Na trilha Software Security do TDC São Paulo, a apresentação intitulada "Do Data Bunker à Pesquisa em IA Defensiva: como o iFood evolui Disaster Recovery contra ransomware" trouxe um raio-x de como a empresa lida com um cenário que assombra qualquer time de infraestrutura: o que fazer se um ransomware criptografar tudo, de uma vez, em produção.
O palestrante contextualizou a escala do problema citando números atuais do iFood: cerca de 200 milhões de pedidos por mês, mais de 9 mil serviços, mais de 20 mil deploys mensais e mais de 60 clusters Kubernetes espalhados por dezenas de contas na AWS, GCP e Azure — parte dessa diversidade de nuvem vem de aquisições de empresas menores incorporadas ao ecossistema.
A origem: a onda de ransomware de 2020-2021
Segundo a apresentação, a motivação para criar o Data Bunker veio do período em que várias empresas no mundo e no Brasil foram infectadas por ransomware — o malware que sequestra arquivos por criptografia e cobra resgate para liberá-los. Diante desse risco, a decisão interna foi clara:
"A gente tem que ter um protocolo contra esse tipo de ameaça."
O que é o Data Bunker
A definição dada em cima do desenho de arquitetura projetado foi direta:
"Pense em uma conta AWS, que é super restrita de acesso, onde eu vou armazenar os backups de arquivos que são necessários para que o iFood possa recriar do zero toda a infraestrutura, se der ruim, se der uma infecção generalizada de malware."
Cada objeto que chega a essa conta isolada passa por checagens — os slides projetados mencionam explicitamente análise de entropia dos arquivos como parte da varredura contra artefatos maliciosos, function executada por um "Scanner Service" dedicado, apresentado publicamente pela primeira vez no AWS Summit São Paulo de 2022.
O exercício Yolo: testar a reconstrução na prática
Além do cofre de backups, existe uma segunda peça isolada chamada Yolo, também uma conta AWS separada, usada num exercício anual que reúne todos os times de engenharia do iFood. O objetivo é reconstruir, a partir do zero, uma infraestrutura mínima capaz de retomar as duas operações mais críticas do negócio: pedidos e entregas.
Os slides reforçam que essa etapa faz parte de um fluxo maior — produção, avaliação/backup no Data Bunker e recuperação no Yolo —, num modelo desenhado para responder à pergunta central da palestra: como reconstruir a operação em um cenário de ransomware generalizado.
Por que isso importa para quem constrói software
Para equipes brasileiras que operam plataformas de grande escala, o caso do iFood ilustra um ponto prático: disaster recovery contra ransomware não é só backup, é backup isolado, verificado e testado sob exercício real e recorrente. A apresentação segue depois discutindo a evolução dessas defesas rumo à pesquisa em IA aplicada a ameaças futuras, tema que promete aprofundamento nos próximos minutos da trilha.



