Mercado de software tem que seguir a lei de Moore
Afirmação foi feita pelo diretor de pesquisa e desenvolvimento em processadores da Intel, Shekhar Borkar
Depois de muitos anos fabricando processadores cada vez mais velozes, que facilmente aumentam a performance de softwares e sistemas, Intel e AMD travam hoje uma guerra pela produção de chips com múltiplos núcleos, o que levou o desafio da melhora de performance para a indústira de software, na opinião de Shekhar Borkar, diretor de pesquisa em processadores da Intel, que falou para o site Cnews.com.
Para ele, o mercado de software também tem que acompanhar a lei de Moore – modelo que estima que os processadores dobram de capacidade entre 18 e 24 meses. “O software tem que dobrar o grau de paralelismo (capacidade de fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo) suportado a cada dois anos”, completou. Mas os desafios são grandes, já que, segundo a lei de Amdahl, há um limite no paralelismo suportado pelos softwares.
Borkar comentou, no entanto, que haveriam outras formas de se fazer essa evolução. As aplicações podem suportar multiplas tarefas, e os sistemas podem rodar múltiplas aplicações. Programas e sistemas também podem interagir para alocar a performance do processador para as tarefas que o usuário mais necessita. O que não pode acontecer, frizou, é que a indústria continue trabalhando da mesma forma nos próximos anos.
Há duas semanas, durante o Windows Hardware Engineering Conference, em Los Angeles, a Microsoft fez um alarme semelhante. Craig Mundie, Chief Research and Strategy Officer da gigante do software, falou à indústria. “Nós encaramos agora o desafio de elevar o ecosistema de programação para criar aplicações que possam aproveitar todo esse poder de processamento”, disse. “Esse é, provavelmente o maior desafio que enfrentamos nos últimos 20 ou 30 anos”, acrescentou Mundie.
Na semana passada, Ty Carlson, diretor de desenvolvimento de produtos da Microsoft, disse que a próxima versão do Windows tem que ser bem diferente para suportar os sistemas com vários núcleos que se tornarão padrão da indústria. O Vista, disse ele, foi construído para suportar esse tipo de tecnologia, mas não processadores com 16 ou mais núcleos que vêem por aí. “Nos próximos 10 ou 15 anos, teremos incríveis capacidades de processamento”, disse Carlson. “O desafio será criar uma indústria que saiba programar sob estas condições”, enfatizou.
Borkar, da Intel, disse, no entanto, que a Microsoft e outras empresas do setor de software sabiam que esta evolução viria, e não se prepararam. “Eles falam bastante mas não estão fazendo o suficiente”, avaliou.
Apesar das preocupações, Borkar mostra-se otimista sobre a evolução da indústria, principalmente por conta da competição. “Para cada empresa que não perceber isso, haverá outra que verá uma oportunidade”, ressaltou.
Para o executivo, o processo começa nas universidades. “Nós, cachorros velhos, não aprendemos truques novos”, finalizou.






