DevSecOpsARTIGO

Eleições e o Cyber Eleitor

Estamos em ano eleitoral e teremos um processo um pouco diferente: 2010 será – ou melhor, já está sendo – marcado pelo forte uso da Internet, com grande influência, claro, do processo eleitoral americano e a eleição de Barack Obama, que teve, na internet, uma ferramenta importantíssima para o sucesso da campanha. 

Diferenças à parte entre as eleições americanas e as nossas, está claro que a internet trouxe bastante mudanças. Entre elas, o fato de que os candidatos terão que aprender a realmente conversar com seus eleitores. E não falo apenas no ambiente online, mas é fato que é aqui, na web, que os candidatos iniciantes ou que tiverem uma verba menor de campanha terão a grande oportunidade de falar e apresentar a si e às suas propostas e ideias. Mas qual o papel do eleitor nesse processo que ganha, agora, um novo aliado de campanha – a web?

Evidentemente que o show inicial é dos marqueteiros. Com uma ferramenta de comunicação como a Internet, as páginas dos candidatos vão contar maravilhas dos mesmos. É muito fácil colocar pequenas mentiras ou meias verdades ou induzir o eleitor ao erro, mas sempre em benefício do candidato.

Em função dessa possibilidade o eleitor deste ano, que será um Cyber Eleitor, deverá ler tudo, mas sempre com um pé atrás. A questão é que, se o eleitor está lendo sobre o candidato que lhe é simpático, ele está emocionalmente envolvido, e tudo que se escreve falando bem do candidato, este eleitor acredita que é verdade. Tudo que for escrito questionando o candidato, este eleitor não acredita e assume de cara que são mentiras e intrigas sobre o seu candidato. Precisamos ser frios e analisar cada situação.

Da mesma forma que devemos questionar as mensagens (já sabidamente falsas) que recebemos de bancos, da justiça eleitoral, de programas de televisão e de outros remetentes, também devemos questionar as mensagens que nos chegarão sobre candidatos e sites que nos serão indicados. Aliás, é preciso prestar especial atenção a sites que acusam candidatos adversários. Lembre-se de que opinião é diferente de calúnia, injúria e difamação, situações que, no Brasil, são passíveis de penalidades previstas em Lei.

Nós, simples mortais eleitores, precisamos ter alguns cuidados básicos:

  1. Avalie a veracidade de mensagens de correio eletrônico que você recebe. Quando forem citadas reportagens de órgãos da imprensa, procure a fonte original: link ou data de publicação. Muitas notícias que chegam via mensagens de correio eletrônico não existem, porém impressionam porque citam órgãos da imprensa estrangeira.
  2. Cuidado ao repassar mensagens. Como dito no item anterior, você pode receber uma mensagem de conteúdo falso e, na medida em que  repassar para seus amigos, você é co-autor da mentira e do possível crime contra a honra. Ou, no mínimo, você vai ficar com a fama de CyberIdiota.
  3. Ao expor sua opinião, fale da sua opinião. Ataque a opinião dos outros, mas não ataque a honra dos outros. Cuidado para não escrever palavras que podem ser tomadas como crime contra a honra de um candidato.
  4. Se você vai se cadastrar em um site político, eu recomendo que você crie um e-mail específico. Com certeza você irá receber uma grande quantidade de propaganda no endereço que você cadastrar e não fica bem ter a caixa de correio eletrônico do seu trabalho cheia, talvez te impedindo de receber mensagens profissionais.
  5. Ao armazenar imagens (charges, fotos, símbolos) ou qualquer elemento disponível da Internet e depois repassar ou utilizar em apresentações, tenha a garantia de que esse material permite que você o utilize sem restrições. Evite ser indicado por crime contra direito autoral e direito de uso de imagem ou de texto.
  6. Ao responder um e-mail comentando/criticando algo, não envie de imediato. Espere um tempo, releia, revise e verifique se os termos que você está utilizando não vão exigir que você tenha que mandar posteriormente outro e-mail, para todos os copiados do primeiro, dizendo “peço desculpas. Eu não quis dizer isso”. Isso também vale para suas páginas em redes sociais e no seu Twitter.

Vamos aproveitar o bom uso da Internet e suas ferramentas. Inclusive, não se esqueça de mandar um e-mail para você mesmo indicando os candidatos em quem você votou.

Por quê? Ora, você se lembra em quem votou na eleição passada? E na retrasada?

é Consultor e Professor de Segurança da Informação em MBAs. Possui as certificações internacionais CISM, CISA e CRISC. Possui Mestrado em Tecnologia e Bacharelado em Informática. É autor dos livros Clicando com segurança (Brasport), Praticando a segurança da informação (Brasport), Segurança da informação: o usuário faz a diferença (Saraiva) e Vivendo a segurança da informação (Sicurezza).

Ver perfil