Um dos blocos mais técnicos da tarde no palco Plenária Gestão & Operações tratou de um problema que todo dev de e-commerce ou logtech já esbarrou: como fazer a última milha funcionar em um país do tamanho do Brasil, onde municípios isolados podem ser maiores que países inteiros da Europa.
O palestrante apresentou o modelo de drop-off entre pessoas físicas, descrito como "o grupo de pessoas físicas mandando para outras pessoas físicas", como peça central para viabilizar a economia circular (compra e venda entre usuários) em escala nacional. Segundo ele, a rede hoje conta com mais de 13 mil pontos de coleta espalhados pelo país, reduzindo a distância média que o vendedor precisa percorrer para despachar um produto — em alguns casos, para menos de 1,4 km.
Um ponto relevante para times que constroem plataformas de marketplace e logística foi o detalhamento do custo do insucesso de entrega. Na visão apresentada, esse é um custo "multidimensional", que afeta transportador, marketplace e vendedor simultaneamente:
"Tem custo no transportador, tem custo no marketplace, tem custo para o vendedor que [...] vai ter que republicar, ele vai demorar para vender, ele vai demorar para ter o dinheiro."
Como caminhos para mitigar esse problema, foram citadas duas frentes que interessam diretamente a quem desenvolve produto: comunicação proativa em tempo real (notificações por e-mail e WhatsApp, uso de QR Code para retirada) e agendamento de entrega integrado a tracking online — ou seja, dar ao consumidor visibilidade e controle sobre o processo, em vez de depender de tentativas às cegas.
Outro trecho comparou a densidade de pontos de coleta no Brasil com a da Europa: enquanto o mercado europeu teria mais de 500 mil pontos, o Brasil estaria na casa de dezenas de milhares, mas em trajetória de crescimento acelerado — de cerca de 30 mil há dois anos para um número bem maior hoje, segundo a fala no palco.
Para quem constrói soluções logísticas, o recado prático foi: apostar em três funcionalidades — retirada em ponto físico, devolução facilitada e coleta no mesmo local da compra — tende a aproximar a experiência do consumidor brasileiro da europeia, reduzindo custo operacional por unidade conforme a malha de pontos cresce. A ideia central, resumida no palco, é que o ponto de coleta não é apenas infraestrutura logística, mas também uma extensão de comércios locais já existentes, o que gera confiança e reduz a necessidade de nova infraestrutura dedicada.



