DevSecOpsARTIGO

A nova escrita

Toda vez que a invenção é arbitrária, ela não sobrevive – Ferreira Gullarda minha coleção de frases.

Em dezembro estive na palestra de Artur Matuck, pesquisador da USP, na UFRJ, a convite da Bia Martins.

Matuk é um pesquisador que reúne duas qualidades difíceis hoje em dia: criatividade e humildade.

Ou seja, é aquela pessoa que consegue ver um cenário maior, mas não se deixa levar pela sua peculiar e rara capacidade cognitiva, querendo aparecer mais do que suas ideias.

Lembra um pouco o que o rabino pós-moderno Nilton Bonder alerta e sugere:

Não é fácil ser dotado de inteligência e consciência e não se asfixiar no próprio ego.

De forma simples, foi apresentando o que para ele, com uma lógica clara, será a escrita do futuro da escrita.

Hoje, digitamos em processadores de texto.

Amanhã, digitaremos em processadores de matrizes – máquinas dotadas de Inteligência Artificial.

Citou:

Relação simbiótica homem-máquina segundo James Pulizzi:

Os computadores têm sido programados para desvendar mensagens cifradas, para converter textos em fala, para conduzir analises gramaticais e parseamentos de enunciados humanos, para gerar fontes e inclusive para desenhar circuitos eletrônicos patenteáveis. Ver mais aqui.

E ainda:

Apesar de tais limitações, o computador é uma excelente extensão de áreas deficientes da cognição humana, tais como classificar listas extensas, realizar cálculos, armazenar e recuperar dados e corrigir erros. Se esses recursos puderem ser combinados com a superioridade humana no reconhecimento de padrões, na adaptabilidade, no processamento natural da linguagem e na habilidade de distinguir informações relevantes das irrelevantes, o computador e o humano podem adquirirem uma relação simbiótica potencialmente poderosa.

Loucura?

Realidade?

(Viraremos poetas de máquinas, que produzirão infinitamente poesia por nós. Estranho?)

Estas máquinas poderão, no futuro, em seu desdobramento:

  1. compreender em poucas palavras onde queremos chegar e desenvolver um texto próximo ao nosso estilo de escrita;
  2. comparar o que estamos escrevendo, em rede, para saber se estamos repetindo o que outros já disseram, talvez, com mais propriedade;

Nesse futuro provável a complexidade do mundo nos levaria a reduzir a perda de tempo com textos repetitivos e estaríamos todos procurando novos “textos-matrizes”, aqueles que as máquinas não poderão (ainda) nos ajudar.

Ou seja, o que valerá não é o que se repete, mas o que se cria de realmente novo, pois o repetido o robô resolve, seja indicando algo igual, ou desenvolvendo, a partir da matriz.

Pelo que entendi, esta é a base do que apresentou Matuk, que me disse ao final que sua vontade agora é publicar suas ideias em um livro, deveria.

Deveria, aliás, ter também um blog ativo, mas?

Como abstração, podemos dizer algumas coisas:

Matuk reforça a ideia, numa avaliação minha particular, que a tal Web 3.0, ou a pós-Web será toda baseada na Inteligência Artificial e na relação homem-robôs, inaugurando um novo ambiente informacional, principalmente, quando tivermos tudo massificado.

A ideia dele reforça a teoria da tese do Moreno,na tese dele dos blogs do “eu vi”, aqueles que  repetem o que viram por aí e o “eu acho”, que opinam sobre determinado assunto.

Dentro do campo do “eu acho”, teríamos quem acha, mas repete outras mentes. E aqueles que acham fora da caixa, que seriam os mais valorizados, pois colaboram com novas visões. E criam novas matrizes para robôs poderem desenvolver em cima.

(No fundo, os grandes poetas e pensadores sempre fizeram isso. Influenciaram com seu estilo uma legião de seguidores!)

Essa ideia coopera ainda com o avançar da nossa civilização para a sociedade da inovação acelerada, termo que prefiro ao da sociedade do conhecimento, da informação, etc?

O que já faz e fará a diferença é a nossa capacidade de termos assistentes que nos deixem trabalhar cada vez menos em tarefas repetitivas e redundantes.

As redes sociais, no fundo, têm essa função.

Hoje, apelamos para a colaboração humana.

Amanhã, além dela, e no seu limite, apelaremos para a colaboração dos robôs.

E você o que diz?

é Consultor estratégico de Internet, incentivador de inovação disruptiva digital, publica originalmente em nepo.com.br e divulga no Twitter @cnepomuceno (Twitter) e facebook.com/carlos.nepomuceno, além do canal do Youtube: http://www.youtube.com/user/cnepomuceno

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