O Mundial de Futebol, vulgo a Copa de 2014, vai ser no Brasil.
Assim como as Olimpíadas de 2016 também. Mas como somos brasileiros,
nos acostumamos a não planejar e deixar as coisas para a última hora. E, como
ainda este ano temos eleições presidenciais e uma outra Copa do Mundo de Futebol, parece que temos todo
tempo do mundo para pensar nisso.
São várias questões a resolver, e não enfrentá-las é perder a grande
oportunidade que o Brasil tem de criar um novo setor de turismo, o que
não só é aconselhável, como se ornou uma questão de vida ou morte.
A primeira é a questão de infra-estrutura, que no Brasil está abaixo
da crítica, e que tem que melhorar pela mão do Governo e das parcerias
privadas. O que o setor de turismo pode fazer é se mobilizar para
identificar as prioridades e exercer pressão para que aconteça.
A segunda diz respeito ao planejamento estratégico do país em relação
ao turismo, que não existe ou é muito mal feito. Aí só juntando a
iniciativa privada com o ministério em uma espécie de comitê de crise,
para tirar-nos do atraso e do buraco em que estamos em termos de
planejamento estratégico de marketing de turismo.
A terceira questão, aí mais ligada às empresas, aos negócios de
turismo, e ao marketing digital, e é sobre ela que quero falar neste
artigo. Já disse, em várias palestras de marketing digital, que tive a
oportunidade de proferir, em congressos e encontros do setor de turismo e
eventos, que o setor de turismo e eventos caminha para o mesmo buraco
que o setor fonográfico entrou na década passada, e que o setor
editorial está entrando com a expansão do Kindle, do iPad e dos e-books
comerciais.
A Internet é exímia em dizimar setores atrasados e cheio de
intermediários, que relutam em acreditar na sua força e mantêm, por
tempo demais, o seu modelo de negócios ultrapassado. Quando você houve
algum executivo de um setor qualquer dizer: “a Internet está mudando
nosso setor, mas isso ainda vai demorar muito”, pronto!, dois ou três anos
depois o setor está falido, reclamando de como o mercado mudou
rápido e culpando algum site por concorrência desleal.
A ind´sstria fonográfica chegou a fechar o Napster, que tinha criado
um novo modelo de distribuição de músicas, fez boicote ao MP3 e ao iPod,
e riu das bandas novas que decidiram lançar suas músicas sem selo.
Cheguei a ouvir de um executivo de uma gravadora que “esse negócio de
Internet e MySpace é só pra bandinha pequena”. Bem, a história conta que
eles estavam errados e que perderam tempo com ações protecionistas e
reacionárias, enquanto poderiam estar mudando o próprio modelo de
negócios.
Com o setor editorial está ocorrendo o mesmo. Como escritor do livro
“A Bíblia do Marketing Digital“, converso constantemente com editores e
agentes e percebo que eles acham que o e-book “ainda demora para pegar”.
Na França já há até um quixotesco boicote contra a Amazon e o Kindle.
Romântico e inútil. Os editores deveriam estar lendo e pensando sobre
seus negócios para os próximos dois anos, pois é o máximo que terão. O
livro vai acabar? NÃO. Como a música, os álbuns e as bandas não
acabaram. O modelo de negócios é que está mudando, e quem permanecer no
atual vai perecer.
E o setor de turismo? Bem, ele já era. Ao contrário do que aconteceu
com o setor fonográfico e editorial, onde uma tecnologia – o CD ou o livro
impresso – sustentou o modelo por mais tempo de que devia, no caso do
setor de turismo não há esta tecnologia. Não há mais bilhete aéreo, não
há mais voucher, não há mais dificuldade alguma de se obter informações
sobre um local no planeta e instantaneamente saber de hotéis,
restaurantes, passeios, museus e belezas naturais. Tudo, absolutamente TUDO pode ser pesquisado, selecionado, programado, reservado e pago
através da Internet.
E aí você me pergunta: então pra que servem as operadoras e agências
de turismo? Para nada. Para atender a uma pequena parcela da população,
cada vez menor, que ainda tem dificuldade de acesso ou uso da Internet.
Então a agência de turismo e as operadoras vão desaparecer? NÃO. Não
se elas se reinventarem e procurarem se posicionar como agregadores de
valor no processo de turismo, procurando entender melhor o que está
acontecendo, como o seu público-alvo quer fazer turismo, e atendendo às
suas necessidades, pelo mesmo canal que pode tirá-las dos negócios: a
Internet.
O veneno e o remédio são os mesmos: a Internet. Se as agências e as operadoras de
turismo se mantiverem apáticas, elas vão ficar só com o
veneno e desaparecer. Mas se elas se mobilizarem e criarem um
planejamento de marketing digital, entrando nas mídias sociais, no
marketing de conteúdo e no marketing viral, elas podem se reinventar e
encontrar um novo modelo de negócios.
Hoje o turismo é um dos setores da economia que está mais atrasado
em relação à Internet. E, seguramente, ele é a bola da vez: depois da morte do
setor fonográfico e do início do fim do setor editorial, o próximo
será o de turismo, onde os consumidores não entendem mais para quê ir a uma
agência de turismo. As agências, operadoras e todo o setor têm que se
reinventar, e 2014 é uma boa oportunidade.
Portanto, deixo minha contribuição com alguns conselhos práticos para
que o setor de turismo possa reencontrar o caminho da prosperidade, em
2014 e 2016:
- Esqueçam propaganda nas mídias convencionais. É cara e ineficiente
em termos do consumidor de turismo. - Invistam tudo em marketing digital. Com um planejamento de marketing
digital bem elaborado, pode-se posicionar o setor e atingir o consumidor
onde ele realmente está hoje: na Internet. - Criem um programa de treinamento das agências de turismo e empresas
ligadas ao setor para que elas entrem, imediatamente, no marketing
digital. - Repensem a cadeia produtiva do turismo, definindo os papeis de cada
um, levando em consideração que, neste século, só sobrevive quem realmente
agrega valor. - Incentivem as prefeituras dos locais de maior potencial a terem um
programa de marketing digital com conteúdo, mídias sociais e viral. É
assim que o turista encontra seus destinos. - Revitalizem os hotéis. Todos têm que ter sites, conteúdo sobre o
local e interação com os turistas. Eles podem ser catalisadores do
processo. - Ajam agora, porque amanhã será tarde.







