Board da Automattic cai após tentativa frustrada de afastar Matt Mullenweg
Fundador do WordPress retomou o comando em 33 horas e removeu os conselheiros que votaram por seu afastamento. Para quem constrói sobre WordPress no Brasil, o episódio mostra o quanto o projeto depende de uma só pessoa.

O conselho da Automattic, empresa por trás do WordPress↳WordPress9 conteúdosAndroid push notifications com Quasar Framework, Firebase e integração com WordPressDev (Back & Front) · mai 2019Simplificando a acessibilidade de documentos: introduzindo a integração do ONLYOFFICE DocSpace com WordPress e DrupalDev (Back & Front) · abr 2024Como criar seu site WordPress com um único prompt de IA em minutos?Dev (Back & Front) · mar 2025Ver tudo em Dev (Back & Front) →.com e do WooCommerce, foi dissolvido depois de tentar, sem sucesso, afastar o fundador e CEO Matt Mullenweg. A informação foi confirmada por múltiplas fontes ao TechCrunch, que na semana anterior havia noticiado a votação do board para colocar Mullenweg em licença remunerada.
A sequência dos fatos é curta e reveladora. O conselho votou pelo afastamento; Mullenweg reagiu acusando os membros de conspirarem contra ele em um post no Slack interno da empresa; dias depois, comunicou aos funcionários que estava de volta ao comando. A Automattic confirmou a volta no sábado. Em nota, um porta-voz resumiu a crise com precisão cronológica quase provocativa: "Matt ficou fora por apenas 33 horas e 20 minutos, agora voltamos ao trabalho."
Quem saiu do conselho
Segundo o TechCrunch, três nomes deixaram o board, todos entre os que votaram pelo afastamento. Toni Schneider, CEO fundador da Automattic e hoje à frente da rede social aberta Bluesky, renunciou à cadeira, e chegou a remover de seu site pessoal o parágrafo que descrevia sua atuação como conselheiro e consultor especial da empresa. Sue Decker e a general Ann Dunwoody também deixaram o conselho, removidas por Mullenweg. O perfil de Decker no LinkedIn já foi atualizado para indicar que ela serviu no board de março de 2020 a setembro de 2026, embora seu nome ainda constasse na página oficial de diretoria da Automattic no momento da publicação da reportagem.
Além das saídas do conselho, o Chief Legal Officer da empresa, Andy Missan, também atualizou seu perfil no LinkedIn indicando que não faz mais parte da Automattic desde setembro de 2026. Fontes disseram ao TechCrunch que a empresa deve fazer um anúncio interno sobre o novo conselho.
A Automattic não comentou nomes específicos. Em comunicado, disse ter "grande respeito por todos os envolvidos" e afirmou seguir "animada com o que vem pela frente, com Matt no comando".
O pano de fundo: a briga com a WP Engine
O que motivou a votação do conselho ainda não está claro, mas o episódio não acontece no vácuo. A Automattic e Mullenweg estão no meio de uma disputa judicial de alto perfil com a WP Engine, empresa de hospedagem WordPress. Mullenweg acusa a WP Engine de violar a marca WordPress e de não contribuir o suficiente, em horas de engenharia ou dinheiro, para o esforço open source do projeto.
A briga escalou nos últimos meses. No começo do ano, a WP Engine alegou em documento judicial que a Automattic planejava cobrar royalties de outros concorrentes. Mais recentemente, acusou Mullenweg de supostamente destruir provas relacionadas ao caso em apps como WhatsApp, Signal e Telegram. No ano passado, Mullenweg havia desativado as contas de vários contribuidores do WordPress por suposto plano de fazer um fork do software.
Esse é o contexto que transforma uma disputa de governança corporativa em algo maior: o poder de decisão sobre um projeto que sustenta uma fatia enorme da web está concentrado em uma única figura, que controla ao mesmo tempo a empresa, a marca e a infraestrutura da comunidade.
Por que isso importa para quem constrói no Brasil
O WordPress move uma parcela expressiva dos sites do mundo, e no Brasil não é diferente: agências, e-commerces sobre WooCommerce, veículos de mídia, portais institucionais e um sem-número de pequenos negócios rodam sobre o CMS. Para founders e líderes técnicos que apostaram parte do negócio nesse ecossistema, a instabilidade no topo da Automattic não é fofoca corporativa distante, é risco de plataforma.
Alguns pontos concretos merecem atenção de quem toma decisão:
- Concentração de poder. O episódio deixa explícito que o rumo do WordPress e do WooCommerce depende, na prática, de uma pessoa. Um conselho que tentou impor um freio foi dissolvido em pouco mais de um dia. Para quem planeja produto de longo prazo sobre a plataforma, isso é um dado de governança, não um detalhe.
- A questão da marca e do fork. A disputa com a WP Engine gira em torno de quem pode usar o nome WordPress e de quem controla o acesso ao ecossistema de plugins e contribuições. A desativação de contas de contribuidores no ano passado mostrou que o acesso à comunidade pode ser cortado unilateralmente. Times que dependem de plugins e do repositório oficial precisam mapear esse risco.
- O software segue open source. Vale separar as camadas: o WordPress em si continua sendo software livre, e a maior parte dos sites brasileiros que roda em hospedagem própria não sente efeito imediato de uma troca de conselho. O impacto se dá no rumo estratégico do projeto, nas regras da comunidade e nos serviços gerenciados da própria Automattic.
O que fica em aberto
Várias perguntas seguem sem resposta pública. Não se sabe o que exatamente levou o conselho a votar pelo afastamento, nem qual será a composição do novo board que a empresa prometeu anunciar internamente. Também não está claro como a saída do Chief Legal Officer se relaciona com a disputa judicial em andamento com a WP Engine, um processo que segue vivo e cujo desfecho pode redefinir as regras de uso da marca e de participação no ecossistema.
Para quem lidera negócios sobre WordPress no Brasil, a leitura prática é de vigilância, não de pânico. O caminho sensato passa por acompanhar de perto as próximas decisões de governança da Automattic, entender a exposição real do seu projeto a serviços gerenciados versus código aberto autohospedado, e ter clareza sobre planos de contingência caso o clima na comunidade se deteriore. Um ecossistema que move tanta coisa não deveria surpreender seus construtores com uma crise resolvida em pouco mais de um dia de bastidores.
Fonte: TechCrunch
Este artigo foi escrito por Redação iMasters. Conteúdo produzido por agente de IA da redação iMasters, sob revisão editorial humana. Saiba como produzimos no expediente.










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