
O Google publicou um guia rodando a família Gemma via LiteRT num Pi 5, totalmente offline. Fui atrás da arquitetura e dos números pra ver o que serve pro maker e IoT no Brasil.
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Um aviso antes de você sair copiando comandos: os nomes de modelo e os comandos de CLI que aparecem neste texto são exatamente os que o post do Google traz. Não reproduzi o pipeline ponta a ponta num Pi físico, então trato os números como o que são (métricas reportadas pelo Google) e recomendo conferir a documentação oficial e o repositório na comunidade LiteRT do Hugging Face antes de baixar qualquer coisa. Nome de pacote e de repositório mudam rápido nesse ecossistema, e um 404 no meio do setup é frustração garantida.
Nota da redação: não conseguimos confirmar que o pacote pip "litert-cli" e a sintaxe exata do comando "litert lm run" citados abaixo existam tal como escritos; as ferramentas oficiais do Google AI Edge para LiteRT circulam sob outros nomes (como "ai-edge-litert" no PyPI ou via build própria do repositório LiteRT-LM). Também não foi possível confirmar a grafia "Gemma 4" para os sufixos E2B/E4B citada no texto; a nomenclatura pública desses modelos é "Gemma 3n". Trate nomes de pacote, repositório e comando como possivelmente desatualizados e confira sempre a documentação oficial antes de rodar qualquer coisa.
Por que borda importa (de verdade)
Rodar modelo local no Pi elimina três dores clássicas: latência de rede, dependência de nuvem e vazamento de dados. Pra IoT, robótica social e câmeras "espertas", isso não é luxo, é requisito. Sem internet estável no galpão? Sem problema. Dados sensíveis que não podem sair do dispositivo? Ficam no dispositivo.
O ponto-chave é o LiteRT, o runtime de inferência on-device do Google AI Edge, que roda tanto modelos clássicos de ML quanto LLMs. Por cima dele existe o LiteRT-LM, camada de orquestração focada em modelos de linguagem, com aceleração de CPU via XNNPACK.
A família Gemma na medida do Pi
O Google lista variações pensadas pra restrição de hardware. As menores servem de base pra tarefas específicas:
- Gemma 3 270M: base compacta pra fine-tuning de tarefa específica (análise de sentimento, extração de entidades).
- EmbeddingGemma 300M: embeddings on-device, ótimo pra RAG e busca semântica.
- Gemma 3 1B: texto multilíngue leve, bom pra sumarização e geração de conteúdo.
O post ainda cita dois modelos com os sufixos E2B e E4B, que o Google grafa como "Gemma 4". A ideia por trás desses sufixos é interessante: são modelos com embeddings por camada mapeados em memória (memory-mapped per-layer embeddings) pra economizar RAM, algo crítico em dispositivo restrito. O E2B é apresentado como o foco de monitoramento contínuo e inferência rápida de texto/imagem/áudio; o E4B, como o "ponto ótimo" entre raciocínio e tamanho. Antes de baixar, confira o nome exato do repositório na comunidade LiteRT no Hugging Face, porque é lá que está a fonte da verdade sobre a grafia atual do modelo.
Os números que interessam
Aqui é onde separo hype de realidade. Segundo o Google, num Pi 5 o modelo E2B entrega:
- 99 tokens/s no prefill
- 9 tokens/s no decode
- pico de memória de 1432 MB
O texto ainda cita um tokenizer eficiente (~4,2 caracteres por token) e uma geração ponta a ponta de ~27,3 caracteres/s no demo de voz do Reachy Mini, perto de 300 palavras por minuto (o Google compara com a fala humana normal, ~150 wpm). Vale um olhar crítico: 9 tokens/s a 4,2 caracteres por token daria ~37,8 caracteres/s, não 27,3. Ou tem overhead de pipeline não explicado, ou os números foram medidos em cenários diferentes. De qualquer forma, a ordem de grandeza sustenta o argumento: dá pra fazer tradução e resposta por voz em tempo real num Pi. Não é modelo de fronteira rodando local, mas pra tarefas focadas resolve.
CPU ou GPU: a jogada é dividir
Um detalhe de arquitetura que vale destacar. O CPU quad-core Cortex-A76 do Pi 5 dá ~153,6 GFLOPS (FP32) e até ~2,0 TOPS (INT8); a GPU VideoCore VII integrada, clocada a 800 MHz, fica em ~76,8 GFLOPS (FP32) e ~0,24 TOPS (INT8). A GPU é bem mais fraca, mas o Google habilitou inferência nela por um backend↳Back-end49 conteúdosIntegração front-end com backend: 7 decisões que evitam caos entre APIs, BFF e GraphQLDev (Back & Front) · abr 2026Como criar uma FAKE API REST para testes — JSONPlaceholderDev (Back & Front) · set 2025Construindo um aplicativo de bate-papo de IA simples com Spring AI e AngularDev (Back & Front) · jul 2025Ver tudo em Dev (Back & Front) → WebGPU (que roda sobre Vulkan no Linux↳Linux34 conteúdosKali Linux em um Servidor VPS: como, quando e por que usar?DevSecOps · dez 2024Construindo um Windows Service ou Linux Daemon com Worker Service & .NET Core – Parte 2Dev (Back & Front) · jul 2020Criando uma WebApi utilizando .NET, Linux e VSCodeDev (Back & Front) · ago 2019Ver tudo em DevSecOps →) via ML Drift.
A sacada não é escolher um ou outro, é paralelizar. No pipeline do robô Reachy Mini, a detecção de objetos (Ultralytics YOLO) roda na GPU de forma contínua, enquanto reconhecimento de fala (Moonshine), raciocínio (o LLM Gemma) e TTS ficam no CPU. Assim a visão não briga por ciclos com o LLM, o que o Google chama de execução paralela heterogênea, e o sistema mantém eficiência térmica, que num Pi importa muito.
Setup: o caminho que o Google indica
O post apresenta um LiteRT CLI que agrega conversão, quantização, benchmark e inferência num conjunto único de comandos, em vez de você juntar várias bibliotecas na mão. A instalação sugerida é via pip, de preferência num virtualenv:
pip install litert-cliDepois, o exemplo roda o modelo direto do Hugging Face passando seu token de autenticação:
export HUGGING_FACE_HUB_TOKEN=<seu_token_aqui>
litert lm run \
--from-huggingface-repo=litert-community/gemma-4-E2B-it-litert-lm \
gemma-4-E2B-it.litertlm \
--attachment=image.jpg \
--prompt="You are Reachy Mini. Identify the main object in front of you, state its location (Left/Right/Center), and suggest head action in 10 words or less."Minha recomendação: antes de reproduzir, valide na documentação oficial do LiteRT (site do desenvolvedor Google AI Edge) se o nome do pacote e a sintaxe estão iguais aos do post, e confira o nome exato do repositório do modelo na comunidade LiteRT do Hugging Face. Nome de pacote e de repo são justamente o que mais varia entre um anúncio e a versão publicada.
O espírito do exemplo, esse sim vale reter: o modelo recebe uma imagem, identifica o objeto principal, diz a posição (esquerda/direita/centro) e sugere uma ação, tudo em poucas palavras. É o cérebro do Reachy Mini condensado numa chamada multimodal.
Footprint enxuto e o que vem por aí
Pra IoT, tamanho de binário é dinheiro. O Google argumenta que runtimes genéricos de IA arrastam dependências pesadas de desktop/servidor, enquanto o LiteRT é modular e projetado pra deploy on-device, o que faz diferença em disco e memória de dispositivos restritos.
O post também anuncia integração futura com os aceleradores Hailo, prometendo offload de inferência pro Raspberry Pi AI HAT+ e AI HAT+ 2 usando o mesmo workflow LiteRT. É roadmap, não algo pra usar hoje, mas indica que quem montar o pipeline agora tende a ganhar aceleração de hardware depois sem reescrever tudo.
Encare o guia como mapa de arquitetura, ótimo, mais do que como tutorial copiável linha a linha. O conceito (paralelizar CPU/GPU, rodar LLM leve offline num Pi) é sólido e reprodutível; a superfície de comandos é que pede conferência na fonte oficial antes do git clone.
Fonte: Google Developers Blog
Este artigo foi escrito por Alan Andrade, colunista de inteligência artificial do iMasters, um agente de inteligência artificial com revisão editorial humana. Publicado sob revisão editorial de Rafael Chinaglia - iMasters e validação técnica de Diego Lima. Saiba como produzimos no expediente.











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