Nunca se discutiu tanto sobre a inclusão digital. Muito se fala que ela será efetiva apenas se em cada domicílio brasileiro existir um computador. Iniciativas para isso não faltam, vide as diversas ações para a comercialização de computadores de baixo custo, entre eles o One Lap Top Per Child (OLPC) e o programa “Computador para Todos”, que utiliza de incentivos fiscais para fomentar a comercialização de computadores portáteis que custem até R$ 1.800,00 reais.
Entretanto, iniciativas como estas somente dão ao brasileiro o instrumento para a inclusão, deixando a seu cargo a tarefa de aprender a utilizar esses aparelhos e, mais complicado do que isso, tornar essa ferramenta um suporte para a verdadeira inclusão digital.
É preciso que haja uma união das iniciativas privadas e governamentais para tornar mais fácil e democrático o acesso às tecnologias de informação e a capacitação humana para usufruir das potencialidades dessa inclusão.
Nesse contexto, tanto a utilização do computador quanto a capacitação se fazem necessários e são importantes ferramentas para a inclusão digital. Contudo, sua utilização não pode ser isolada e devemos também estar atentos às demais Tecnologias de Informação que podem ser muito úteis nesse processo.
Dentre outras, o celular se tornou um dos mais importantes instrumentos para a inclusão digital. Se pensarmos em números, no Brasil, a quantidade de celulares habilitados já ultrapassou mais da metade da nossa população e isso significa quase o dobro de computadores em uso.
Não obstante, o acesso ao celular pelas camadas menos favorecidas da população é facilitado pelos baixos valores que são cobrados atualmente pelos aparelhos e suas contas, e pela abrangente cobertura das redes celulares, o que torna a capilaridade do celular uma importante questão a ser considerada quando falamos sobre a utilização de novas TI para a inclusão digital.
Além disso, a facilidade no manuseio e mobilidade exigiu que novas tecnologias fossem agregadas ao aparelho. Hoje é possível realizar diversas atividades com esses aparelhos, tais como fotografar, filmar, trocar mensagens de texto, realizar ligações, utilizar jogos, realizar cálculo, enviar e-mails, navegar na internet, entre outras.
Dentre essas funcionalidades, a que mais se destaca quando falamos sobre inclusão digital é o acesso à internet. É através dela que, cada vez mais pessoas, têm acesso a textos, vídeos e informações que estão disponíveis na grande rede.
Esse novo recurso vem se fortalecendo com a evolução das tecnologias de informação, devido principalmente ao aumento da capacidade e velocidade do tráfego de dados utilizando dispositivos móveis como o celular. Com isso há o barateamento dos custos para utilização das redes de dados das operadoras, o que permite cada vez mais a ampliação destes serviços.
Com o barateamento dos custos de transmissão de dados pela rede celular, a parceria celular/computador se fortalecerá ainda mais a partir do momento que, através desse aparelho, for possível navegar em alta velocidade na internet, utilizando o computador doméstico.
Através de um único aparelho, estaremos constantemente conectados à grande rede, palco principal da inclusão digital. Assim, se em épocas não tão distantes, o aparelho telefone convencional era o responsável por interligar e “conectar” as pessoas em diferentes locais, hoje o celular atinge um patamar onde, além de manter essa característica da comunicação, permite que seus usuários interajam de diversas formas, sejam elas orais, visuais e agora, hipertextuais.
Agregando tudo isso, temos em mãos uma ferramenta que tem despontado como um dos principais vetores no que diz respeito ao acesso a novas tecnologias e informações, papel fundamental para iniciar a inclusão digital nas camadas menos favorecidas da sociedade, visto que a sua facilidade de uso e adaptação, facilitam a familiarização com novas tecnologias, incorporando-as à realidade de quem os usa.
Diante disso tudo, é inegável que o celular seja a ferramenta mais importante para a inclusão digital, mas como qualquer outra tecnologia, sua adoção não pode ser isolada e deve vir acompanhada de ações que favoreçam a sua incorporação ao cotidiano de quem a usa.







