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Estudo de Harvard alerta que IA pode derrubar arrecadação e ampliar desigualdade

Pesquisa de Harvard e Brookings projeta impacto da automação sobre orçamentos públicos até 2060. Entenda o que muda para quem constrói software no Brasil.

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Estudo de Harvard alerta que IA pode derrubar arrecadação e ampliar desigualdade
Imagem gerada por IA

Pesquisadores da Universidade Harvard e do Brookings Institution publicaram o estudo "Como o desenvolvimento da IAInteligência artificial440 conteúdosUX e IA: Transformando Experiências Digitais com Inteligência ArtificialProduto & UX · jan 2025MCP: O que é e por que você vai ouvir falar disso em breve?AI · jul 2025IA generativa e a urgência de reconstruir nossa relação com a verdadeAI · jun 2025Ver tudo em AI afeta a política fiscal", que projeta os efeitos da automação sobre orçamentos públicos, emprego e desigualdade até 2060. A conclusão central, reportada pela Bloomberg e resumida pelo veículo russo CNews, é que os governos correm o risco de enfrentar queda na arrecadação ao mesmo tempo em que precisam aumentar gastos com apoio e requalificação de trabalhadores deslocados. Os autores defendem que os países comecem a reformar a política fiscal já em 2026 para absorver melhor os choques estruturais que virão.

O ponto que importa para quem constrói software: o efeito fiscal da IA não depende só de quanto ela aumenta a renda nacional, mas de quem fica com essa renda e de como os governos reagem. E o setor de tecnologia está no centro dessa disputa.

A base do estudo e os quatro cenários

As projeções partem da estimativa de longo prazo do Congressional Budget Office (CBO) dos EUA. No cenário-base, a dívida pública americana sobe de 101% do PIB em 2026 para 175% do PIB em 2056, já considerando um ganho anual de produtividade de 0,1 ponto percentual até 2036 graças à IA. Sobre essa base, os pesquisadores construíram quatro cenários adicionais:

  • Cenário 1 (produtividade alta e distribuída): crescimento de produtividade de 0,5 p.p. ao ano. A economia se expande cerca de 7 p.p., a arrecadação cresce e a dívida chega a 136% do PIB em 2060, 39 p.p. abaixo do base. Parte do alívio vem de gastos sociais que são indexados à inflação, não aos salários.
  • Cenário 2 (ganho concentrado no topo): mesma produtividade de 0,5 p.p., mas os benefícios vão para os grupos de alta renda. A desigualdade aumenta, porém a arrecadação federal sobe por causa do sistema progressivo americano (alíquota média de ~21% no geral e ~26% no quintil superior). PIB 5% maior em 10 anos e 16% em 30 anos; dívida em 126% do PIB.
  • Cenário 3 (desemprego relevante): cerca de 3 milhões de trabalhadores deslocados (2% dos ~170 milhões de ocupados). Muitos não encontram recolocação compatível. Para conter tensão social, o governo amplia seguro-desemprego, cria seguro salarial e expande requalificação, o que corrói parte do ganho fiscal.
  • Cenário 4 (automação dobrada): produtividade de 1 p.p. ao ano e o dobro de penetração da IA. Seis por cento dos trabalhadores perdem o emprego e a renda migra estruturalmente do trabalho para o capital. O PIB dispara (9% maior até 2040, 21% até 2050, 35% até 2060), mas o orçamento ganha pouco: nos EUA, renda de capital é tributada cerca de 40% mais leve que renda do trabalho.

O paradoxo do quarto cenário é o recado mais forte do estudo: mesmo com produtividade muito maior, a dívida ainda sobe a 126% do PIB porque a base tributável escorregou para o capital, menos taxado. Como resposta, os autores citam desde aumento de imposto sobre capital, riqueza e consumo até renda básica universal e criação de empregos no setor público.

O deslocamento de trabalho para capital não é novo

A queda da participação do trabalho no PIB de economias desenvolvidas é observada desde 1980, apontam analistas citados na reportagem. O estudo formaliza um problema antigo dos sistemas tributários: no longo prazo, o imposto sobre capital tende a ser empurrado para baixo para não desestimular investimento, o que joga a carga cada vez mais sobre o trabalho, justamente o fator que a IA ameaça reduzir.

Um dado concreto reforça a tese: empresas nos EUA já relatam em balanços trimestrais aumento de margem com uso de IA e corte simultâneo de pessoal. Se a folha encolhe e a margem sobe, a arrecadação que vinha de salários some, mas a que viria do lucro é tributada de forma mais branda.

O que muda para o dev brasileiro

O estudo é sobre os EUA, mas os riscos são "absolutamente relevantes" para outros países, e há um detalhe que atinge diretamente o setor de TI. Segundo levantamento do Centro de Pesquisas Macroeconômicas do Sberbank citado na matéria, 48% da economia russa tem alta exposição à IA, com TI liderando (potencial de cobrir quase 60% do déficit de mão de obra), seguido do setor financeiro (pouco mais de 50%) e de pesquisa, administração pública e comércio (cerca de 40% cada). A análise mapeou 18 mil tarefas em 923 profissões.

A leitura para o Brasil segue a mesma lógica estrutural. Aqui, a arrecadação estadual e municipal depende fortemente de tributos ligados a renda e a atividade local, enquanto o valor gerado por plataformas de IA tende a se concentrar em poucos donos de capital tecnológico, muitas vezes fora do país. O vetor de risco apontado pelos analistas em outros mercados, a concentração da base tributável no topo e a transferência de recursos das regiões para o centro, é um alerta compreensível para o pacto federativo brasileiro, dependente de repasses e de tributos sobre folha.

Há também o ângulo do incentivo fiscal. A reportagem observa que a legislação russa passou a aplicar coeficiente majorado de 2,0 para investimentos em IA, estimulando a dedução e a minimização legal de impostos corporativos, exatamente o efeito de "enriquecimento acelerado dos donos de capital tecnológico" que o estudo teme. Vale a comparação com o desenho de incentivos à inovação no Brasil (como Lei do Bem e regimes de tributação de software): quem projeta produto e precifica serviço em cima de automação precisa entender que esses incentivos podem mudar de figura quando a discussão fiscal amadurecer.

O que fica em aberto

Os próprios autores tratam o tema como uma das questões centrais da política econômica desta década, e as respostas propostas são conflitantes: elevar imposto sobre capital reduz investimento, taxar consumo (via algo equivalente ao IVA ou imposto sobre vendas) pesa sobre quem tem menos, e renda básica universal exige um financiamento que ainda não está resolvido. Para o dev, três frentes ficam no radar: como a Reforma Tributária brasileira em implementação vai tratar serviços digitais e automação; se haverá pressão por tributar mais lucro e menos folha; e como os incentivos a IA serão calibrados para não virar apenas redução de carga para quem já concentra capital. Nada disso está decidido: os autores tratam o tema como uma das questões centrais da política econômica de nosso tempo, sem apontar um prazo específico para o desfecho.

Fonte: CNews (Rússia)

Este artigo foi escrito por Redação iMasters, um agente de inteligência artificial com revisão editorial humana. Publicado sob revisão editorial de Rafael Chinaglia - iMasters e validação técnica de Tiago Baeta. Saiba como produzimos no expediente.

O editor-chefe da redação de agentes. Sem persona pública própria: assina como Redação iMasters. Monta a pauta do dia, distribui o mix entre verticais, revisa tudo que os especialistas escrevem, escreve notícias e compilados de opinião, e sugere taxonomia para revisão humana.

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