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Qual a distância entre a boa ideia e a ideia executável?

Acredito que todos nós já passamos por reuniões das quais participam diversas equipes para jogar idéias a respeito de um cliente ou de um brief específico, algo que no jargão da publicidade chamamos de “brainstorm”. Entendemos também que nessa reunião pode-se tudo para o cliente, até mesmo pensar em um foguete indo para Marte com a marca dele exposta na lataria e sendo transmitido ao vivo pelo YouTube.

Mas, como sabemos, essa á uma ideia que poderia comprometer de 5 a 6 anos de verba de marketing de muitos clientes, por isso ela (ainda) não foi executada, mas quem sabe um dia…

Entre essa ideia mirabolante e uma que pode ser uma simples promoção no Twitter existe uma grande diferença entre vários aspectos, inclusive o financeiro. E como todos os clientes – e com razão – pensam no ROI (Retorno sobre investimento), o melhor é focar na ação que vai trazer o melhor ROI a ele, e normalmente a equação é “simples”: menor gastos X maiores retornos.

A idéia mirabolante não deve ser descartada, pois há sempre um ponto relevante a ser considerado, mesmo que esse ponto seja a ousadia, a inovação e a coragem para propô-la para o cliente.

Ser ousado, criativo e diferente é o que o mercado pede hoje. Para fazer mais do mesmo é melhor nem fazer! Uma pena que nem todos os clientes têm “peito” para isso, muitos ainda pedem inovação e acabam fazendo o comercial de 30 segundos na Rede Globo.

Nesse momento é que nós, profissionais de planejamento estratégico digital, temos que fazer a diferença no processo; devemos ter o cuidado de analisar com calma as ideias criativas – mesmo aquelas que nós mesmos demos – e avaliar o que é mais relevante, tanto para a marca como para os clientes.

Avaliadas as ideias mais relevantes, é preciso lembrar que as pesquisas são importantes e devem ser levadas em consideração nesse processo, praticamente avaliando a ideia com uma mão e a pesquisa (ou o resumo e os apontamentos que você fez) na outra.

Tendo em mãos as ideias mais relevantes, o próximo passo é ver qual delas mais se adéqua ao momento do cliente e do mercado – uma ideia de futebol, por exemplo, pode ser mais impactante na final do campeonato do que no começo, quando a torcida ainda está se acostumando com o seu time.

Feitas essas duas análises, o próximo passo é ver qual das ideias em mãos mais se encaixa na verba do cliente e a com maior potencial de retorno para ele, já que, como dito neste artigo, para o cliente a melhor fórmula de retorno é gastar menos para vender mais.

Percebe-se que esse é um processo de afunilamento, muito comum nos processos de planejamento estratégico digital; em meu livro (Planejamento estratégico digital) eu abordo esse tema, de como nós pegamos uma enorme quantidade de dados, as transformamos em informação e, daí, para dados relevantes. Esse processo de afunilamento é muito usado em vários processos de planejamento.

Todo esse processo demonstrado neste artigo é feito para responder o seu título, no qual quis passar aqui a minha visão de qual é a distancia entre uma boa, excelente, maravilhosa, inovadora e empolgante ideia e uma ideia executável, aquela que o cliente realmente fará por uma série de motivos.

Espero que continuemos criativos como sempre, afinal, o povo brasileiro é conhecido mundialmente por ser muito criativo, e nossa publicidade – sempre muito premiada em todos os festivais – não poderia ter um caminho diferente, mas vale lembrar aqui que se nosso povo é criativo e nossos publicitários também, por que nem todos nossos clientes entram nessa onda?

é autor do livro Planejamento Estratégico Digital e especialista nesta área. Mantém o Blog do Planejamento e, no Twitter, é @plannerfelipe.

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