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Marketing político 2.0 – Parte 02

Na primeira parte desse artigo, vimos que, na corrida presidencial para este ano, José Serra leva certa vantagem com relação a Dilma nas Redes Sociais. Twitter e Facebook são as ferramentas onde Serra possui larga vantagem, ao passo que Dilma ganha no Orkut. Se pararmos para analisar que o Orkut é uma ferramenta com larga penetração nas classes CDE, e Twitter e Facebook nas classes AB, e cruzarmos esse dado com o perfil dos partidos (PSDB para Serra e PT para Dilma) podemos entender os motivos, já que o PT sempre foi visto como um partido voltado à classe mais baixa e o PSDB, às classes mais altas.

Ao menos nas redes, os candidatos – ou seus assessores – estão trabalhando arduamente. Por exemplo, no Twitter, Serra tem postado muito durante o dia e não fazendo campanhas, Serra tem conversado com seus seguidores de forma pessoal, um a um, o que eu acredito ser o certo. Claro que ele não conseguirá falar com cada um dos 245 mil seguidores, mesmo porque nem todos mandam mensagens ao candidato, mas ele tem se empenhado no “corpo-a-corpo” pela web. Ao meu ver, está indo bem. No Facebook, o candidato tem se empenhado em compartilhar entrevistas, notícias e artigos, abrindo espaço para comentários.

Dilma já vai por um outro lado. Em seu Twitter, por exemplo, a candidata comete um clássico erro de muitas marcas, ao acreditar que a ferramenta serve única e exclusivamente para se autopromover, e não para se relacionar. Em uma rápida olhada em seu perfil, pode-se ver frases como “amanhã vou para SP participar de um evento” ou “Excelente entrevista que concedi na revista…”. No Facebook, ela também compartilha notícias, mas 100% delas (ao menos na minha análise para escrever esse artigo) são sobre o que o PT e Lula estão fazendo.

Bom, esse deve ser um dos fatores pelos quais Serra tem larga vantagem sobre Dilma. O que vemos aqui são duas formas de se trabalhar na web, ao meu ver, um de forma correta e outra nem tão certa assim. Serra usa as ferramentas como forma de se RELACIONAR na web, ao passo que Dilma usa como VENDAS.

Segundo Maslow, em sua clássica pirâmide da teoria da hierarquia das necessidades humanas (que é um bom pilar para entendermos o sucesso das redes sociais), podemos ver que uma grande necessidade humana é de se relacionar. 

É esse relacionamento que as pessoas buscam nas Redes Sociais. E um relacionamento duradouro gera vendas, é o que eu sempre digo em minhas palestras, “quando você ama, você não trai”, ou seja, quando você está totalmente envolvido com uma marca, você não só a consome como também a defende.

No caso do marketing político, é isso que o candidato deve buscar: não apenas eleitores, mas defensores e influenciadores que consigam alcançar suas redes de contato para votar nele. Esse é o poder das Redes Sociais: quando uma pessoa consegue influenciar 20% da sua rede, que influencia mais 20% da sua rede e por aí vai, em uma projeção incontrolável, que pode ser benéfica ou não – portanto, vale lembrar o cuidado necessário para transformar toda interação em positiva.

Não acredito que nesse momento a vantagem nas Redes Sociais esteja influenciando os resultados nas pesquisas de opinião do Ibope, VoxPopuli ou DataFolha. Mas, como vimos no case Obama em 2008, a Internet foi papel fundamental para sua vitória, então nos resta esperar para ver se algum dos candidatos será protagonista de um case no Brasil similar ao americano.

é autor do livro Planejamento Estratégico Digital e especialista nesta área. Mantém o Blog do Planejamento e, no Twitter, é @plannerfelipe.

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