Quanto mais controle da informação, mais a realidade vai virando ficção – Nepô – da minha coleção de frases.
(Ainda refletindo depois do rico Workshop que coordenei em julho na Petrobras.)

Lá pelas tantas, surge a questão:
Como vamos nessa empresa 2.0 (tema do encontro) organizar a informação? É bom lembrar que uma empresa precisa de informação estruturada!
Uma tema pra lá de interessante, pois vivemos hoje uma macro-crise informacional, que a Internet está tentando ajudar a minimizar.
Qual é a crise?
Excesso de informação.
Foi esse o motivo que levou pesquisadores depois da II Guerra a criar a Ciência da Informação, que veio tentar ajudar a colocar teorias, conceitos e formar profissionais para lidar com esse problema.
A área veio na aba de Paul Otlet, que defendia que a informação deveria estar a serviço das necessidades dos usuários.

Assim, ao nos perguntarmos para onde vai a Gestão da Informação nas empresas, é fundamental que coloquemos a pergunta da perspectiva certa.
O que os usuários querem hoje e como vamos atendê-los?
Nossa macro-crise de excesso de informação é um processo crônico, desde que o ser humano apareceu na terra, agravado pelo aumento da população, que cresceu seis vezes nos últimos 210 anos.
Assim, as soluções encontradas, hoje, ontem e (serão) amanhã são sempre as mesmas: novas tecnologias e novas metodologias para lidar com essa informação aos borbotões.
A Internet, que é o modelo vigente para superar a crise, tem nos mostrado que:
- não dá mais para ter alguém controlando os fluxos;
- o usuário tem que ajudar a classificar a informação, dando de forma voluntária e involuntária “vida” a ela;
- a recuperação não pode mais ser feita a partir de bases arrumadas por alguém, mas através de ferramentas cada vez mais inteligentes que incorporam o trabalho dos antigos “gatekeepers” (protetores dos dados, numa tradução bloguiana), passando o serviço para uma Inteligência cada vez mais artificial, baseada na Inteligência Coletiva de quem usa.

Quais fatores nos levam para essa mudança radical?
O volume da informação x o tempo de consumo da mesma (muita areia para pouco caminhãozinho).
Ou se inventa uma outra forma de se lidar com tudo isso, ou o usuário fica parado sem conseguir produzir e viver.
Portanto, a ideia de que na Internet teremos uma desestruturação, mas nas empresas será diferente, me parece um mito, um sonho dos tecnofóbicos.
O que deve ser perguntado é: a desestruturação da Internet está minimizando o problema dos usuários?
O Google é eficiente?
Se eu colocar um Google na empresa resolve ou minimiza o problema?
Vejam que nas empresas temos um problemão nessa direção.
As informações não são estruturadas como se gostaria, pois as pessoas vão produzindo à sua maneira, que é uma característica humana, ainda mais de quem não tem tempo.
E fica o pessoal da informação correndo atrás para mudar o que não vai se conseguir mudar.

Ao se tentar implantar uma busca a “La Google”, por exemplo, a coisa falha.
Sabe por quê?
O Google recupera com qualidade, a partir das “dicas” involuntárias dos usuários, ao clicar e navegar.
Um Google em um lugar em que não há clique de usuário para saber o que é mais relevante é simplesmente um nada.
É uma ruputura no conceito de classificação e recuperação.
A ideia toda que fez o Google ser o que é foi a virada cognitiva fundamental para resolver o impasse informacional do século XXI.
Se o usuário não entrar na roda, ajudando a classificar a informação cada vez mais, babau total no mingau! 🙂
O impasse da gestão da informação das empresas, assim, a meu ver passa a ser:
- a maneira de pensar dos profissionais da informação, que estão com a cabeça pré-internet;
- a necessidade de se implantar – urgente – bases de dados colaborativas, nas quais os usuários possam ver tudo e clicar em tudo para ganhar relevância (sugiro ler este post);
- e colocar um “Google” para “estruturar” de uma nova maneira, não da maneira passada, com um gestor, mas agora com milhares deles.
(Obviamente que é possível, como sempre foi, ao se cadastrar um documento, ter formulários [até com taxinomia] que permitam ajudar, ao máximo, o “Google corporativo”, mas isso tudo é colocado também à disposição do usuário para ajudar.)
O profissional da informação 2.0 deixa assim de ficar olhando documentos, estruturas e passa a se preocupar com comunidades, robôs e melhorar os algoritmos para que as buscas estruturantes sejam cada vez mais eficazes.

É outra maneira de agir e pensar, mas com o mesmo objetivo do velho e visionário Otlet: ajudar a sociedade a lidar da melhor maneira possível com essa massa informacional.
Concordas?







