Todo mundo sabe o que está acontecendo no universo digital nestes últimos anos: mais pessoas conectadas, uso generalizado dos sites de redes sociais, ascensão da cultura do compartilhamento e ampliação dos recursos e sistemas de comunicação online.
O que ainda não se sabe muito bem é como tudo isso irá impactar o universo corporativo. Um dos principais aspectos que precisa ser revisto é a forma como lideramos e gerimos nossa empresa. Em seu best-seller – Liderança Aberta – Charlene Li nos alerta para o processo de inevitável abertura a que as empresas terão que se submeter diante desse novo universo digital:
“Conforme seus clientes e funcionários se tornam mais competentes no uso de tecnologias sociais e outras ferramentas emergentes, eles irão pressioná-lo para que você se torne mais aberto e desista do controle irrestrito”.
Ora, isso faz muito sentido. Cada vez mais, funcionários, clientes e parceiros das empresas querem opinar e ser consultados. E mais: eles sabem que têm o poder de ser ouvidos e se mostram descontentes caso não o sejam.

Ao não escutar e abrir mão do controle, você está perdendo não só novas ideias e insights de marketing, mas também a oportunidade de fazer novos laços sociais, gerar conversações em torno do seu produto e ter mais intimidade com o seu público proporcionando a eles a sensação de se sentirem parte da empresa.
Não há dúvidas de que é mais difícil liderar e tomar decisões sendo mais aberto. Isso é natural, afinal, as ideias, as políticas e os processos da sua empresa serão confrontados. Novas opiniões e conflitos terão que ser gerenciados. Além disso, em alguns momentos, informações importantes para o processo de tomada de decisão não poderão ser divulgadas – o que inviabiliza o processo.
Nem tudo pode ou vale a pena ser desenvolvido de maneira aberta; essa não é a proposta. Os questionamentos levantados aqui são os seguintes: estamos buscando uma maior abertura e nos perguntamos sempre se é possível? Estamos convencidos dos benefícios de abrir mão do controle os quais foram, há pouco, citados? Estamos consultando e escutando nosso público? Geramos valor a partir do que nos é falado e damos feedback? Buscamos ter uma relação de maior intimidade e a criação de oportunidades para nossos clientes (internos e externos) se sentirem parte da empresa? Sabemos desenvolver um processo de liderança e gestão mais aberta? Conhecemos as tecnologias disponíveis para gerar colaboração? Ou, pelo contrário, estamos evitando tudo isso, enfatizando aspectos negativos e tentando “remar contra a maré” diante de um processo que é inevitável?
Perdendo o controle na prática
Em termos práticos, eu não entendo, por exemplo, por que os colégios continuam deixando nas mãos de seus dirigentes a decisão de qual o uniforme estudantil será utilizado. Por que não consultar os alunos para isso, os quais são os principais interessados? Seria de muito mais valor se essa decisão pudesse ser tomada pelos próprios alunos.
O colégio poderia oferecer opções que fossem do agrado dos dirigentes e que estivessem de acordo com a identidade visual da instituição. Contudo, a escolha dentre essas opções seria feita pelos próprios alunos. A dinâmica para escolha poderia ser feita através de uma enquete no site ou através do botão curtir do Facebook. Imaginem agora quantos alunos poderiam acessar o site para participar ou as conversações que essa dinâmica poderia gerar nas mídias sociais e dentro do colégio. Sem falar o quão legal seria para os alunos poderem escolher o seu uniforme, se sentirem parte do colégio e saberem que foram escutados e considerados.
Perceba que o colégio não perdeu o controle da situação, mesmo abrindo mão de parte do mesmo. Seria possível ir até mais além e deixar que os alunos propusessem o layout e os dirigentes escolhessem dentre as opções que surgissem. Bastava, nesse caso, definir diretrizes e acompanhar o processo, incentivar com alguma premiação ou quem sabe oferecer um workshop de design para os alunos mais interessados.
Vejam que optar por um processo de decisão mais aberto de maneira responsável é exatamente o oposto de deixar as coisas acontecerem sem controle. Pelo contrário, é preciso estabelecer diretrizes, acompanhar o processo, orientar e promover uma relação de confiança entre as partes com foco em propósitos comuns.
Quer ter maior intimidade, mais fidelidade e engajamento por parte de seus clientes e equipe? Então, que tal compartilhar mais informações com eles, deixar que eles decidam algumas vezes, escutar e confiar um pouco mais?







