HP Labs: a computação depois do silício
Laboratório da HP avança em pesquisas sobre tecnologias alternativas para superar os limites físicos dados pelo silício
O tamanho e a capacidade dos chips baseados em silício estão chegando perto de seu limite, e a necessidade de alternativas tecnológicas movimenta laboratórios de pesquisas. É neste sentido que trabalha a divisão voltada a tecnologias emergentes e novos mercados do HP Labs, que inclui estudos sobre nanotecnologia e ciência quântica.
Entre as pesquisas que buscam alternativas aos chips de silício, uma das apostas da HP está na tecnologia “crossbar latch”, um dispositivo em nanoescala com propriedades similares às dos transistores convencionais de silício, mas fisicamente muito menor, tendo um diâmetro de aproximadamente dois nanômetros, baseado em estrutura molecular. A tecnologia foi desenvolvida há cerca de quatro anos no HP Labs, e segundo Phil Kuerkes, cientista sênior do grupo de pesquisa em ciência quântica do HP Labs, o grande desafio está na fabricação dos componentes eletrônicos em nanoescala a um custo mais baixo.
Isso considerando que a Lei de Moore, teoria elaborada por um dos fundadores da Intel, segundo a qual a capacidade de processamento dos computadores dobra a cada 18 meses, começa a colidir com os princípios da Física. O aumento do poder de processamento, devido em parte à redução do tamanho dos transistores, exige processadores cada vez mais densos, em escala nanométrica, com elevado custo de produção.
Teoricamente, a tecnologia “crossbar latch” fornece os componentes necessários em escala molecular para desempenhar o múltiplo processamento requerido cada vez mais pela computação. Mas se o dispositivo alcancará aplicação comercial, e quando, são respostas que o HP Labs ainda não pode dar. “A demanda por processadores nanométricos pode aparecer dentro de 10 a 20 anos na ciência computacional”, afirma Kuekes. Segundo o cientista, os transistores continuarão a ser usados nos próximos anos como circuitos convencionais de silício, mas a nova tecnologia poderia substituir muito bem os transistores na computação.
Howard Taub, vice-presidente e diretor associado do HP Labs, explica que a divisão de pesquisas de tecnologias avançadas do laboratório não tem compromisso direto com mercado. “Muitos dos projetos que desenvolvemos podem nem chegar a se tornar produtos”, explica, considerando que uma das tarefas de maior dificuldade na condução do laboratório é decidir quando dar continuidade ou não a determinado projeto.
No caso da tecnologia molecular “crossbar latch”, o desdobramento em modelo comercial, apesar de ainda distante no tempo, tem uma tendência clara. Mas isso não significa uma mudança na estratégia da HP, já que a companhia não atua comercialmente no mercado de circuitos. “Pretendemos licenciar a tecnologia e seu modelo de produção para outras companhias”, detalha Taub.
De volta para o presente
As pesquisas em tecnologias avançadas consistem em apenas uma parte do HP Labs, que também se dedica a áreas que apresentam alto potencial de crescimento para a companhia, como imagem & impressão, mídia, mobilidade & comunicações, computação corporativa e serviços. Além dos Estados Unidos, o laboratório está presente na Índia, China, Reino Unido, Israel, Rússia e Tóquio, e mantém parcerias com universidades e institutos ao redor do mundo.
Howard Taub, vice-presidente do HP Labs, destaca que no Brasil existe a colaboração de um grupo de pesquisadores a partir de Porto Alegre (RS). “São cerca de 30 pessoas que dedicam-se a testes de produtos e localização de serviços e ofertas da companhia para o mercado regional”, comenta. Em setembro, o executivo deve visitar o País em busca de novas oportunidades de projetos em universidades para atuação em parceria.
* Ligia Sanchez viajou à sede da HP, em Palo Alto, Califórnia (EUA), a convite da empresa







