Qualidade em projetos de softwares: melhorias de processos com base no MPS.BR e CMMI – Parte 02
Como falamos no artigo anterior, devido à crescente disseminação da cultura da qualidade, os clientes tornam-se cada vez mais exigentes, buscando produtos com qualidade para realizarem a contratação ou disponibilizarem para os seus usuários finais produtos que minimizem os impactos e facilitem nas soluções dos problemas encontrados no dia-a-dia nas organizações.
Porém, sabemos que devido à complexidade de um software, problemas técnicos e gerenciais, como dificuldade de visão global que impede a integridade conceitual, dificuldade de descobrir e controlar todas as perdas envolvidas, dificuldade de troca de pessoal nos projetos (e deste problema surge a dificuldade de comunicação entre as pessoas), o que leva à construção de produtos com defeito, custos altos e atrasos de cronograma, sem contar a dificuldade por parte dos usuários de software que muitas das vezes entram dados de forma errada, usa suas funcionalidades de forma incorreta ou até mesmo inutilizam o produto.
E por isso esse conjunto de fatores acaba caracterizando esses problemas e as organizações como imaturas, sendo identificados e agrupados, resumidamente, pela falta de uma boa estrutura organizacional e pela ausência de mecanismos para gerenciamento de projetos, pela indefinição de seus processos e atividades a serem seguidos.

Cenário das Organizações Imaturas – Fonte: MAGNANI, 1998
Para solucionar alguns desses problemas, muitas empresas desenvolvedoras de softwares têm adotado metodologias como RUP, Praxis, Scrum↳Scrum7 conteúdosPMP vs Scrum Master: Qual certificação escolher em 2026?Marketing Tech · nov 2025Scrum passo a passo para implementação do Ágile MarketingGestão Dev & TI · jul 2020Scrum Gathering anuncia novidadesDev (Back & Front) · mai 2019Ver tudo em Gestão Dev & TI →, XP, entretanto, produzir programas com qualidade ainda tem sido difícil para muitas empresas.
Por isso, é essencial que as organizações entendam que a melhoria de processos de software é muito importante, pois vai auxiliá-las na diminuição de redundâncias, no aumento da produtividade e no aumento da capacidade de gerenciar seus processos organizacionais, além de reduzirem seus custos produtivos.
Alguns modelos de qualidade foram desenvolvidos com o intuito de conduzir a elaboração e a melhoria de processos de software, que possam efetivamente agregar qualidade aos produtos. O CMMI e o MPS.BR são exemplos de modelos desenvolvidos e que boa parte das empresas brasileiras estão buscando para certificarem a qualidade de seus processos e produtos. Como esta é uma realidade no mercado nacional, farei abaixo uma breve apresentação dos dois modelos e posteriormente uma comparação entre os mesmos.
CMMI
Não devemos achar que os problemas em relação à qualidade dos softwares ocorrem apenas nos tempos atuais. De acordo com o centro de pesquisa e desenvolvimento, SEI (Software Enginnering Institute), as primeiras demandas em relação à necessidade de um melhor controle dos processos de softwares foi originado pelo Departamento de Defesa Americano, pois devido à grande variação de custos e prazos nas entregas dos produtos por seus fornecedores, vinham provocando grandes transtornos. E foi a partir dessa necessidade que, em 1984, esse instituto foi criado e instalado dentro da Carnegie Mellon University com o desafio de promover avanço nas práticas da engenharia de software, melhorando a qualidade dos sistemas.
Um dos principais resultados obtidos com os estudos desenvolvidos pelo SEI foi a elaboração de um modelo que pudesse melhorar e classificar as organizações quanto a sua capacidade de produzir softwares dentro dos parâmetros de qualidade, produtividade e custos, surgindo assim o CMM Capability Maturity Model, que posteriormente, devido à necessidade de amadurecer a versão do modelo, em 2001 o SEI publicou o CMMI Capability Maturity Model Integration, visando melhorar alguns componentes da família CMM e da Norma ISO/IEC 15504.
O CMMI é um modelo de maturidade para desenvolvimento de software criado pelo SEI a partir da união de diversas avaliações do CMM. Esse modelo é estruturado em termos de áreas de processos que consiste em práticas relacionadas coletivamente satisfazendo um conjunto de objetivos oferecendo duas formas de abordagem diferentes para a melhoria de processos, conhecidas por modelo em estágio e modelo contínuo. O modelo por estágio descreve a ordem para a implementação de cada área de processo de acordo com os níveis de maturidade, definindo um caminho de melhoria para a organização de um nível Inicial (1) até o nível Otimizado (5). Já o modelo contínuo oferece uma abordagem mais flexível para a melhoria dos processos, permitindo a organização melhorar a qualidade de um processo específico ou trabalhar em diversas áreas de forma alinhada aos objetivos de seu negócio.
Em relação à avaliação de processos tendo por base o CMMI, pode-se utilizar o método de avaliação padrão para melhoria de processo (SCAMPI – Standard CMMI Appraisal Method for Process Improvement), que consiste em agrupar evidências objetivas que são coletadas pelo uso de instrumentos, apresentações, documentos, reuniões e entrevistas, que possibilita a detecção de pontos fortes e fracos de uma organização, além de poder ser usado para fornecer uma classificação referente ao nível CMMI em que a organização se encontra.
E o MPS.BR? Na parte 3 e final dessa série sobre as melhorias de qualidade, falarei um pouco sobre o MPS.BR e a estrutura dos dois modelos. Com isso, veremos uma comparação entre as estruturas, tentando ilustrar o objetivo de cada um dos modelos. Até lá!






