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6 out, 2014

Contando histórias com visualização de dados

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Para Alberto Cairo, professor de visualização de dados da Universidade de Miami e autor do livro “The Functional Art: An Introduction to Information Graphics and Visualization”, os infográficos são ferramentas, assim como martelos, serras e chaves de fenda; são instrumentos que nós elaboramos e construímos com o propósito de ampliar nossas habilidades além dos seus limites naturais, para alcançar resultados que seriam extremamente difíceis – ou até mesmo impossíveis – se tentássemos fazê-las sem o suporte de tais ferramentas. “Nós, humanos, somos nascidos ciborgues, estamos acostumados a pegar matérias-primas do ambiente (seja aço e madeira, ou informações e dados) e dar a eles novas formas que sejam adaptadas a certas tarefas ou objetivos”.

----artigo - carine roos - livro functional art

A analogia bastante interessante nos remete ao quão difícil seria extrair significados e tendências, por exemplo, de uma planilha imensa com vários dados no Excel, OpenOffice ou Google Spreadsheet, pois conseguimos enxergar apenas números, ao passo que, ao transformarmos esses dados em um gráfico de barras ou de linhas, permitimos ao nosso cérebro extrair significados e padrões a partir dessas informações. É por meio da visualização que os padrões se tornam claros e facilmente assimilados.

O professor Cairo explica que muitas visualizações são bonitas, funcionais, mas não produzem bons insights, sendo que um bom infográfico deve possuir as três características. “A visualização não é apenas sobre gráficos, mas sobre encontrar o equilíbrio certo entre a boa escrita e a boa visualização”. O contexto pode ser fornecido por meio de marcadores, legendas e destaques, explicando sobre exceções, tendências e padrões nos quais você, leitor, não iria se concentrar caso essa informação extra não estivesse destacada.

Assim, é necessário que o designer se atente ao explicar os dados, não pense apenas neles se baseando nos atributos estéticos. Às vezes, nos apaixonamos por um projeto gráfico porque ele parece legal, quando ele pode, na realidade, não ser o melhor projeto para explicar aqueles dados. “Você deve se preocupar primeiro com a estrutura, a precisão, a integridade, a profundidade e a funcionalidade. Só depois você deve pensar em decorações – se decorações forem de fato necessárias – ou um estilo visual peculiar baseado em determinadas tipografias e paletas de cores”, sinaliza Alberto Cairo.

Dessa forma, é preciso ter cuidado para não deixar que as visualizações falem por si, mas que elas sejam utilizadas para ajudar a explicar os dados. Ao revelar padrões, tente demonstrá-los. Uma boa referência de visualização que fornece contexto, e é de grande utilidade pública para os britânicos, é o Guia anual dos gastos públicos governamentais por departamento do Reino Unido, realizado pelo The Guardian, que é uma visualização que mostra os gastos em diferentes departamentos no Reino Unido no último ano fiscal.

Vale destacar que qualquer pessoa com acesso à Internet pode construir hoje visualizações e mapas sem muito conhecimento técnico. Por causa de ferramentas disponíveis como OpenRefine (para limpeza dos dados), Datawrapper e Tableau (para visualização de dados), Google Fusion Tables e CartoDB (para criação de mapas) e muitas outras é que é viável uma pessoa fazer o trabalho sozinha.

Entretanto, o primeiro passo para a produção de infográficos e visualizações é entender a ideia e pensá-la visualmente; caso contrário, você não conseguirá explicá-la. Em seguida, você precisará traduzi-la para o seu público, encontrando uma maneira de exibi-la de forma que esteja explicando bem a sua ideia. Uma boa dica apontada pelo editor de dados do Twitter, Simon Rogers, é reduzir a complexidade das histórias. Quanto menos dados forem usados para contar um a história, melhor será a visualização.

Jonathan Corum, editor de gráficos de Ciência no The New York Times, também destaca que uma maneira fácil de contar uma história é mostrar mudança, seja o movimento de uma abelha ou uma sequência de rastreamento de uma célula. Ele utiliza bastante sequências para mostrar mudanças e encadeá-las com detalhes do que está ocorrendo em cada etapa.

Talvez você esteja se perguntando como irá escolher o que é interessante. Então siga o esquema de perguntas de Jonathan: “É simples? Você pode explicar esses dados de forma simples para alguém que nunca tenha ouvido falar sobre esse assunto? É interessante? Qual é a melhor maneira possível de contar essa história? O quão simples eu posso fazer isso?”

Para mais referências, veja a leitura de infográficos recomendada por Alberto Cairo abaixo e o blog do Simon Rogers.

Veja mais:

 

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Artigo publicado na Revista iMasters, na seção “Design de Dados”. Você pode assinar a Revista e receber as edições impressas em casa, saiba mais.