A sessão da Arena Dev prometia discutir o papel do programador na era da IA, mas na prática virou uma demonstração técnica de como a TOTVS está tentando baratear e acelerar o uso de IA generativa dentro do ecossistema ADVPL.
Economizando tokens com MCP e LSP
O ponto de partida foi o custo: cada interação com um LLM consome tokens, e quanto mais contexto a IA precisa adivinhar, mais caro fica. A proposta apresentada é usar uma camada de MCP (Model Context Protocol) combinada ao LSP (Language Server Protocol) para entregar à IA exatamente o contexto necessário, evitando que ela "queime" créditos tentando descobrir escopo de variáveis, símbolos ou estrutura do projeto.
Em vídeo, a apresentação mostrou o fluxo na prática: um pedido simples de correção aciona o language server, que localiza o arquivo aberto, identifica se a variável é local ou de workspace, pré-compila o trecho para validar o ajuste e só então aplica a mudança — tudo registrado na tela para fins de auditoria de consumo. Segundo a apresentação, essa integração já está disponível para quem usa o ambiente de desenvolvimento ADVPL, embora ainda sem vídeos ou documentação detalhada — "não deu tempo de gravar vídeo", como foi dito no palco.
Um parser pensado para IA
A segunda parte explicou por que o compilador tradicional do ADVPL, baseado em YACC, não é o ideal para cenários de IA: ele para no primeiro erro de sintaxe encontrado. Por isso a TOTVS está trazendo um motor baseado em Tree-sitter, parser generator que faz análise incremental e continua processando o arquivo mesmo após encontrar um erro, permitindo capturar todos os problemas de uma vez. Isso abre caminho para comandos em linguagem natural do tipo "varra todos os erros do meu projeto e traga em uma planilha". Como resumiu a apresentação, no modelo tradicional "ele acha o primeiro erro, ele para, é o que todos os compiladores querem" — já o novo parser entrega o projeto inteiro mapeado para análise.
Spoiler: TOTVS vai ter banco de dados próprio
Na reta final, foi anunciado o TOTVS DB, banco baseado em PostgreSQL com foco inicial no TOTVS Cloud e compatibilidade com SQL Server — a promessa é migrar aplicações Protheus sem reescrever customizações, com suporte a Oracle planejado para depois. "O que a gente vai garantir é que os produtos TOTVS executem melhor e mais rápido no banco de dados da TOTVS", resumiu a apresentação, descartando qualquer intenção de competir diretamente com Oracle ou SQL Server. Detalhes técnicos do banco, além dos produtos TOTVS Broker e TOTVS Tech Hub, ficaram para sessões específicas no Code No Code.
Para quem quer começar a explorar esse ferramental de IA no dia a dia, a recomendação dada ao público foi simples: buscar as trilhas da Universidade TOTVS.





