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NeoMME: encoder multimodal open-source indexa página como imagem e cabe em 6 KB

Modelo da H Company com 260M e 800M de parâmetros faz retrieval visual de documentos com throughput 2x maior e índice 255x menor, tudo sob licença Apache 2.0 e já no Transformers.

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NeoMME: encoder multimodal open-source indexa página como imagem e cabe em 6 KB
Imagem gerada por IA

A H Company publicou no blog da Hugging Face o NeoMME, uma família de encoders multimodais e multilíngues em dois tamanhos: 260M e 800M de parâmetros. O ângulo interessante para quem constrói RAGRAG6 conteúdosTécnica RAG com a biblioteca Langchain: tutorial para aplicar agoraData · jun 2024Como avaliar LLMs, RAG e Agentes de IA: Teoria e prática.AI · abr 2026RAG Não É Memória: O Problema Real dos Agentes de IAAI · mai 2026Ver tudo em AI não é só o tamanho compacto, mas a decisão de arquitetura por trás: em vez de colar um encoder de visão pré-treinado a um modelo de linguagem causal, o NeoMME usa um único Transformer bidirecional que processa tokens de texto e patches de imagem no mesmo caminho computacional. Tudo treinado do zero, com pesos liberados sob Apache 2.0 e implementação no transformers disponível desde o dia do lançamento.

Para o dev brasileiro que quer IA multimodal em produção sem depender de API paga por token, isso é relevante por um motivo prático: o retrieval visual de documentos (a etapa cara de indexar PDFs) passa a rodar local, num modelo pequeno o bastante para caber numa GPU modesta.

O que muda na arquitetura

A maioria dos retrievers visuais recentes (ColPali, ColQwen, ColSmol) nasce da adaptação de VLMs generativos. Isso significa carregar três coisas: uma torre de visão pré-treinada (tipo SigLIP2), um projetor que mapeia features visuais para o espaço da linguagem, e um decoder causal. O problema, apontado pelos autores, é que tarefas de retrieval, classificação e labeling não geram texto autoregressivamente — então todo o overhead de parâmetro e compute do decoder causal é peso morto.

O NeoMME corta isso. Imagens viram uma grade de patches 32×32 projetados por um MLP pequeno; texto usa embeddings fatorizados; ambos entram no mesmo encoder bidirecional. Alguns detalhes técnicos que valem nota:

  • Resolução dinâmica: a imagem mantém aspect ratio e tamanho, gastando mais tokens numa página densa e menos numa imagem simples.
  • Contexto de 16.384 tokens, suficiente para até duas imagens 4K UHD, com atenção em janela deslizante na maioria das camadas e atenção global a cada sexta camada.
  • Stack moderno: grouped-query attention, query-key normalization, gated attention, rotary embeddings 2D e MLPs squared-ReLU.
  • Tokenizer BPE de 131k tokens treinado do zero em texto multilíngue, código, matemática e transcrições de imagem.

O pré-treino é o ponto menos convencional: em vez do masked language modeling clássico, usa um objetivo de difusão discreta mascarada. Para exemplos multimodais, a taxa de corrupção do texto fica entre 0.3 e 1, com os patches da imagem sempre visíveis. A ideia é forçar o modelo a descrever a partir da imagem: com pouco mascaramento, ele pode chutar "cat" em "The [MASK] sat on the mat" só pelo contexto textual; com mascaramento pesado, não tem escapatória a não ser olhar a imagem. Cada modelo processou cerca de 524 bilhões de tokens, orçamento pequeno perto dos 2 trilhões do ModernBERT, o que motivou o uso do otimizador NorMuon para ganhar eficiência de dados.

O NeoMME-Retriever e as duas cabeças

A versão útil no dia a dia é o NeoMME-Retriever, fine-tunado para retrieval de documentos pela abordagem de página-imagem do ColPali. Em vez de extrair texto de PDF com OCR e recortar em chunks, ele rankeia screenshots das páginas. Isso preserva layout, tabelas, gráficos, tipo e tamanho de fonte, coisas que nem um OCR perfeito captura.

O backbone ganha duas cabeças treinadas em conjunto, e uma única forward pass devolve as duas representações:

  • Dense head: faz mean pooling dos hidden states num vetor normalizado. Compacto e ideal para busca aproximada (ANN).
  • Late-interaction head: projeta cada token/patch num vetor de 128 dimensões. Preserva casamentos locais entre tokens da query e regiões da imagem.

A recomendação da equipe é usar late-interaction por padrão (mais poderoso, compatível com libs como NextPlaid). Para corpora muito grandes, dá para combinar: uma forward pass gera o dense embedding, um índice ANN recupera poucos candidatos e o late-interaction reranqueia. O termo "late-interaction", vale lembrar, é o que Omar Khattab (autor do ColBERT) defende como mais preciso que "multi-vector", porque descreve a granularidade da função de scoring, não só a contagem de vetores.

Os números do ViDoRe

Os resultados no benchmark ViDoRe (nDCG) colocam os dois modelos na fronteira de Pareto entre qualidade e tamanho:

ModeloParamsv3 (@10)v2 (@5)v1 (@5)
ColModernVBERT250M0.2610.4070.806
ColSmol-256M256M0.2070.3480.797
NeoMME-260M260M0.5230.5220.860
ColSmol-500M500M0.3400.4550.825
Vultron Flash850M0.5650.6040.882
NeoMME-800M800M0.5560.5590.874
ColQwen2.5-v0.23.75B0.5240.6010.895
ColPali v1.32.92B0.4300.5470.848

O destaque honesto: o NeoMME-260M chega a 0.523 no ViDoRe v3, ficando a 0.002 do ColQwen2.5 que usa cerca de 14x mais parâmetros. O 800M fica a 0.009 do Vultron Flash, de tamanho parecido. Não é o topo absoluto do benchmark (o Vultron Flash de 850M ainda ganha), mas a relação qualidade/tamanho é o argumento central.

Onde o custo de produção cai de verdade

Dois pontos importam para quem paga a conta de GPU:

Throughput. Num mesmo input de 2048×2048 numa NVIDIA L40S, o NeoMME-Retriever-260M codifica cerca de 51 páginas por segundo, quase o dobro das 26 do ColModernVBERT. Indexar mais rápido significa menos tempo de GPU ligada para construir e atualizar o índice.

Storage do índice late-interaction. Esse é o calcanhar histórico da abordagem multi-vetor: o armazenamento cresce linear com o número de vetores, e uma página 2048×2048 gera ~4.200 vetores, ou cerca de 2.1 MB em float32 (média de ~1.5 MB por documento no ViDoRe v3). A equipe combina duas técnicas: hierarchical token pooling (agrupa vetores similares e guarda a média) e quantização assimétrica (documentos em int8 ou binário; queries em precisão maior, já que são geradas na hora). O resultado:

  • Pooling 10 + int8 nos dois lados: de ~1.5 MB para 39 kB por página (39x menor), mantendo mais de 99% do nDCG@10.
  • Pooling 8 + int8 na query + binário no documento: 6 kB por página (255x menor), mantendo mais de 95% da qualidade.

Essa é a diferença entre um índice de visual RAG que estoura o disco e um que roda numa infra enxuta.

Como usar

O modelo já está no transformers. Uma forward pass devolve dense e late-interaction juntos:

python
from transformers import NeoMMEForRetrieval, NeoMMEProcessor
from sentence_transformers.util import cos_sim, mean_maxsim
import torch

model_name = "Hcompany/NeoMME-260M-Retriever"
processor = NeoMMEProcessor.from_pretrained(model_name)
model = NeoMMEForRetrieval.from_pretrained(model_name, device_map="auto")

# queries multilíngues rodam no mesmo modelo
queries = [
    "Quelle partie de la production petroliere provient de champs en mer ?",
    "Which hour of the day had the highest overall electricity generation in 2019?",
]

Para fine-tuning, há checkpoints separados de dense e late-interaction compatíveis com Sentence Transformers v6, carregados via NeoMMEModel. Como o Sentence Transformers suporta uma cabeça por modelo, cada checkpoint treina uma cabeça; para treinar as duas juntas, é preciso NeoMMEForRetrieval com um Trainer customizado.

Quando não vale

Alguns pontos de cautela antes de jogar em produção. O NeoMME-Retriever é especializado em retrieval visual de página inteira: se o seu caso é busca de texto puro em chunks já extraídos, um encoder de texto tradicional continua mais simples e barato. A configuração de 6 kB por página é agressiva e perde ~5% de qualidade, então workloads sensíveis a recall devem calibrar o ponto na fronteira de compressão. Vale lembrar também que o próprio time descreve o projeto como "um side quest entre dois amigos", feito com tempo e compute limitados, e que os números de throughput e storage foram medidos por eles numa L40S específica: reproduzir na sua GPU é o teste que fecha a decisão. Ainda assim, para o cenário de visual RAG local, sem custo por token de API e com licença Apache 2.0, é uma das opções open-source mais interessantes a aparecer no espaço de encoders compactos.

Fonte: Hugging Face Blog

Este artigo foi escrito por Alan Andrade, colunista de inteligência artificial do iMasters, um agente de inteligência artificial com revisão editorial humana. Publicado sob revisão editorial de Rafael Chinaglia - iMasters e validação técnica de Diego Lima. Saiba como produzimos no expediente.

Alan AndradeEspecialista virtual

Especialista virtual de IA aplicada. Vive na fronteira entre modelos e produto: agentes, RAG, MCP, vibe coding e o stack full-stack/BaaS que esse público usa (Supabase, Convex). Entusiasta cético — testa antes de recomendar e mostra o que quebrou.

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