DevSecOps

25 jun, 2015

Abrir o código: um relato pessoal

100 visualizações
Publicidade

Um dia fui desenvolvedor. Profissional, com diploma e carteira assinada. A vida tem seus mistérios e com o tempo acabei migrando para a administração de sistemas, depois para a administração propriamente dita, e o resultado disso é que poucas vezes contribuí diretamente com código para algum projeto open source, apesar de estar envolvido nessa cena desde 1996.

Houve algumas exceções, incluindo o código de extensões para outros programas e um sistema de configuração para conexões PPP discadas, ainda nos tempos heróicos em que conectar um PC com Linux à Internet era uma tarefa muito complicada.

Minha contribuição ao longo desses anos sempre foi mais como cronista e disseminador de informações, eventualmente como palestrante, às vezes como colaborador financeiro com um ou outro projeto especialmente meritório e necessitado.

A maior parte da minha contribuição ocorre por meio do site BR-Linux, onde já compartilhei o que me levou recentemente a abandonar o sistema WordPress (mais o MySQL) que o mantinha no ar, migrando para um gerenciador de conteúdo baseado em arquivos HTML estáticos.

A mudança teve o resultado desejado, fácil de medir pelas consequências diretas: a carga do servidor de hospedagem, que costumava ficar acima de 80%, agora costuma ficar abaixo de 5%. Em decorrência das mesmas causas, as páginas carregam bem mais rápido no navegador dos usuários. Em decorrência disso, os sites de busca aumentam o ranking do site. Em decorrência disso, mais usuários chegam ao site todos os dias.

Há um detalhe importante e central à minha narrativa de hoje: o gerenciador de conteúdo em questão foi feito por mim mesmo, em mais horas de desenvolvimento individual do que eu devo ter realizado nos últimos 5 anos somados. Ele está publicado, caso você queira conhecer: é o Axe. O código em si reflete o que eu sabia de PHP na época em que ainda era profissional da área, e certamente ainda poderá ser refinado, mas no momento já me atende.

O resultado pessoal para mim foi que o meu site agora carrega mais rápido, demoro menos horas semanais com tarefas de manutenção e me sobra mais tempo para escrever, além de ter reduzido o custo de hospedagem etc. Mas desde o começo do projeto eu tinha uma intenção adicional: disponibilizar o produto e seu código-fonte, para mais interessados. Eu cumpri essa meta, como você pode confirmar na URL acima. Entretanto, agora que já fiz, posso compartilhar com vocês: disponibilizar código-fonte de um projeto próprio é mesmo um exercício de humildade e de paciência. Humildade porque fica tudo exposto: nossos erros, artifícios técnicos, uso de recursos desatualizados, inconsistências e outros atributos que podem estar presentes em um código sem impedi-lo de funcionar. Paciência, porque embora contribuições ao projeto sejam escassas (e nem acho que precisariam estar presentes), não falta gente para criticar a escolha da licença livre adotada (Apache), do nome, dos parâmetros de chamada, da interface de usuário etc.

São feedbacks bem-vindos, mas quem resolve compartilhar o código de um projeto pessoal fará melhor se estiver preparado para eles. Ainda assim, tem sido uma experiência divertida e eu particularmente recomendo!