É inegável o impacto que a Internet vem exercendo atualmente sobre as mídias e seu crescente poder quando se trata da interação com (e dos) consumidores. Nesse sentido, entender como isso ocorre e, principalmente, como agem esses ditos novos consumidores, nos ajuda a compreender o que o CEO da Ogilvy One WorldWide, Brian Fetherstonhaugh, quer dizer com “acordar para novas possibilidades”.
Estamos diante de pequenas grandes evoluções – ou revoluções – na forma de nos comportamos frente às novas tecnologias de que nos vemos cercados atualmente.
Plataformas como fóruns, flogs, blogs, video-logs e wikis têm nos dado a possibilidade de expressar nossa opinião e tornam-se cada vez mais importantes ferramentas de interação e formação de opinião, já que o desenvolvimento das tecnologias de comunicação tem nos proporcionado novas formas de nos relacionarmos com a informação.
Tecnologias como Bluetooth, Wi-fi, GPRS e EDGE já nos mantêm conectados a maior parte do nosso dia – ou o tempo que nossos gadgets ficam ligados – e, nos países mais desenvolvidos, isso acontece em praticamente todos os lugares em que estivermos.
Nesse cenário, a internet passa de coadjuvante à atriz principal. Estamos transformando tudo para o formato digital e inserindo esse conteúdo na grande rede. Publicamos vídeos, escrevemos nossas opiniões em nossos blogs, publicamos fotos, comentamos sobre produtos, enfim, coisas que normalmente eram realizadas off-line, agora são disponibilizadas online.
Mobilidade e novidades
Diante de tantas possibilidades, não nos satisfazemos mais em ter acesso a tudo isso apenas em um lugar fixo. Nossos pcs, estáticos e grandes, que antes ficavam restritos às nossas casas, agora estão “andando” por aí na forma de notebooks dentro de mochilas. Já não precisamos mais daqueles cabos azuis que nos ligavam ao mundo (leia-se, Internet). Agora basta inserirmos um mini-modem e utilizar a rede celular para trafegar nossos dados.
Queremos cada vez mais mobilidade e nada mais móvel que nosso celular. Em seus primórdios, eles eram construídos com um único intuito: falar. Esse ato, ironicamente, hoje em dia é apenas mais uma das funções, às vezes nem tão importante, desses aparelhos. Suas utilidades principais passaram a ser de player MP3, máquina fotográfica, agenda de contatos, rádio, leitor de textos, acesso a internet, entre outras. O mais interessante nessa tecnologia é que através dos celulares já podemos realizar praticamente tudo o que fazíamos em nossos pcs.
E a gama de inovações tecnológicas que está prestes a surgir é enorme. Em relação ao celular, o Brasil está perto de receber um serviço de leitura de código de barras através do aparelho com o auxílio da máquina fotográfica: o consumidor tira uma foto do código, que vai direto para um site mobile e efetua a transação. Outra tecnologia permite o pagamento de contas através do celular por meio de cadastro de contas bancárias e cartão de crédito num provedor. Os serviços wireless, como Bluetooth e Wi-fi poderão potencializar ainda mais a propaganda, possibilitando, por exemplo, o envio de cupons de desconto através de um forno microondas. Não se pode esquecer da TV Digital, que através de tecnologias como o PVR (Personal Video Recorder), dotará o consumidor da capacidade de personalizar a sua programação. Isso mostra um quadro praticamente irreversível: em alguns anos, a grande maioria das mídias será digital.
Atenção ao consumidor
É claro que as mudanças tecnológicas influenciam, e tendem a influenciar cada vez mais, o comportamento das pessoas e, conseqüentemente, afetam o setor de comunicação. Entender as necessidades dos consumidores, na verdade entender os próprios consumidores, nesse novo cenário é uma forma importante de buscar novas alternativas de relacionamento com eles. Em relação à propaganda, essa é a maneira de sobreviver em um mercado cada vez mais competitivo e interativo.
Para Fetherstonhaugh, essas necessidades podem ser traduzidas para “os consumidores estão no controle”. Um conjunto de fatores indica essa conclusão – a mobilidade criou uma nova zona de interação e consumo: o tempo gasto em navegação na internet tem aumentado, o desenvolvimento da TV digital traz novas formas de interação e o surgimento do mobile marketing cria novas formas de comunicação com o consumidor.
Com essas novas possibilidades, os consumidores deixam de ser passivos no processo de comunicação e suas escolhas e hábitos são preponderantes para o sucesso desse relacionamento. Nessa relação de estímulo e resposta, quanto mais eficaz e relevante for a ação publicitária, melhor o resultado.
A influência da Internet
Nesse processo, a Internet é essencialmente importante. Seus nós não são mais formados por máquinas, e sim por pessoas. Atrás de cada computador conectado está um usuário que tem utilizado mais a internet do que a TV; que tem abandonado velhos meios de informação como o jornal, por exemplo; que tem comprado cada vez no meio digital.
Cada usuário tem suas características, e a possibilidade de segmentação criada pela Internet é ferramenta importante para compor o mix de formatos de mídia que estão sendo usados a fim de atingir esse público e, para isso, novos formatos de publicidade se fazem necessários para que passem a trabalhar mais com o conceito de engajamento.
Para o CEO da Ogilvy One WorldWide, esse novo desafio do setor de comunicação ocorre de diferentes formas e proporções em cada lugar, porém acredita que o Estados Unidos são fortes quando se trata de Search Marketing, a Ásia quando falamos da área de Mobile e o Brasil em comunidades sociais.
Há, ainda, muitas coisas a serem discutidas, pensadas e trabalhadas em relação aos processos comunicativos, afinal, diante de tantas perspectivas em relação às inovações tecnológicas, não dá para prever o que, de fato, irá acontecer. Porém uma situação se destaca das demais: nós, os consumidores, estamos saindo cada vez mais das coxias para assumir o centro do palco.







