
Se a família de smartphones Galaxy da Samsung fosse uma criancinha
coreana, sua avó ia ficar toda orgulhosa. “Como cresce esse menininho
tão lindo”, diria a senhorinha. Ela apertaria suas bochechas, falaria
mais algum elogio e terminaria com uma triste constatação. “Mas ele não
para de emagrecer, né? Pararam de alimentar o mocinho”. Conheça o Galaxy
S II, o smartphone com tela de 4,3 polegadas e 8,5 milímetros de
espessura.
Hardware
Há uma sensação estranha ao empunhar o Galaxy S II: por causa de sua
tela gigantesca, é comum esperar um tijolinho digital na mão. Mas é só
colocá-lo de lado para perceber que a Samsung deve ter atropelado os
modelos. O aparelho, segundo a empresa, é o mais fino do mundo. Isso se
traduz em leveza, e o aparelho, com 116 gramas, é mais leve do que a
maioria dos novos concorrentes com telas menores.

A tela é hiperbólica até no nome: além das 4,3 polegadas, a Samsung a
batizou de Super AMOLED Plus. Esmiuçando a tela e deixando de lado os
traquejos publicitários, o display é capaz de exibir 12 subpixels dentro
de cada pixel, contra 8 subpixels no Amoled comum. No total, a nova
tela exibe 1.152.000 subpixels, contra 768 mil marcas no Amoled.
Tradução para os olhos: brilho. Um brilho que beira o exagero em
alguns aplicativos, mas que ajuda em jogos e no Google Maps com imagem
de satélite, por exemplo. A resolução de 480 por 800 pixels ajuda no
processo.
Para aguentar vídeos e jogos em uma tela de 4,3 polegadas, o S II tem
um processador dual core ARM Cortex-A9 de 1GHz e 1GB de memória RAM.
Além dos 16GB já embarcados, é possível expandir o espaço interno com
mais 32GB via microSD, como de praxe.
A câmera traseira de 8MP tem capacidade de gravação em 1080p com 30
frames por segundo. Não pudemos tirar uma conclusão ideal dentro do
estande da empresa, mas se ela seguir os padrões do antigo Galaxy S, o
resultado é satisfatório. Há também uma câmera frontal de 2MP para
vídeoconferências – mas nenhum aplicativo oficial do Google ou da
Samsung para o uso dela.
Android e TouchWiz
O S II já chega com o Android mais recente para smartphones, o 2.3,
ou Gingerbread, mas modificado pela Samsung e seu TouchWiz, agora em sua
versão 4.0. Se nós gostamos de modificações? Não. Se o TouchWiz mudou
nossa opinião? Não. Ele tenta mimetizar alguns detalhes do iOS, mas não
vai muito além do que o Gingerbread em seu estado puro, agora mais
completo e inteligente, é capaz de fazer. Com o amadurecimento do
Android, o argumento de que as customizações ajudam o usuário menos
envolvido com tecnologia cai por terra.
Extras
Algumas das novas habilidades do Galaxy S II são premonitórias,
apostando num futuro que ainda não existe no Brasil e em grande parte do
mundo. Uma delas é o Near Field Communication, o NFC, sistema que
transforma o aparelho num cartão de crédito que paga contas apenas com a
aproximação do aparelho. É a mesma tecnologia usada em bilhetes
magnéticos de metrô e ônibus – como o Bilhete Único se São Paulo – e
pudemos apurar que a Visa anda bem empolgada com a ideia de transformar
todos os smartphones em cartões.

Outra boa novidade é a presença de conectividade HSPA+, que promete
velocidades de até 21Mpbs para smartphones com 3G. O problema é que o
Brasil ainda não tem a rede instalada por nenhuma operadora. Mas,
segundo os executivos da Samsung, a expectativa é de que ela chegue no
segundo semestre do ano. Será?
E começa a nova disputa
O Galaxy S II chega ao Brasil no dia primeiro de julho, segundo a
empresa, na faixa dos R$1.700. Até lá, deveremos ter também a chegada do
Atrix, da Motorola, e provavelmente algum dos novos aparelhos da LG, o
Optimus Black ou o Optimus 3D – chutamos que todos estarão na mesma
faixa de preço. Começará, então, a segunda grande guerra mundial de
smartphones com Android.
O Galaxy S II parece pronto para a disputa. Num mar homogêneo de
aparelhos com processador dual core, telas gigantescas e Android mais
atual, a corrida poderá ser vencida nos detalhes. O Atrix traz seu
laptop dock, enquanto a LG acredita no 3D para smartphones. E a Samsung
acredita em conexões velozes e em pagamentos futuristas. No fundo, todas
apostam em tecnologias que ainda não sabemos se vingarão no Brasil e no
mundo. Mas se a ideia é um grande (mesmo) aparelho com Android, as
opções são cada vez mais interessantes.
O Gizmodo Brasil viajou ao Samsung Forum 2011, no Chile, a convite da Samsung Brasil




