Com o boom de ferramentas como Facebook, Orkut e Twitter
entre os internautas brasileiros, a vida pessoal torna-se ainda mais
exposta em toda a rede. Isso pode trazer benefícios, caso as informações
sejam bem gerenciadas, mas também tem o potencial de gerar graves
conseqüências, até mesmo no ambiente profissional. Alguns casos ganharam
notoriedade pela falta de cuidados de profissionais ao emitir opiniões
sobre as companhias em que trabalhavam. Um exemplo disso é o caso do
diretor comercial de uma empresa que foi demitido ao escrever no
microblog ofensas aos torcedores de um time de futebol patrocinado pela
organização.
Nesses casos, é preciso ter mente que as
informações disponibilizadas na internet estão em um espaço público, que
pode ser acessado por qualquer pessoa, inclusive pelo seu chefe. De
acordo com uma pesquisa da consultoria Manpower, que contou com a
participação de quase mil empregadores, 55% das empresas brasileiras
controlam o uso das mídias sociais. Dentre elas, 32% dizem que o motivo é
proteger informações confidenciais e 19% que é preciso proteger a
reputação.
Tudo isso trouxe à tona o questionamento sobre a
relação existente entre as esferas pública e privada da vida de um
cidadão. Acredito que uma empresa não pode dispensar um funcionário
apenas pelo fato de discordar de alguma de suas ações. Porém, desabafos
em ambientes virtuais que digam respeito à companhia onde trabalha ou
aos seus parceiros, denegrindo a imagem de ambos, podem gerar demissão
por justa causa. Isso, inclusive, está de acordo com a lei brasileira,
desde que o colaborador tenha infringido regras apresentadas
anteriormente ou que a empresa comprove que determinada atitude tenha
sido prejudicial.
Veja, a discussão aqui não deve ser sobre o
que é certo ou errado quanto ao monitoramento realizado por parte das
empresas. O fato é que mesmo sem a intenção da companhia de controlar o
conteúdo, as informações geradas na internet são disseminadas e podem
chegar aos ouvidos de um profissional que tenha o poder de decidir sobre
sua permanência ou não no cargo que ocupa. Por isso, vale a pena pensar
em maneiras de evitar situações prejudiciais, tanto para as empresas
quanto para os profissionais.
Abaixo listo alguns cuidados básicos que podem ser tomados.
Para os profissionais
- Avalie o peso da sua opinião e possíveis conseqüências que podem
ser geradas, principalmente se ocupa um cargo gerencial ou de
confiança; - Tenha em mente que o mundo inteiro pode ter acesso ao que escreve e que sua imagem está em jogo;
- Cuidado com a divulgação de questões internas da empresa, mesmo que
pareçam simples ao seu julgamento. Muitas vezes, estamos tão imersos em
uma realidade que não nos damos conta de como um pequeno detalhe pode
revelar muitas coisas; - Evite falar mal de concorrentes, pois essa é uma prática considerada antiética;
- Tenha uma conversa com seus superiores sobre o que pode ou não ser
divulgado na internet. Nada melhor do que ter o aval da companhia para
evitar possíveis problemas por falta de alinhamento.
Para os gestores de empresas ou líderes
- Reconheça que a presença das mídias sociais na rotina da maioria
dos funcionários é uma realidade. Portanto, busque elaborar um código
de conduta explicativo quanto às informações que podem ser ou não
divulgadas; - Oriente a equipe quanto aos cuidados que devem tomar, pois os
colaboradores devem entender que carregam consigo a imagem corporativa; - Esteja sempre aberto para dúvidas relacionadas a esse tema e não
trate o assunto como algo que não pode ser discutido dentro da empresa.







