Especial · TDC São Paulo 2026

Como a RD Saúde usa agentes de IA para escalar agilidade sem gente dedicada a isso

Na trilha Stadium do TDC São Paulo, uma apresentação sobre gestão ágil em escala mostrou como assistentes conectados a Business Map, Power BI e Cursor viraram substituto de agilistas dedicados em dezenas de squads.

Stadium24 de setembro de 2026 às 15:25cobertura assistida por IA, revisada pela redação
Reprodução/YouTube · TDC São Paulo 2026

Na palestra "Do fluxo à decisão: como agentes de IA ajudam a sustentar a gestão ágil em escala", apresentada na trilha Stadium do TDC São Paulo, o tema central foi um problema comum em empresas grandes: como manter práticas ágeis consistentes quando não há mais orçamento para um agilista dedicado em cada squad.

"A gente tem visto cada vez mais esse encolhimento do quadro de agilistas, se tornando cada vez mais um centro de excelência, ou pessoas de referência que vão lá, fazem um start, eventualmente, mas não ficam no dia a dia."

A solução apresentada, construída na RD Saúde, combina dois modos de atuação de agentes de IA, conforme detalhado nos slides: reativo (responde, orienta e executa sob demanda) e proativo (monitora sinais, identifica riscos e prepara ações). O ecossistema usa o Business Map (antigo Kanbanize) como sistema de trabalho, integrado via MCP a Power BI e ao Copilot Studio da Microsoft, além de skills configuradas no Cursor.

Um ponto prático levantado é o custo de operar esses agentes. O palestrante comentou que o Copilot Studio "ficou bastante poderoso agora com o Harness", mas "ficou absurdamente caro" — a ponto de ser necessário crédito até para desenvolver. Por isso, a equipe criou skills que já sabem qual indicador corresponde a cada pergunta e vêm com consultas DAX prontas, reduzindo o número de chamadas ao MCP e, consequentemente, o custo por interação.

Outro uso citado foi a validação automática de cartões: regras de negócio do Business Map disparam chamadas HTTP para agentes que verificam formato de histórias, épicos e campos obrigatórios antes de permitir a movimentação. Segundo a apresentação, o campo do cartão pode indicar "Não validado" e travar o fluxo até o ajuste ser feito.

Os números apresentados nos slides dão a medida do ganho de escala: mais de 50 squads acompanhadas, dias de consolidação de relatórios reduzidos a minutos, queda de 90% na latência do recorte apresentado e redução de 20 para 4 especialistas mobilizados no processo.

A apresentação também mostrou uma evolução dos relatórios de Power BI para o modelo de "data storytelling", em que cada indicador vem acompanhado de descoberta, motivo provável e ação recomendada — e um agente batizado de "Chloe", conectado à base de conhecimento de práticas de Kanban, responde perguntas em linguagem natural com respostas verificadas.

Para times que lidam com múltiplas squads e pouca gente dedicada a agilidade, a apresentação deixa uma lição direta: o ganho não vem de automatizar tudo, mas de encapsular boas práticas em skills bem definidas, reduzindo ambiguidade e, com isso, custo de IA por interação.

← Voltar para a cobertura ao vivo