Especial · TDC São Paulo 2026

GenUI e o fim do clique: como repensar design de produto na era dos agentes conversacionais

Na talk "Front-end em escala: O que quebra primeiro em aplicações com milhões de usuários?", a apresentação girou em torno de um problema mais amplo: como desenhar experiências quando a interface deixa de ser tela e vira intenção, prompt e conversa — com o WhatsApp brasileiro como laboratório.

Stadium25 de setembro de 2026 às 19:32cobertura assistida por IA, revisada pela redação
Reprodução/YouTube · TDC São Paulo 2026

A apresentação no palco Stadium do TDC São Paulo 2026 partiu de uma provocação simples: por que um pedido recorrente de comida, algo que o usuário faz toda semana, ainda exige de seis a doze cliques? "Eu só queria poder falar assim, hoje é sexta-feira, sexta-feira eu peço pizza, pede a mesma aí", resumiu a apresentação, batizando essa ideia de "teletransporte": o sistema se adaptando à intenção da pessoa, em vez do contrário.

Esse é o pano de fundo da chamada GenUI (interface gerada por IA), tratada não como algo binário, mas como um espectro de quatro níveis — da tela estática (ainda 90-95% dos produtos brasileiros) até a UI 100% autônoma, algo que segundo a talk só grandes empresas de tecnologia testam hoje.

Os dados que esfriam o hype

Um ponto central foi trazido direto de slides sobre o Gemini 3 (nov/2025): em pesquisa da Google, 97% das pessoas preferiram respostas em texto a uma interface GenUI, 83% preferiram markdown a GenUI, e apenas 50% preferiram uma tela feita por designer frente à alternativa automatizada. A leitura da apresentação foi direta: "vocês ainda não foram substituídos" — mas a adesão às telas automatizadas já é alta o bastante para preocupar, especialmente em experiências simples e componentizadas (cards, cliques, toggles).

WhatsApp como laboratório nacional

Um dos pontos mais úteis para quem constrói produto no Brasil: enquanto o Vale do Silício discute GenUI para telas e HTML, o mercado brasileiro já opera em escala dentro do WhatsApp. Segundo os slides, 98% dos smartphones brasileiros têm o app instalado, 79% já conversaram com empresas por ali, 89% já foram atendidos por bot e 7% já compraram com pagamento dentro do app. Nesse ambiente sem tela, guardrails — os limites do que o agente pode ou não fazer — deixam de ser opcionais e passam a ser, segundo a talk, "100% da experiência".

Novo scorecard e responsabilidade do prompt

A apresentação argumentou que métricas clássicas de UX (NPS, taxa de cliques, tempo de tela, bounce rate) perdem sentido quando o objetivo é resolver rápido, não prender o usuário. A proposta é migrar para goal completion rate e receita por interação.

Outro ponto polêmico: "o Prompt é o produto hoje". Para a apresentação, o UX writer que antes escrevia copy de botões agora escreve regras de negócio embutidas no comportamento do agente — como limites de valor de disputa que acionam atendimento humano, citados em um exemplo de slide sobre um produto de empréstimo consignado.

O fechamento trouxe três recomendações práticas: desenhar a intenção do usuário (não o fluxo de telas), dar dono e versionamento a cada prompt em produção, e revisar o scorecard de design nos próximos QBRs. Para times de front-end e produto acostumados a medir sucesso por cliques, é um convite a repensar o que realmente significa entregar valor em escala.

← Voltar para a cobertura ao vivo