A palestra "Smart X: o desafio da unificação de frontend" apresentou o SmartX como resposta a um problema conhecido de quem mantém ERPs com múltiplas linhas de produto: como evoluir a experiência de telas sem obrigar cada consultor a reescrever interfaces toda vez que o framework de frontend muda. Segundo a apresentação, o SmartX é "o framework de telas do Proteus", do RM, do DataSul e da POS ao mesmo tempo — uma camada comum que atende às diferentes linhas.
Contratos em vez de código
O coração da proposta é o SmartWise, descrito como "o motor de renderização de telas do Smart-X", responsável por interpretar contratos de negócio (baseados em JSON Schema, padrão de mercado) e transformá-los em aplicações Angular nativas, "com a mesma experiência, inclusive de performance, que uma aplicação escrita 100%" no framework atual da casa.
A lógica segue o padrão convention over configuration: um campo do tipo texto no dicionário de dados já nasce como componente funcional, sem exigir código específico. Quando o cenário exige algo fora do padrão, basta sobrescrever a configuração — do label até o componente inteiro. Como resumiu a apresentação: "padroniza o que é recorrente e configura o que é específico".
Sem deploy para mudanças simples
Um dos pontos mais práticos para quem vive rotina de manutenção: alterações no dicionário de dados refletem na tela sem gerar nova versão da aplicação. Nas palavras do palestrante: "Se eu tiro o campo do dicionário, ele tira da tela, automaticamente. Se eu incluo o campo em uma tabela ou incluo o campo no dicionário, ele aparece na tela automaticamente" — sem precisar de build ou deploy.
A camada também promete isolar times de negócio das dores de atualização do Angular — citado na apresentação como fonte recorrente de quebras — e permitir reuso de telas como blocos (modais, page slides, formulários aninhados) sem os problemas clássicos de vazamento de estado em micro-frontends.
Cronograma por linha
Em resposta a perguntas da plateia, a apresentação indicou que o rollout varia por produto: Protheus entra em produção já na versão citada como "2610"; RM e DataSul devem seguir em fases-piloto, com adoção mais ampla prevista para 2027. Também foi esclarecido que o SmartX é distinto de uma futura plataforma de customização low-code/no-code (citada como iStream), que deve ser lançada como produto à parte, voltada a quem quer configurar telas sem escrever código.
Para quem desenvolve sobre as linhas TOTVS hoje, o recado prático é que a atualização de bibliotecas de frontend deixa de ser um passivo recorrente do dia a dia — pelo menos é essa a promessa.




