IaC e backups testados evitaram perda de dados quando data centers da Yandex caíram
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Em outubro de 2026, ataques a três data centers da Yandex tiraram do ar a infraestrutura de um cliente da consultoria russa KTS. Infraestrutura como código, documentação viva e backups testados com antecedência evitaram a reconstrução do zero.
O ataque que tirou um cliente do ar
Em outubro de 2026, uma série de ataques atingiu data centers da Yandex na Rússia. Segundo a empresa, a unidade de Sasovo foi seriamente danificada e parada por completo, parte da infraestrutura de Kaluga saiu do ar e, depois, o data center de Vladimir também parou de funcionar. O relato é da KTS, consultoria de DevOps↳DevOps29 conteúdosHabilite o Código de Segurança Azure DevOpsDevSecOps · jun 2025O que é DevOps – minha experiência como executivo nessa frenteDev (Back & Front) · abr 2026DevOps: a automação de processos de TI como estratégia de eficiência operacionalDev (Back & Front) · set 2024Ver tudo em DevSecOps → russa, publicado no Habr em 30 de outubro de 2026 pelo engenheiro Sergey Kussev (fonte).

Um cliente da KTS tinha praticamente toda a infraestrutura em um único domínio de falha do Yandex Cloud. Quando a região caiu, caíram juntas as VMs, a rede e as aplicações que dependiam delas. Não havia nada para consertar no local: era preciso reconstruir o ambiente crítico em outro lugar, sob pressão de tempo e com outras empresas competindo pelos mesmos recursos na mesma hora.
Um risco que já era conhecido antes do incidente
A infraestrutura desse cliente existia e crescia havia anos junto com o negócio, concentrada majoritariamente em um único data center. Um ano antes do incidente, a KTS havia feito uma auditoria completa, mapeado esse risco e proposto um plano de um ano: distribuir serviços, evoluir a orquestração, migrar componentes, converter configurações em código e eliminar pontos únicos de falha aos poucos.
Parte desse plano já estava pronta quando o ataque aconteceu; outra parte, não. Essa é a parte honesta do relato: nenhuma arquitetura fica resiliente da noite para o dia, e o risco se materializou antes de o trabalho terminar. Mesmo assim, o que já tinha sido feito foi o que sustentou a recuperação.
Separar tempo de engenharia de tempo de calendário
O artigo propõe uma distinção útil para qualquer incidente de infraestrutura: tempo de engenharia (quanto leva para a equipe implantar, configurar e validar) e tempo de calendário (quanto passa, na prática, entre o início da falha e o serviço voltar, incluindo esperas externas).
Parte da recuperação dependia do suporte da Yandex: a equipe repassava snapshots e organizava a exportação de dados do armazenamento de objetos (S3) conforme ficavam prontos. Os dados em si não se perderam, então o SLA de dados foi cumprido, mas a velocidade de transferência virou o gargalo. Enquanto isso, a equipe da KTS preparava em paralelo configurações, dependências e checagens, adiantando tudo o que não dependia de terceiros.
O que realmente sustentou a recuperação
Quatro camadas de preparo, construídas ao longo do ano anterior, foram o que separou esse caso de uma reconstrução do zero:
- Mapa de dependências: a equipe já sabia quais serviços afetavam diretamente as operações do negócio, quais bancos e armazenamentos eles exigiam, e em que ordem checar tudo.
- IaC com Terraform, Ansible e GitOps: permitia reproduzir componentes de infraestrutura a partir dos repositórios, em vez de recriar configurações de memória ou de prints da interface do provedor. Vários engenheiros conseguiam trabalhar em paralelo sem conflitos, e cada correção feita durante a recuperação ficava salva no código.
- Eliminação de bus factor: mais de um engenheiro conhecia a fundo o ambiente e tinha acesso à documentação e ao código, então a recuperação não dependeu de uma única pessoa disponível.
- Documentação viva: descrições de serviços, dependências, configurações e instruções de operação, testadas com um critério simples: um engenheiro que não construiu aquele sistema consegue, lendo a documentação, entender onde ele se encaixa e dar o próximo passo?
Nem todo o deploy estava descrito em IaC, porque o plano de um ano ainda não tinha terminado. Mas a equipe sabia da existência de cada componente manual, sua função e sua ordem de restauração.
O IaC não reconstruiu o sistema com um clique, mas transformou a recuperação de uma arqueologia em uma sequência de passos claros.
Sergey Kussev, engenheiro DevOps na KTSОдной кнопкой IaC систему не восстановил, зато превратил восстановление из археологии в последовательность понятных шагов.
Os backups também já haviam sido testados antes do incidente: a equipe sabia se a cópia sobreviveria ao mesmo tipo de falha da origem, quanto tempo levava para recuperá-la, qual era o RPO real, quanto tempo demorava o deploy a partir dela e quem validava o resultado. Isso tirou da mesa a pergunta mais perigosa de um desastre: será que o backup vai funcionar mesmo?
Os oito passos da recuperação
O trabalho de restauração seguiu uma sequência:
- Definir o alvo mínimo: só o contorno sem o qual o negócio não operava, nada além disso por enquanto.
- Cruzar conhecimento, código e dados para enxergar a cadeia de recuperação inteira antes de começar.
- Escolher a plataforma disponível, não necessariamente a ideal, priorizando onde os recursos sairiam mais rápido.
- Preparar a infraestrutura básica (rede, acessos, computação, componentes de plataforma) reaproveitando o que já existia em Terraform, Ansible e GitOps.
- Restaurar os dados na velocidade permitida pelos sistemas externos, sem subir serviços dependentes antes da checagem de integridade.
- Subir as aplicações respeitando a ordem de dependências: primeiro o que é base, depois o crítico, por último o secundário.
- Validar cenários de usuário de ponta a ponta, não só healthcheck verde.
- Devolver os serviços críticos à operação e só então seguir restaurando o resto.
Menos de 24 horas, mas não por mágica
Os serviços sem os quais o cliente não conseguia operar voltaram ao ar em menos de 24 horas na nova plataforma. Esse tempo incluiu a decisão do cliente sobre migrar ou esperar o data center original voltar, o trabalho técnico em si, e a espera por recursos e transferência de dados. O que não houve foi perda de dias tentando descobrir do que o sistema era composto ou recriando configurações manualmente.
No pós-mortem, a equipe separou três questões: a causa raiz (os ataques aos data centers), a extensão do impacto (concentração do contorno crítico em um único domínio de falha) e a qualidade da recuperação (ações, dados e ferramentas que trouxeram os serviços de volta). Como as limitações da arquitetura já tinham sido discutidas antes do incidente, não houve disputa sobre de quem era a culpa, e o passo seguinte de melhoria começou direto.
O que muda para quem roda serviços críticos em nuvem no Brasil
AWS tem a região sa-east-1 em São Paulo, Google Cloud tem a southamerica-east1, Azure tem a Brazil South. É comum times brasileiros concentrarem toda a carga crítica em uma única região, às vezes numa única zona de disponibilidade, pelo mesmo motivo do cliente da KTS: funcionou bem por anos e o custo de redundância parecia difícil de justificar.
O caso russo não é exótico para quem desenvolve aqui. Vale usá-lo como checklist prático antes que um incidente force a resposta sob pressão:
- A infraestrutura crítica está descrita em Terraform, Pulumi ou equivalente, ou parte dela só existe como cliques salvos na cabeça de alguém?
- Um
terraform applyrecriaria o ambiente numa conta vazia, ou existem dependências manuais não documentadas? - Alguém já testou restaurar um backup de produção de verdade, cronometrando RPO e tempo de restore, ou o backup só é verificado por existir?
- Mais de uma pessoa do time sabe operar o ambiente de ponta a ponta, ou há um bus factor de um?
- RTO e RPO foram decididos junto com quem paga a conta, ou ficaram só na cabeça da equipe de infraestrutura?
O que ainda está em aberto
O cliente da KTS mudou de postura depois do incidente: o Yandex Cloud continua sendo a plataforma principal, mas os serviços críticos agora têm uma reserva para o caso de nova falha. O próximo passo, segundo Kussev, é montar um ambiente de reserva em outro provedor, decidindo entre reserva quente, morna ou fria, forma de sincronização de dados e testes regulares de failover. Esse processo tem custo e complexidade reais, e a KTS promete detalhar essa escolha em um próximo artigo.
Fonte: Habr (Rússia)
Highlights
- IaC, documentação testada e backups validados antecipadamente foram o que evitou reconstrução do zero após ataques a data centers Yandex em outubro 2026
- Serviços críticos de um cliente voltaram ao ar em menos de 24 horas em nova plataforma após concentração em único domínio de falha
- Quatro camadas de preparo sustentaram recuperação: mapa de dependências, IaC com Terraform e Ansible, eliminação de bus factor e documentação viva
- Infraestrutura crítica em nuvem brasileira concentrada em única região continua comum, mesmo com risco conhecido desde auditoria anterior
- Próximo passo do cliente é montar ambiente de reserva em outro provedor, decidindo entre reserva quente, morna ou fria
Este artigo foi escrito por Redação iMasters. Conteúdo produzido por agente de IA da redação iMasters, sob revisão editorial humana. Saiba como produzimos no expediente.
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