Malware rouba tokens de assinantes do Claude sem o dev perceber
Infostealers sequestram sessões de login e consomem franquia paga do Claude Code sem deixar rastro. A Anthropic confirma o problema, mas ainda não dá ferramenta para o assinante auditar o consumo.

Uma onda de contas do Claude vem sendo comprometida por malware que sequestra sessões de login e consome os tokens pagos dos assinantes, muitas vezes sem que a pessoa tenha sequer aberto o aplicativo no dia. O caso, reunido pelo TechCrunch e reportado pelo Startups, já resultou em suspensões de contas, reembolsos parciais e ao menos um cancelamento de assinatura. A Anthropic confirmou o problema, mas admite que ainda não oferece uma ferramenta que permita ao assinante rastrear por conta própria o que está consumindo sua franquia.
Para quem constrói software no Brasil e já colocou o Claude Code no fluxo de trabalho, o recado é direto: o vetor de ataque não é a IA↳Inteligência artificial440 conteúdosUX e IA: Transformando Experiências Digitais com Inteligência ArtificialProduto & UX · jan 2025MCP: O que é e por que você vai ouvir falar disso em breve?AI · jul 2025IA generativa e a urgência de reconstruir nossa relação com a verdadeAI · jun 2025Ver tudo em AI → em si, é a máquina do dev. E a consequência não é só uma cobrança indevida, é a suspensão da conta que pode derrubar a operação inteira de um freelancer ou de um time pequeno.
Como o ataque funciona
O responsável é um infostealer, categoria de malware que se instala no computador da vítima e vasculha senhas salvas no navegador, cookies, dados de sessão e credenciais de login. Não é nada novo em segurança, o que muda é o alvo: agora esses stealers estão colhendo sessões ativas do Claude.
O ponto crítico é que o invasor não precisa da sua senha. Com o token de sessão ou o cookie de autenticação em mãos, ele reaproveita uma sessão já autenticada, o que costuma driblar até MFA, porque a barreira do segundo fator já foi vencida quando você fez login. A partir daí, dá para emitir tokens OAuth do Claude Code em nome da vítima e rodar cargas de trabalho contra a franquia dela.
No caso mais detalhado, o de Grant De Swardt, consultor de IA no Reino Unido e assinante do plano Claude Max 20x, a Anthropic concluiu depois de investigar que uma chave de sessão comprometida foi usada para emitir tokens OAuth não autorizados do Claude Code. Segundo o relato que a empresa enviou a ele, a conta "parecia ter sido usada por um serviço terceirizado de aparência não autorizada para processar atividade de outras pessoas", ou seja, a franquia paga da vítima virou infraestrutura de terceiros.
O sintoma: consumo que sobe sozinho
O padrão que aparece nos relatos é o mesmo: o medidor de uso sobe sem trabalho correspondente. De Swardt percebeu em 4 de agosto que o consumo continuava subindo mesmo sem ter trabalhado no dia. No dia seguinte desativou tudo que estava conectado à ferramenta e o número seguiu crescendo.
"No intervalo mais controlado, ele subiu de 45% para 55% enquanto eu não realizava nenhum trabalho, as tarefas agendadas do Cowork estavam pausadas ou concluídas, a execução em nuvem via Dispatch estava desativada, e não havia nenhuma tarefa ativa do Claude Code em execução local correspondente."
Grant De Swardt, ao TechCrunch
Depois de publicar o caso no Reddit e receber cerca de 80 comentários, ele descobriu que não estava sozinho. Os relatos batem no mesmo sintoma, com velocidades diferentes:
| Relato | Sintoma |
|---|---|
| Usuário 1 | Conta atualizada de plano sem consentimento, cartão cobrado, uso de 0% a 100% sem tocar na conta |
| Usuário 2 | Consumo de 0% a 49% em 12 minutos, tendo usado só alguns prompts e uma busca web |
| Usuário 3 | Limite máximo de tokens esgotado por três dias seguidos sem uso próprio; abriu issue no GitHub |
Dois desses usuários publicaram e-mails da Anthropic reconhecendo o problema: "Recentemente, tomamos conhecimento de um agente malicioso que está usando malware infostealer comum para roubar sessões de login do Claude de computadores de usuários, e depois usando essas sessões para acessar contas do Claude e consumir o uso delas."
O que a Anthropic fez, e o que não fez
Ao identificar atividade suspeita, a Anthropic desconectava os usuários, invalidava as autorizações existentes, emitia alguns reembolsos e alertava para a possibilidade de haver malware na máquina. No caso de De Swardt, a empresa suspendeu a conta paga, invalidou todas as sessões e os tokens server-side do Claude Code associados, e emitiu um reembolso parcial de £44,49 sobre a assinatura de US$ 200 por mês.
A empresa também deixou claro que o malware não teve origem no uso do próprio Claude, podendo ser contraído por diferentes fontes: downloads de software infectado, cliques em anúncios maliciosos e afins.
O buraco fica na transparência. De Swardt pediu uma lista detalhada do uso para identificar o que consumia a franquia e a Anthropic não atendeu. Questionada pelo TechCrunch sobre como os usuários podem identificar usos indevidos, a empresa não quis comentar. Sem um detalhamento de consumo, o assinante fica cego: percebe que a franquia queimou, mas não consegue ver qual sessão, qual IP ou qual token fez isso. A conta de De Swardt só voltou depois de cerca de duas semanas, e o impacto foi real: como autônomo, ele depende de agentes de IA em quase toda a operação, de tarefas administrativas a design de sites e programação. No fim, cancelou o Claude e migrou para o Cursor, que permite alternar entre múltiplos modelos, incluindo opções de código aberto↳Open source71 conteúdosComo o Open Source Está Liberando o Poder da Automação para TodosDev (Back & Front) · out 2025Código aberto: programadores criam software da NASA sem saberDev (Back & Front) · abr 2021N8N: O que é a ferramenta open source que está revolucionando a automação em TI?Dev (Back & Front) · dez 2025Ver tudo em Dev (Back & Front) → mais baratas.
O que muda para o dev brasileiro
O risco não é abstrato. Claude Code entrou na rotina de muita gente que escreve software por aqui, e a mesma máquina que roda o agente é a que guarda o token de sessão. Se ela for comprometida, a franquia paga vira alvo, e uma suspensão preventiva pode travar seu ambiente por semanas.
Algumas medidas que fazem sentido enquanto não há uma ferramenta oficial de auditoria de consumo:
- Faça logout e reautentique periodicamente. Invalidar sessões antigas reduz a janela em que um token roubado continua válido.
- Trate downloads e extensões como superfície de ataque. Os infostealers chegam por software pirata, instaladores falsos e anúncios maliciosos. Baixe binário só da fonte oficial.
- Monitore o medidor de uso como sinal de segurança. Franquia subindo sem trabalho correspondente é o sintoma número um. Se acontecer, revogue as sessões imediatamente.
- Revise integrações OAuth e serviços conectados. O ataque emite tokens OAuth do Claude Code; auditar o que está autorizado ajuda a fechar portas.
- Rode um scan de malware na estação de trabalho ao menor sinal de consumo anômalo, já que o comprometimento está no endpoint, não na nuvem da Anthropic.
O que ainda está em aberto é justamente a peça que falta: a Anthropic não explicou como um serviço terceirizado obteve acesso na investigação de De Swardt (que diz não ter achado evidência de malware na própria máquina) e não se comprometeu com uma ferramenta de detalhamento de uso. Enquanto isso não muda, o dev que paga pela franquia é quem carrega o ônus de vigiar o próprio consumo.
Fonte: Startups.com.br
Este artigo foi escrito por Redação iMasters. Conteúdo produzido por agente de IA da redação iMasters, sob revisão editorial humana. Saiba como produzimos no expediente.
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