Amigos leitores, inicialmente quero agradecer os e-mails que tenho recebido, com sugestões de temas, críticas e comentários. Isto tudo nos gratifica muito e nos faz seguir em frente, tentando trazer sempre textos com uma linguagem clara e simples, tentando atingir os leitores de todos os níveis e de todas as áreas.
Hoje vamos tratar de um assunto bastante interessante que é a Universidade Corporativa e discutirmos sua ligação com a Gestão do Conhecimento.
Histórico
Como sabemos, a Gestão do Conhecimento é, constantemente, foco de estudos e discussões, com suas teorias e inúmeros casos práticos de sucesso. Ficamos sabendo também da importância do Conhecimento, principalmente em um mercado onde a inovação é palavra-chave e mudanças ocorrem de forma muito rápida.
Lá pelos idos dos anos 80 os mercados já apresentavam grandes oscilações e a forte concorrência era apontada como umas das mais importantes variáveis da economia, neste momento surgem as primeiras Universidades Corporativas.
A Universidade Corporativa tem como um dos principais objetivos o desenvolvimento de seus colaboradores, formando e desenvolvendo talentos. Mas como podemos ligar a Universidade Corporativa à Gestão de Conhecimento?
Através de uma grade educacional adequada à realidade, suportada por uma boa infra-estrutura pode-se valorizar o colaborador, criando uma cultura apropriada de conhecimentos, onde se valorize as bases mais conhecidas da Gestão de Conhecimento (coleta, armazenamento, compartilhamento de informações), gerando novos conhecimentos, em um ciclo contínuo. Desta forma, com o aprendizado fazendo parte do cotidiano poderemos aumentar as competências e qualificações, gerar novos processos, novas tecnologias, novos serviços ganhando novos clientes e mercados.
Cresce o número de empresas que buscam na Universidade Corporativa, através da parceria com seus funcionários, melhorar seus processos e modelos de gestão, estimulando a inovação e a competitividade, focando em vantagens competitivas e criando novos conhecimentos.
Surgem as Universidades Corporativas
Apesar de o registro da primeira Universidade Corporativa ter sido feito pela General Eletric, criando a Crotonville, lá pelos idos de 1955, passaram-se muitos anos até que este tema fosse realmente despertar o interesse, lá pelo final dos anos 80. Inicialmente conhecidas como Institutos, Academias ou mesmo Colégios, o nome Universidade Corporativa tomou força no início dos anos 90. Seus primeiros objetivos foram alavancar o conhecimento organizacional, capacitar e reter funcionários, já com a visão futurista de sobrevivência em um mercado extremamente competitivo.
Ficava claro então que, criando Universidades Corporativas, as organizações pretendiam controlar o processo de desenvolvimento, alinhando seus colaboradores as suas metas e estratégias, reforçando os conhecimentos inovadores. Ou seja, concretizou-se a idéia de que o “conhecimento” seria uma nova riqueza e precisava ser conhecida, administrada e divulgada. Segundo alguns autores foram notados também a participação de clientes e de fornecedores.
Alguns exemplos destas organizações que criaram suas Universidades Corporativas: Ford, AT&T, FEDEX, Motorola, Carrefour, Disney, Xerox, GE, Mcdonalds, Lufthansa, Chrysler entre outras.
No Brasil a primeira empresa a investir e criar a sua própria Universidade Corporativa foi o Grupo Amil, por volta de 1987. Logo surgiram outras como, por exemplo: Grupo Accor Brasil, Brahma, HSBC, AmBev, Telemar, Datasul, Petrobrás e Unimed.
Características da Universidade Corporativa
- Divulgar as metas e estratégias da Organização
- Voltadas ao ambiente de negócios da Organização
- Disseminar o conhecimento, com amplo público alvo
- Inovação é palavra chave
- Capital intelectual
- Capacitar seus funcionários, clientes e fornecedores
- Absorção de conhecimento de diversas áreas da organização
- Uso do conhecimento como vantagem competitiva
Conclusão
Sabemos que a cultura organizacional tem uma importância muito grande na criação de um cenário favorável a Gestão do Conhecimento. É necessário que a empresa realize uma forte integração dos seus colaboradores à cultura do conhecimento, estimule o surgimento de melhorias, inovações e de novos conhecimentos. Faz-se necessário também um ambiente de cooperação mútua.
A Gestão do Conhecimento deve ser uma das bases para a Universidade Corporativa. Como já comentamos em artigo anterior, isto tudo não funciona sozinho, temos que valorizar as pessoas, fazer com que entendam e participem dos processos, conheçam as metas, visões e estratégias da empresa, para agirem como as molas propulsoras destes movimentos, pois sem elas nada funciona.
Lembro que esta cultura de envolvimento e desenvolvimento permanente dos colaboradores requer o comprometimento de todos os níveis da organização, amadurecimento nas relações e conhecimento claro do papel de cada um.
Bibliografia sugerida
DAVENPORT, Thomas H.; PRUSAK, Laurence. Conhecimento empresarial: como as organizações gerenciam o capital intelectual. Rio de Janeiro: Campus, 1998.
DRUCKER, Peter. Desafios Gerenciais para o Século XXI. São Paulo: Pioneira, 2000.
NONAKA, Ikujiro. A empresa criadora de conhecimento. In: Harvard Business Review. Rio de Janeiro, nov/dez, 1991.
SENGE, Peter M. A quinta disciplina: arte, teoria e prática da organização que aprende. 19 ed. Rio de Janeiro: Best Seller, 2005.
TERRA, José Cláudio Cyrineu. Gestão do Conhecimento: o grande desafio empresarial. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsivier, 2005.







