Duas coisas fizeram muita falta ao Google+ para que ele pudesse, como plataforma de rede social, alcançar um sucesso (nível de engajamento e número de usuários) semelhante ao obtido pelo Orkut e Facebook no Brasil: pioneirismo e uma proposta de valor reconhecida como necessária pelo público.
Diferente do Orkut, que nasceu com diversas vantagens de marketing por ser a primeira grande plataforma social brasileira em 2005, o Google+ surge num mercado saturado de plataformas concorrentes. Além das mais populares como Twitter e Facebook, existem atualmente milhares de outros sites que dão suporte à criação de redes sociais segmentadas.
Lembro agora o comentário feito por Mark Sullivan em um de seus artigos: “a maioria das pessoas não tem espaço em suas vidas para duas redes sociais”. Aproprio-me dele e prefiro ampliá-lo: a maioria das pessoas não vê necessidade e não tem tempo suficiente para cultivar duas ou mais redes sociais em plataformas distintas (Twitter, Facebook, Google+, Orkut, entre outras).
No final das contas – não havendo uma proposta de valor diferenciada por partes destas plataformas sociais -, a tendência, por uma questão de tempo e otimização do processo de networking, é que apenas uma delas seja priorizada (maior engajamento) e utilizada com maior frequência.
Uma prova disso é a popularidade de aplicativos que prometem postar no Facebook tudo aquilo que venha a ser postado no Twitter. Uma tentativa pouco útil – ou no mínimo dificilmente apropriada – de conseguir dar conta de duas redes sociais dentro de plataformas distintas.
Partindo deste entendimento processual e comportamental, fica fácil entender o sucesso do Orkut num primeiro momento e, em seguida, o sucesso do Facebook por trazer uma proposta de valor diferenciada e vista como necessária pelas pessoas.
Para não me estender listando funcionalidades, prefiro resumir dizendo que o Facebook trouxe como proposta um design superior, inédito e com foco em sociabilidade. Considere aqui a dimensão tecnológica inerente ao design, como diria Jobs: “o design não é apenas o que parece e o que se sente. Mas sim como algo funciona”.
A inovação constante faz do Facebook também um player muito mais forte que o Orkut. E se depender dos investimentos de Mark Zuckerbeg – acertadamente direcionados para algumas das plataformas que mais crescem no meio digital (Mobile, Search e Games) – a rede social só tende a crescer e surpreender seus usuários com boas novidades.
Para analisar o desempenho do Google+ neste cenário, não podemos deixar de considerar que ele não tem, a princípio, uma proposta idêntica ao do Facebook ou Orkut.
Essa é uma visão míope de quem não vem acompanhando o desenvolvimento do Google e de seus produtos. De acordo com o que disse o vice-presidente sênior de negócios sociais do Google, Vic Guntotra, em entrevista ao site americano Mashable, o Google+ pode ser social, mas é muito mais do que isso.
“O Google+ é apenas um upgrade para o Google. As pessoas têm dificuldade para entender isso. Acho que eles gostam de nos comparar com outros concorrentes do ramo e nos enxergam por essas lentes, ao invés de verem o que realmente está acontecendo: o Google está pegando todos os seus maravilhosos produtos e juntando-os, para que possam ficar ainda melhores”, conclui Guntotra.
Ou seja, a grande proposta de valor do Google+ é ser uma plataforma social integrada a todas as outras plataformas digitais utilizadas pelas pessoas dentro da web (detalhe: o Google tem produtos próprios para quase todas elas, sem falar naquelas inseridas dentro de seu Marketplace…).
O Google+ é, na verdade, mais um upgrade. Mais um dos produtos da suíte Google Apps, que é hoje vendida com a mesma proposta de valor, qual seja: a integração de um conjunto de soluções de comunicação on-line (cloud computing).
A integração traz vantagens: maior produtividade, colaboração, segurança e encontrabilidade das informações. Em se tratando de Business, é evidente o valor da integração.
É fácil justificar para o CTO de uma empresa que os benefícios de TI do Google Apps atendem às necessidades de qualquer empresa dentro deste departamento. Não é à toa que mais de cinco milhões de empresas utilizam a solução.
Contudo, para a maioria dos usuários de redes sociais no Brasil, esta proposta de valor do Google+ voltada para a Integração – ainda – não foi bem compreendida ou não lhes parece uma grande vantagem, visto que sua necessidade é, principalmente, a de interagir da melhor forma possível com seus amigos/familiares, compartilhar conteúdo e se divertir.
Sinceramente, acredito que levará tempo para o usuário comum entender que, por exemplo, ao escolher usar o Google+ como rede social, sua experiência de busca no Google.com.br será melhorada por conta da integração entre as plataformas.
Além disso, as pessoas tendem a utilizar o Google+ de maneira semelhante àquela como utilizam o Facebook e desta forma têm uma visão limitada da plataforma e não reconhecem seus diferenciais. Há uma questão cultural que ainda precisa ser superada e isto, a meu ver, é um dos objetivos de comunicação do Google.
Recursos como o Circles e o Spark são ótimos diferenciais, porque no Facebook você tem recursos semelhantes a exemplo das Smart lists, mas estas não são nativas do sistema e não estão tão bem integradas/centralizadas. De toda forma, ainda é difícil para o usuário médio desfrutar dos benefícios desses diferenciais. Para ser útil o Circles, por exemplo, exige dedicação de tempo para curadoria e o Spark ainda tem uma usabilidade pouco intuitiva.
Pessoalmente, meu recurso preferido é o Hangout. Acho que ele tornou a rede social muito mais atrativa e divertida. Confesso que acho o máximo participar dos projetos promovidos pelo próprio Google+ utilizando este recurso como, por exemplo, o Restaurante Week. É um dos momentos que acesso o meu perfil e interajo bastante dentro da plataforma.
Mas isto é algo pontual. Logo, logo já estou novamente com engajamento a mil no “Face”, onde [ainda] estão a maioria dos meus amigos e onde acabo ficando. Afinal, não dou conta de duas redes sociais…








