ações
– disse Monti.
É provável que a Microsoft recorra
da decisão nos tribunais do continente. Com isso, o litígio
pode se estender por anos.






