Especial · TDC São Paulo 2026

Por que a maioria dos agentes de IA não sai do laptop e nunca chega à produção

Na trilha executiva do TDC São Paulo, uma apresentação usou um dado do IDC para questionar o hype dos agentes autônomos: criar é fácil, mas transformar isso em produto real dentro da empresa é outra história.

Stadium24 de setembro de 2026 às 10:27cobertura assistida por IA, revisada pela redação
Reprodução/YouTube · TDC São Paulo 2026

O TDC São Paulo 2026 reservou um momento do Fórum Executivo para tratar de um problema que qualquer time de engenharia brasileiro reconhece: todo mundo está criando agentes de IA, mas poucos desses agentes de fato viram produto. A apresentação, projetada no telão como "Por quê grande parte dos agentes não chega a Produção? Como pensar em agentes que escalam e geram impacto", abriu com um número do IDC: até 2028, 1,3 bilhão de agentes devem ser produzidos.

O palestrante fez questão de colocar esse dado em perspectiva: "Eu sinceramente acho que esse número vai ser muito maior [...] Mas honestamente acho que isso não é novidade mais. Todo mundo está usando IA [...] Então, todo mundo aqui já deve ter criado um agente. O grande desafio é se esse agente de fato vai alavancar um projeto e trazer impacto dentro da empresa."

Os três motivos do fracasso

A apresentação elencou três razões centrais para agentes ficarem presos em prova de conceito:

  1. Falta de relevância e contexto. Um agente pode funcionar muito bem dentro de uma estratégia individual — "rodar num local host, roda para minha equipe lá, até subir uma aplicação num container" — mas travar quando escalado, porque "não tem contexto, não tem relevância, ele não entende o contexto corporativo, ele não bebe de bases de dados de fato da minha empresa".
  1. Falta de robustez e escalabilidade. Segundo a fala, ao distribuir o agente para mais usuários aparecem "problema de latência", lentidão, "trocadinho de APIs", intermitência e disponibilidade instável — sintomas de algo que nunca foi pensado para produção.
  1. Segurança negligenciada pelo vibe coding. O terceiro ponto foi direto: "nessa era de vibe coding [...] a gente vê muitos projetos deixando a segurança de lado [...] pessoas que não usam práticas de desenvolvimento elas acabam deixando a API keys expostas, deixando credenciais [...] de fato elas não permitem aquele aplicativo escalar para uma produção."

Seis pontos, um começo

A apresentação prometia detalhar seis critérios que um agente precisaria atender para sobreviver à produção, começando por "a construção desse agente" — mas o trecho capturado na cobertura foi interrompido logo no primeiro item, sem chegar aos demais.

Ainda assim, o recorte já serve de checklist rápido para times que estão brincando com agentes no dia a dia: antes de comemorar o protótipo, vale perguntar se ele tem contexto corporativo real, se resiste a carga e falhas de rede, e se as credenciais estão realmente protegidas. São os três buracos mais comuns — e mais baratos de evitar — antes de qualquer deploy.

← Voltar para a cobertura ao vivo