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Como a Figma deu a 60 PMs um repositório de IA com 31 habilidades

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Em resumo

O growth PM Ezra Mechaber transformou seu setup pessoal de Claude Code em PM OS, hoje usado por 60 a 70 colegas na Figma, e criou o AutoXP, um agente que roda experimentos de crescimento com apenas um checkpoint humano.

O problema antes do PM OS

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Junto com outros dois PMs, Ezra pegou esse setup pessoal e virou um repositório compartilhado: o PM OS. A entrevista, concedida ao podcast How I AI, de Claire Vo (Lenny's Newsletter), publicada em 2 de novembro de 2026, detalha como esse repositório passou de experimento de corredor para infraestrutura usada por 60 a 70 PMs dentro da Figma.

Preguiçoso nos lugares certos.

Ezra Mechaber, PM de growth na FigmaLazy in the right places.

A frase resume o objetivo declarado por Ezra: automatizar o trabalho repetitivo e burocrático para sobrar energia para decisão de produto, não para operar ferramenta.

Por que é um repositório, não um produto

O detalhe que mais interessa a quem pensa em escalar práticas de equipe é a escolha deliberada de formato: PM OS é um repositório de código, não um produto interno com interface polida. Ele é composto por "skills" (blocos de prompt e automação reutilizáveis que o Claude Code executa), hooks que disparam ações automaticamente e sub-repos privados para times que precisam de contexto específico sem expor tudo para a empresa inteira.

Segundo o relato de Ezra, as skills passaram por um processo de curadoria dura antes de chegarem às 31 que sobreviveram: foram construídas, "roasted" (criticadas sem dó pelos próprios colegas PMs) e cortadas até sobrar só o que de fato se usava no dia a dia. Esse processo de seleção importa mais do que o número final: um repositório de IA para time só funciona se alguém tiver coragem de matar a skill que parecia boa na teoria e não pegou na prática.

As skills que tomam conta do dia a dia

Na demonstração, Ezra mostra um conjunto de usos concretos que foram do individual para o padrão da equipe:

  • Uma skill de "chefe de gabinete" que ele roda seis vezes por dia só para domar o volume de mensagens no Slack;
  • Uma rotina de bug bash que usa o Codex para encontrar problemas que ele, segundo o próprio relato, nunca pegaria sozinho revisando manualmente;
  • Integrações com o servidor MCP do Figma e com o FigJam para gerar artefatos de build direto a partir de especificações;
  • Skills de coaching, pensadas para ajudar PMs menos experientes a estruturar decisão sem depender de um mentor disponível o tempo todo.

Houve também uma transição de interface: o time começou operando tudo via terminal e migrou para um front-end↳Front-end60 conteúdosFront-end em larga escala: quando seu projeto vira um Frankenstein (e como evitar)Dev (Back & Front) · mar 2026Build e bundling no front-end: 7 decisões que impactam performance de verdadeDev (Back & Front) · abr 2026Como modelar APIs pensando no front-end: 8 práticas para evitar retrabalho entre timesDev (Back & Front) · abr 2026Ver tudo em Dev (Back & Front) → web local, tornando o repositório acessível a PMs que não tinham familiaridade com linha de comando. Esse detalhe é o tipo de decisão de produto que normalmente fica invisível em cases de IA: a tecnologia por trás pode ser a mesma, mas sem uma camada de interface acessível, 31 skills viram ferramenta de uma pessoa só.

AutoXP: o agente que roda experimento com um checkpoint humano

A peça mais ousada do sistema é o AutoXP, descrito como um "growth PM automatizado". A proposta é que o agente conduza um experimento de crescimento de ponta a ponta, com apenas um ponto de checagem humana no meio do processo, em vez de um PM revisando cada etapa manualmente.

O resultado citado no episódio é direto: o primeiro experimento rodado pelo AutoXP já trouxe uma vitória grande para o time. A fonte não detalha a métrica nem o tamanho exato do ganho, então vale tratar esse dado como qualitativo, não como benchmark replicável.

O que interessa mais para quem desenha processo de produto é a arquitetura de controle, não o resultado pontual. Um checkpoint único implica uma aposta: o agente tem autonomia para decidir desenho de teste, segmentação e análise de resultado, mas existe um momento específico em que um humano precisa validar antes de o experimento seguir ou ser publicado. O episódio não detalha exatamente o que esse checkpoint cobre (se é aprovação de hipótese, de amostra ou de decisão final), e essa é uma lacuna real do material: a pergunta que fica para quem for copiar o modelo é onde, exatamente, colocar o próprio checkpoint.

O assistente de escrita que virou parte das reuniões

Paralelamente ao AutoXP, Ezra construiu com o Jev um assistente de escrita em tempo real. Segundo a pauta do episódio, essa ferramenta passou a acompanhar praticamente todas as reuniões de Ezra por duas semanas seguidas, sugerindo texto e estrutura enquanto a conversa acontecia.

O caso ilustra um padrão que aparece em outros episódios do mesmo podcast (como a conversa anterior sobre como usar o Jev na prática, também publicada na Lenny's Newsletter): ferramentas de IA generativa para texto estão migrando de "editor assíncrono" para "copiloto síncrono", presente dentro da própria reunião, não só depois dela.

O que fica em aberto

O modelo da Figma é consistente em um ponto: toda automação relevante guarda um ponto de intervenção humana, seja no bug bash com Codex, seja no checkpoint único do AutoXP. Isso é diferente de simplesmente "dar IA para o time" sem desenho de processo.

Mas o relato também deixa claro que esse sistema nasceu de baixo para cima, de um setup pessoal que virou cultura, e não de uma decisão de liderança de produto imposta de cima. Para quem lidera um time de produto menor, a pergunta que vale levar daqui não é "que ferramenta copiar", e sim: qual seria a única etapa do seu processo de growth em que você não abriria mão de aprovar antes de o experimento ir ao ar?

Fonte: Lenny's Newsletter

Highlights

  1. PM OS: repositório com 31 skills usado por 60 a 70 PMs na Figma
  2. AutoXP roda experimentos de growth com apenas um checkpoint humano antes da publicação
  3. Skills rodam seis vezes por dia para gerenciar Slack e encontrar bugs com Codex
  4. Assistente de escrita em tempo real com Jev acompanha reuniões de product managers
  5. Sistema nasceu de setup pessoal de Ezra Mechaber e virou infraestrutura coletiva

Este artigo foi escrito por Marina Pires, colunista de produto digital. Conteúdo produzido por agente de IA da redação iMasters, sob revisão editorial humana. Saiba como produzimos no expediente.

Marina PiresColunista

Especialista virtual de produto digital. Vive na fronteira entre discovery e delivery: como um produto foi concebido, que decisão de produto está por trás de um lançamento, o que a pesquisa dizia antes de o roadmap decidir. Desmonta produto dos outros como quem abre relógio: por que esse fluxo é assim, o que esse redesign diz da estratégia, o que dá pra levar pro seu produto. Cobre o território de Marty Cagan, Teresa Torres e Lenny Rachitsky para o leitor BR, que quase não tem referência de produto em português.

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