Estudo encontra 10 mil chaves da AWS vazadas ainda ativas, algumas com controle total da conta
Pesquisa da Truffle Security aponta credenciais expostas há anos que continuam válidas, incluindo acessos root e IAM administrativos. É hora de auditar suas credentials.

A empresa de segurança Truffle Security publicou uma pesquisa mostrando que uma quantidade expressiva de chaves de acesso da Amazon Web Services↳AWS20 conteúdosE-mails de verificação com AWS SES + Lambda (Node.js) e Terraform: do zero ao envioDevSecOps · out 2025Codex na AWS: chegada do agente da OpenAI à nuvem da AmazonDevSecOps · abr 2026Salesforce e AWS ampliam colaboração em IA, CRM e marketplaceDevSecOps · nov 2023Ver tudo em DevSecOps → (AWS) que já vazaram publicamente continua válida e utilizável meses, e em muitos casos anos, depois de terem sido expostas. O levantamento foi noticiado pela CNews e pelo Bleeping Computer.
O que os pesquisadores encontraram
A Truffle rastreou 431.875 segredos da AWS espalhados por repositórios de código, histórico de Git, datasets, imagens Docker, registries e logs de CI. Desse volume, extraiu 64.024 chaves únicas, correspondendo a 50.654 contas AWS depois de remover duplicatas.
Mas o dado que importa é outro: apenas 10.616 chaves tinham as credenciais completas necessárias para revalidação (ou seja, chave e segredo pareados). Dessas, 88% continuavam válidas em 10 de agosto. Em números absolutos, isso significa mais de 9.300 chaves comprometidas entre agosto de 2022 e agosto de 2026 ainda funcionando, mesmo com o vazamento sendo de conhecimento público.
O nível de acesso dessas chaves é o que transforma o problema em risco crítico:
- 526 chaves com acesso
rootà conta AWS, o nível mais alto, que ignora até as restrições de IAM. - 42 chaves de usuários com permissões administrativas de IAM (poder de criar, alterar, deletar e monitorar praticamente todos os serviços da conta).
- 817 chaves ligadas a empresas específicas identificáveis.
- 768 chaves, segundo os pesquisadores, davam controle total sobre a conta corporativa na AWS.
Chaves velhas que ninguém rotaciona
O retrato de higiene de credenciais é ruim. A idade mediana de quase três mil chaves da amostra é de cerca de 5 anos, e a chave mais antiga encontrada tinha 17,4 anos. Pior: em apenas 13,7% dos casos houve algum tipo de rotação da chave para o mesmo usuário ao longo do tempo.
Dmitri Peshkov, especialista em segurança da informação da empresa SEQ ouvido pela CNews, resumiu: "Esses números demonstram a situação real da cibersegurança na AWS mais eloquentemente do que qualquer relatório. Pelo visto, ninguém se interessou pelo 'estado de saúde' dessas chaves por muitos anos, e qual parte delas já foi usada por criminosos ninguém vai conseguir dizer com precisão." Ele acrescenta que o problema não é da Amazon, e sim da postura pouco responsável dos usuários finais da nuvem.
De onde vem o vazamento
Um detalhe chama atenção pela relevância para quem trabalha com IA↳Inteligência artificial440 conteúdosUX e IA: Transformando Experiências Digitais com Inteligência ArtificialProduto & UX · jan 2025MCP: O que é e por que você vai ouvir falar disso em breve?AI · jul 2025IA generativa e a urgência de reconstruir nossa relação com a verdadeAI · jun 2025Ver tudo em AI →: a maior fonte de vazamentos no conjunto foi a plataforma Hugging Face, hub de modelos e datasets de machine learning. Sozinha, ela respondia por 8.482 chaves únicas, e 17,9% dessas eram de contas root, aquelas que nem o IAM consegue limitar.
Isso faz sentido no fluxo de trabalho de ML: notebooks, scripts de treino e configs de deploy frequentemente carregam credenciais hardcoded que acabam commitadas em repositórios e model cards públicos. Para times brasileiros que estão empurrando projetos de IA para produção usando Hugging Face e AWS juntos, é um alerta direto.
O risco concreto: cryptomining na sua fatura
Além do roubo de dados e do sequestro de acesso a servidores e aplicações, o cenário mais imediato é financeiro. Com uma chave válida, um invasor pode instalar cryptominers na conta e consumir capacidade computacional sem parar, o que se converte automaticamente em prejuízo, já que na nuvem você paga pelo que roda.
E aqui mora um agravante: das 2.754 contas legíveis analisadas, apenas 262 tinham algum alerta de estouro de consumo configurado. Ou seja, a maioria das contas expostas simplesmente não perceberia um pico anômalo de gastos até chegar a fatura.
O que fazer agora
A recomendação da Truffle Security é tratar qualquer credencial que já esteve em acesso público como comprometida, sem exceção. Na prática:
- Remover todas as chaves de acesso root. Root não deveria ter access key nenhuma; o acesso à conta raiz é para casos excepcionais e via MFA.
- Auditar as credenciais IAM por prazo de validade e uso. O IAM Credential Report lista a idade de cada chave e quando foi usada pela última vez.
- Rotacionar ou revogar imediatamente chaves comprometidas ou antigas.
- Configurar alertas de consumo (AWS Budgets / CloudWatch billing alarms) para pegar cryptomining e uso anômalo cedo.
Um ponto prático para o dia a dia: rode um scan de segredos no seu histórico de Git antes que outra pessoa faça. Ferramentas como o próprio TruffleHog (open source↳Open source71 conteúdosComo o Open Source Está Liberando o Poder da Automação para TodosDev (Back & Front) · out 2025Código aberto: programadores criam software da NASA sem saberDev (Back & Front) · abr 2021N8N: O que é a ferramenta open source que está revolucionando a automação em TI?Dev (Back & Front) · dez 2025Ver tudo em Dev (Back & Front) →, da mesma empresa) ou o git-secrets varrem commits atrás de padrões de access key. E vale lembrar que git rm não resolve: uma chave commitada e depois removida continua no histórico e deve ser considerada vazada de qualquer jeito.
Do lado da Amazon, a empresa afirmou ao Bleeping Computer que está ciente do vazamento e que todos os usuários afetados foram notificados. "Investigamos minuciosamente todos os relatos de exposição de chaves e tomamos as medidas necessárias com rapidez, como aplicar quarentena, para minimizar os riscos aos clientes sem interromper o funcionamento do ambiente de TI deles", disse um representante.
O que fica em aberto
O estudo não afirma que essas chaves específicas já foram exploradas por criminosos, e como o próprio especialista citado aponta, é praticamente impossível saber quantas já estão sendo usadas ativamente. A quarentena mencionada pela AWS depende de a empresa detectar a exposição, o que claramente não aconteceu para a maioria das chaves da amostra, dado que 88% seguiam válidas. Na prática, a responsabilidade de fechar essas portas continua nas mãos de quem opera a conta, sob o modelo de responsabilidade compartilhada da nuvem.
Fonte: CNews (Rússia)
Este artigo foi escrito por Redação iMasters, um agente de inteligência artificial com revisão editorial humana. Publicado sob revisão editorial de Rafael Chinaglia - iMasters. Saiba como produzimos no expediente.









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