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WebOS e o perigo da extinção das equipes de desenvolvimento

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Nascido em 2009 para ser a “nova geração” que sucederia o clássico Palm OS (então prestes a completar quinze anos), virou aposta no segmento dos tablets quando a empresa que o desenvolvia foi adquirida, apenas para ver o único tablet lançado com ele ser cancelado poucas semanas após chegar às lojas.

Mas o cancelamento dos únicos dispositivos que o usavam não foi o fim da sua existência: meses após a notícia, chegou a novidade de uma nova chance. Como vimos anteriormente, foi anunciado que seria aberto e disponibilizado ao público o código do sistema operacional, de seus aplicativos e das ferramentas de desenvolvimento associadas; e que a equipe de desenvolvimento continuaria sendo paga para mantê-lo durante esta transição até que o produto ficasse completo e pudesse ser mantido por uma comunidade de interessados.

Um dos principais focos desta equipe era o Enyo, framework JavascriptJavaScript116 conteúdosJavaScript em 2020: O que esperarDev (Back & Front) · jan 2020Campos públicos e privados em classes JavaScript – O que vem por aí no ESNextDev (Back & Front) · abr 201929 anos de JavaScript!Dev (Back & Front) · jan 2025Ver tudo em Dev (Back & Front) essencial para os aplicativos do WebOS, mas cuja grande sacada era ser multiplataforma, permitindo que os apps desenvolvidos para ele rodassem também em outros sistemas operacionais móveis populares e em navegadores desktop, como o Chrome, IE e Firefox.

Algumas versões do código do Enyo chegaram a ser disponibilizadas, mas quando tudo parecia ir bem, a sina do WebOS se repetiu na forma de mais uma má notícia à sua continuidade: dessa vez, na forma da contratação, pelo Google, de boa parte dos principais nomes da equipe que mantinha o Enyo.

É fácil entender os motivos: o Google tem interesse tanto em sistemas operacionais móveis (incluindo o seu Android) quanto em aplicativos web multiplataforma; e os profissionais em questão, trabalhando em um projeto com pouca perspectiva de gerar lucros diretos, devem ter percebido que seu futuro estava em perigo e valia a pena procurar outras alternativas.

Também repetindo o histórico do WebOS, logo veio a notícia de que não foi o fim definitivo: os funcionários que sobraram na equipe de desenvolvimento original divulgaram que redobraram seus esforços e a empresa anunciou oficialmente que está incluindo novos integrantes na equipe, permanecendo comprometida com o cronograma original, que previa completar a disponibilização do sistema até setembro.

O exemplo é 100% corporativo, mas evidencia um risco de governança que afeta potencialmente todo projeto de desenvolvimento aberto ou cooperativo: a possibilidade de algum projeto concorrente conseguir atrair não apenas um ou outro talento da sua equipe, mas sim um conjunto deles simultaneamente. Esse tipo de impacto é muito difícil de absorver porque leva consigo não apenas o conhecimento, mas também a cultura e até o impulso do projeto.

Além de torcer pela continuidade do WebOS depois de mais este revés, aproveito a oportunidade para sugerir a reflexão sobre quais os elementos que mantém coesas as equipes dos seus projetos de desenvolvimento, e quanto eles estão aptos a reter seus talentos em um mercado onde não faltam projetos promissores!

trabalha com Planejamento Estratégico e Gestão. Previamente, atuou profissionalmente como gestor de TI e, no campo tecnológico, como administrador de rede e sistemas, desenvolvedor web e na área de pesquisa e desenvolvimento em automação de telecomunicações. Tem participação atuante na comunidade Linux brasileira desde 1996, mantendo o site BR-Linux. Também escreve para o blog do developerWorks Brasil, da IBM, e para outros sites e periódicos impressos. Também é fundador e mantenedor do Efetividade.net, dedicado à produtividade pessoal. No twitter, é @augustocc.

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