A função da Ciência é explicar o mundo – Marcelo Gleise – da minha coleção de frases.

Se existe algo que vai demorar, mas vai mudar é o fazer científico.
Antes da Internet, para se publicar era preciso garantir um espaço em uma publicação (de papel) acadêmica.
O artigo era analisado pelos pares.
Aprovado, diagramado, impresso, distribuído, lido e, quando interessante, citado em uma outra revista, que passava pelo mesmo processo.
Comentários de estranhos?
Nem pensar!
Um modelo colaborativo – de fato – mais lento e limitado.
O tempo da Ciência era um, mas está incompatível com o ritmo de um mundo turbinado por 7 bilhões de almas demandantes de soluções criativas.
Assim:
- Antes, se editava para publicar;
- Hoje se publica para editar;
- E quem edita é o mesmo que lê.
Dirão os tradicionalistas:
Com que autoridade?
Dos mesmos filtros humanos, que podem recomendar os mesmos artigos, porém não mais ocultos ou rejeitados, mas todos em uma revista on-line colaborativa, a critério dos editores.

Nesse critério de filtros:
- Doutores e pós-doutores podem ter um peso maior;
- Mestres, outro;
- O público leigo, outro.
Lê quem quer, o que quer, quando quer, a partir do critério que escolher, seja por critérios de crítica (pares) ou de público (leigos).
A Ciência ganha em democracia, transparência e possibilita que um artigo hoje rejeitado, mesmo com problemas, possa ser lido e até revisado, no processo, pelo autor, a partir das críticas, com interesse relevante para um grupo restrito.
As ideias de consolidação e validação mudam, pois o digital permite que os dados depositados ganhem movimento, como um pão num lago de peixinhos.

E os blogs?
Os blogs são o espaço adequado para a publicação das intuições dos cientistas.
Hoje, uma coisa que falta, tanto pela prática de criatividade, como de compartilhamento com a sociedade de suas ideias, que ficam lacradas em um mundo “deles”.
Esse tipo de prática não é mais compatível com as necessidades humanas.
É um lugar especial para o exercício mental, no qual as ideias verdes, verdinhas, vão saindo para quem quiser ler e acompanhar.
Para quem quiser ajudar e comentar.
É uma pré-ciência ao vivo e a cores.
Sem compromisso direto com o resultado final.
Uma pré-consolidação necessária.
Lê quem quer e quem precisa!!!
Se a pré-elaboração interessa a alguém no mundo?
Que esteja disponível on-line!
Quem quiser esperar pelo final, que não vá ao blog dele, que espere, mas dê o direito de quem quer ir, que vá!
Ou seja, é um espaço privilegiado para produção de “insights”, úteis para aqueles que de alguma forma se nutrem das ideias daquele determinado blogueiro acadêmico.

É Ciência?
Sim e não.
Não é, porque ainda é insight.
Tem que ser vista com reserva.
Mas é, pois toda ciência começa do insight.
O que não se pode é parar no insight.
Ou não se ter nunca insigts.
É uma grande oportunidade para ir se validando, ganhando corpo, em processo, sendo debatida, crescendo como um bolo, com a padaria aberta aos olhos dos interessados.

É um retorno a um neo-iluminismo, da produção individual, mesmo que repleta de coletividade.
Já disse aqui e ali que os grandes cientistas do passado foram blogueiros sem blogs.
Pois quem quer chegar a verdade, não para de pensar, de refletir e nada melhor que uma página em branco, olhos e pessoas para compartilhar suas ideias.
Todos ganham.
Este é e sempre foi e deve ser o espírito da Ciência: à procura da verdade.
O resto é visão turva?e cortinas do passado.
Que dizes?







