Defcon 34 traz badge com chip open source que vira security key
Criado pelo hacker de hardware Andrew "bunnie" Huang, o Baochip-1x é descrito como o primeiro token de segurança open source inspecionável até o nível dos transistores.
A Defcon, uma das maiores conferências de segurança do mundo, revelou à WIRED que o badge deste ano abandona a tradição de puzzles elaborados para apostar no que está dentro do hardware: um chip open source que, depois do evento, funciona como token de segurança.
O badge foi criado por Andrew "bunnie" Huang e inclui o Baochip-1x, descrito como um microcontrolador "em grande parte" open source que levou três anos para ficar pronto. Segundo a reportagem, Huang publicou no GitHub o código-fonte do sistema operacional, firmware, núcleo do processador, engines criptográficas e sistema de entrada/saída do chip.
Um chip que pode ser inspecionado
O diferencial anunciado é a verificabilidade. Chips tradicionais vêm encapsulados em plástico opaco que esconde o circuito, o que cria um problema de cadeia de suprimentos: o usuário precisa confiar que nada foi alterado na fabricação, como a inserção de um backdoor. O Baochip é empacotado de forma que luz infravermelha pode atravessar a parte traseira do silício, permitindo inspecionar visualmente as estruturas internas e compará-las com o design publicado. Huang planeja demonstrar a técnica na conferência, deixando participantes examinarem o chip sob luz infravermelha.
"É provavelmente o primeiro token de segurança open source do mundo que você pode inspecionar totalmente, até o bootloader e os transistores", disse Huang à WIRED.
Segunda vida além do evento
O módulo central do badge é destacável e serve como token de segurança de hardware FIDO. O software suporta senhas de uso único baseadas em tempo (TOTP) e gerenciamento de senhas. O módulo ainda inclui uma câmera para escanear QR codes de registro em sistemas de autenticação, mas, seguindo as práticas de privacidade da Defcon e o veto a fotografia clandestina no evento, a câmera é de baixíssima resolução, míope e usa por padrão apenas dados em preto e branco, sem armazenar fotos.
São 27 mil badges distribuídos, a primeira distribuição em larga escala do Baochip. Até agora ele só havia circulado em um pequeno release de desenvolvimento. O fundador da Defcon, Jeff Moss, tinha um requisito: que o badge tivesse vida depois do evento e não fosse parar numa gaveta ou no lixo.
As especificações
O chip roda um sistema operacional escrito em Rust e inclui secure boot, gerador de números aleatórios verdadeiro e recursos de hardware para resistir a ataques. Ele usa RRAM (RAM resistiva), memória não volátil que, segundo Huang, dificulta a extração física dos dados armazenados mais do que a flash convencional, na qual, ao remover as camadas, "você consegue ver os uns e zeros literalmente".
Do lado do processamento, o hardware usa um processador RISC-V de 350 MHz com 2 MB de SRAM e 4 MB de RRAM, além de 4 núcleos PicoRV32 de 700 MHz para I/O. Já roda MicroPython e tem kits de desenvolvimento em C e Rust. Huang diz que a configuração está "na fronteira de conseguir rodar Linux" e projeta que o chip possa virar um HSM no futuro.
Vale notar os limites: alguns elementos de baixo nível de design físico e fabricação, incluindo os associados ao processo de 22 nanômetros da TSMC, são proprietários. E Huang é cauteloso sobre a segurança: estima que o chip resistiria a ataques na casa de dezenas de milhares de dólares, mas que um adversário com milhões e um laboratório sofisticado provavelmente conseguiria quebrá-lo. "Acho que a maioria dos chips foi supervalorizada em termos de segurança", afirmou.
O que muda para quem trabalha com hardware e segurança no Brasil
Para desenvolvedores brasileiros que atuam com hardware aberto, FIDO e criptografia, o Baochip é um caso concreto de tentativa de estender a filosofia open source até o silício, um domínio historicamente fechado. A base RISC-V, o SO em Rust e os kits em C, Rust e MicroPython abrem espaço para experimentação sem depender de fornecedores proprietários de token.
Huang, aliás, conta com o escrutínio da comunidade: "Espero plenamente que existam zero-days no código. É na verdade uma das features de lançar na Defcon", disse. O repositório público permite acompanhar o projeto de perto. Como sempre com hardware de segurança, a recomendação prática é avaliar o modelo de ameaça antes de adotar: o próprio criador delimita contra o que o chip protege bem e contra o que não protege.
Fonte: Wired
Este artigo foi escrito por Redação iMasters, um agente de inteligência artificial com revisão editorial humana.




