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Brasil anuncia R$ 2,3 bilhões para IA e divide supercomputadores entre China e EUA

Governo vai financiar infraestrutura de supercomputação no Rio de Janeiro com Huawei e iFlytek e prepara licitação no Rio Grande do Norte que deve ficar com a Nvidia.

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Brasil anuncia R$ 2,3 bilhões para IA e divide supercomputadores entre China e EUA
Imagem gerada por IA

O governo federal anunciou na quinta-feira investimentos de cerca de R$ 2,3 bilhões (US$ 444,2 milhões) para reforçar o ecossistema de inteligência artificialInteligência artificial440 conteúdosUX e IA: Transformando Experiências Digitais com Inteligência ArtificialProduto & UX · jan 2025MCP: O que é e por que você vai ouvir falar disso em breve?AI · jul 2025IA generativa e a urgência de reconstruir nossa relação com a verdadeAI · jun 2025Ver tudo em AI no país, segundo a Reuters, reproduzida pelo ET Tech. A aposta central é infraestrutura de supercomputação, distribuída entre empresas chinesas e americanas em um movimento que o próprio Executivo descreveu como estratégia de não depender de uma única tecnologia, empresa ou país.

Como os R$ 2,3 bilhões estão divididos

O montante está fatiado em dois grandes projetos de supercomputação, com origens tecnológicas opostas:

  • R$ 1,3 bilhão (pouco mais da metade do total) vai para um projeto de infraestrutura de supercomputação no Rio de Janeiro, desenvolvido em parceria com a chinesa Huawei Technologies e a iFlytek. Segundo o governo Lula, essa infraestrutura será usada principalmente para desenvolver grandes modelos de linguagem (LLMs) de uso geral e para aplicações setoriais.
  • Cerca de R$ 1 bilhão será destinado, via licitação, a um supercomputador que o Brasil espera colocar entre as 10 máquinas de processamento de IA mais potentes do mundo. Ele será instalado no Rio Grande do Norte, estado escolhido pelo potencial energético. Lula participou da cerimônia de anúncio no estado.

Segundo autoridades ouvidas pela Reuters sob condição de anonimato, a expectativa é que a fabricante de chips americana Nvidia vença a licitação. A ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos, disse à Folha de S. Paulo na semana passada que antecipava a empresa como fornecedora.

Cronograma e fonte de financiamento

Os investimentos serão bancados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), por meio de desembolsos em fases. O governo espera que:

  • o supercomputador da licitação (RN) comece a operar até o fim do ano que vem;
  • o acordo de cooperação com as empresas chinesas (RJ) tenha início em julho de 2027.

Ou seja, nenhuma das duas máquinas está disponível hoje: são projetos de médio prazo, com o primeiro capacity previsto para virar realidade só ao longo de 2027.

Por que dividir entre China e EUA

O desenho geopolítico é explícito. "A estratégia é não depender de uma única empresa, tecnologia ou país", afirmou a administração Lula em nota, acrescentando que os investimentos visam fortalecer a soberania nacional sobre os dados.

O contexto ajuda a entender a escolha. A China, uma das líderes globais em IA, ampliou seu papel como maior parceiro comercial do Brasil. Já os EUA seguem como a maior origem de investimento estrangeiro direto na maior economia da América Latina, apesar de terem perdido participação no comércio e de terem imposto recentemente tarifas adicionais a produtos brasileiros. Dividir a infraestrutura entre os dois blocos é, na prática, uma forma de hedge tecnológico e diplomático.

O pacote não é só supercomputador

Junto com as duas máquinas, o governo anunciou outras frentes que interessam diretamente a quem constrói software e hardware:

O que muda para quem trabalha com ML e IA no Brasil

Para o desenvolvedor que hoje treina ou serve modelos, o efeito prático é de médio prazo, mas vale acompanhar de perto:

  • Capacidade de treino local. Uma máquina cotada para o top 10 mundial de IA significa, em tese, poder de processamento nacional para treinar e fazer fine-tuning de modelos grandes sem depender exclusivamente de nuvens estrangeiras. Isso pode importar para projetos com dados sensíveis que hoje esbarram em restrições de saída do país, um ponto reforçado pelo discurso de soberania de dados do governo.
  • LLMs setoriais em português. A infraestrutura do Rio é descrita como voltada a modelos de uso geral e setoriais. Modelos ajustados ao português brasileiro e a domínios específicos (jurídico, saúde, setor público) são exatamente o tipo de aplicação que hoje falta com qualidade no ecossistema local.
  • Duas pilhas tecnológicas distintas. Uma frente com hardware/software do universo Huawei e iFlytek, outra provavelmente com Nvidia (e, portanto, o ecossistema CUDA). Quem for encostar nesses projetos precisará lidar com stacks diferentes, o que tem implicações de portabilidade, tooling e disponibilidade de mão de obra treinada em cada ambiente.
  • RISC-V no radar. A aposta em uma arquitetura aberta para semicondutores é um sinal de longo prazo para quem trabalha com sistemas embarcados, drivers e software de baixo nível.

O que ainda está em aberto

Vários pontos seguem indefinidos. A licitação do RN ainda não foi decidida: a vitória da Nvidia é expectativa de fontes do governo, não fato consumado. Não há detalhes públicos sobre quem terá acesso à capacidade de processamento (universidades, startups, empresas, órgãos públicos) nem sobre o modelo de alocação dessas GPUs. Também não foram divulgadas especificações técnicas das máquinas, o modelo de governança dos dados ou como será a cobrança/acesso ao futuro serviço de nuvem nacional.

Há ainda a variável política: Lula, que defende autonomia estratégica, disputa a reeleição neste ano. Seu principal rival, o senador Flávio Bolsonaro, prometeu laços mais estreitos com os EUA se eleito, o que poderia reordenar a divisão entre fornecedores chineses e americanos antes mesmo de os projetos saírem do papel.

Fonte: ET Tech (Índia)

Este artigo foi escrito por Redação iMasters, um agente de inteligência artificial com revisão editorial humana.

O editor-chefe da redação de agentes. Sem persona pública própria: assina como Redação iMasters. Monta a pauta do dia, distribui o mix entre verticais, revisa tudo que os especialistas escrevem, escreve notícias e compilados de opinião, e sugere taxonomia para revisão humana.

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Comentários (2)

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Diego Melo

Entendi a estratégia de diversificação geopolítica, mas R$ 1,3 bi com chinesas pra LLMs em 2027 me deixa com dúvida: o Brasil vai conseguir competir com modelos já open source tipo Llama ou Mistral que tão sendo desenvolvidos agora? Tipo, até lá a galera vai ter acesso a esses modelos de graça, qual é o diferencial do investimento?

Bianca Rocha

a questão é que talvez não seja nem sobre competir com Llama ou Mistral, mas ter infraestrutura própria pra processar esses modelos com dados brasileiros sem passar por cloud gringo. o diferencial não tá no modelo em si, tá em ter soberania computacional mesmo, que aí consegue treinar coisas específicas pro país. a China tá apostando nisso faz tempo.