Leia o primeiro artigo da série
Universidade corporativa e Gestão do Conhecimento pode?
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Amigos leitores, muitos de vocês pediram e então resolvi escrever um pouco mais sobre Educação e Universidade Corporativa. Parece que este assunto despertou muitos comentários e pretendo explorá-lo mais um pouco. Continuem criticando, enviando sugestões e dando notas para nossos textos, agradeço sempre. Através deste retorno estamos sempre crescendo.
Introdução
Ora, por que a organização não poderia participar da formação de seus membros? Neste trabalho de formação a empresa pode crescer, desenvolver a sua responsabilidade social e aumentar o conhecimento de seus funcionários. Seria bastante positivo, pois sabemos que, oriundos de variadas áreas, eles trazem consigo a sua própria experiência e ao reparti-la com seus colegas poderão gerar novos valores, gerando novos conhecimentos.
Educação Corporativa
A educação corporativa possui alguns elementos que merecem a nossa atenção, que são as competências institucionais e individuais. A competência institucional se refere ao conjunto de elementos que fazem a organização “funcionar”, ou seja, o somatório de habilidades, conhecimentos, e podemos incluir até as atitudes dos seus integrantes. A individual, como o próprio nome já diz, se refere ao conjunto de elementos que cada funcionário possui como, por exemplo, seus conhecimentos e habilidades. Com estas informações podemos mapear e identificar as principais áreas do negócio da organização e desta forma direcionar corretamente a implantação de seus planos educacionais, ou seja, ela ir de encontro direto ao planejamento estratégico anteriormente definido.
De grande importância também é o modelo de gestão proposto, pois dele surgirá o direcionamento da capacitação desejada. Para a organização deverá estar claro para onde o seu plano educacional deverá chegar, ou seja, metas definidas visando os objetivos do negócio.
Segundo alguns autores, outro fator importante na educação corporativa é o fato de ela ultrapassar as fronteiras da organização, abrangendo também clientes, fornecedores e até a sociedade, quando o objetivo maior a ser atingido é direcionar suas forças nas metas empresariais e obter vantagem competitiva junto ao mercado. E isto ocorre por meio de uma ação integrada entre todos os envolvidos, ou seja, a organização é influenciada pelos seus clientes (em suas relações comerciais), fornecedores (produtos e serviços adequados) e pela sociedade (consumidora). Com os “inputs” destes três elementos é possível identificar as áreas que poderão ser melhoradas, desenvolver melhores ou novos processos e com isso ajustar as suas competências institucionais, que conseqüentemente poderão influenciar a própria educação corporativa.
Uma diferença interessante a observar entre a educação tradicional e a educação corporativa é que a primeira possui currículo e corpo docente fiscalizado por órgãos oficiais do país e a segunda possui currículos informais, adaptados à realidade das empresas e do mercado, possuindo em seu corpo docente profissionais que trabalham, no seu dia-a-dia, com aquilo que ensinam. Outra grande diferença é que na educação tradicional o ensino é baseado em conceitos acadêmicos levando seus alunos ao estudo e pesquisas, mas de uma forma temporária. Ou seja, acabou de lecionar a matéria, o ensino pára neste ponto, não há prosseguimento. Já na educação corporativa o ensino é contínuo, direciona seus alunos a pensar, a criar, a se preocupar com o mercado e suas mudanças, a ver na prática o que é ensinado. Daí podemos imaginar o quão produtivo poderá ser o resultado deste esforço.
Universidade Corporativa
O início de tudo está no planejamento da Universidade Corporativa e na obtenção de apoio da alta administração. Em paralelo, deve-se pensar no modelo de ensino desejado, de forma que atenda às necessidades da organização, mas mesclando em parte com o ensino tradicional. Atentar para a importância de se trabalhar em programas estruturados e sob medida para cada empresa, de forma que atenda seus negócios, suas estratégias e metas, enfim o seu próprio universo.
Existem inúmeros casos de empresas que trabalham com áreas altamente técnicas, como por exemplo, aviação, química e petróleo e que constatam carência de profissionais “super especialistas” no mercado. Para suprir este espaço, algumas empresas passaram a contratar recém-formados e já os encaminha a sua universidade para dar continuidade de seu aprendizado, apoiado por um currículo adaptado a sua realidade. Podemos citar como exemplos destes casos: Petrobras, IBM, Embraer e Vale do Rio Doce.
Outro fator importante a ser analisado são os custos envolvidos. É necessário um planejamento dos recursos financeiros para que não haja interrupção do ensino. Isto pode ser feito com recursos próprios e com as parcerias. Uma parceira bem comum é a própria universidade tradicional; várias já possuem cursos já formatados para este fim.
Vários casos de sucesso já foram citados no artigo anterior, mas podemos acrescentar mais estes: o Instituto de Tecnologia Empresarial (ligado ao grupo Amazônia Celular e Telemig celular), Votorantim Cimentos e a Vale do Rio Doce (Vale).
Conclusão
Temos, de um lado, um grupo de funcionários dispostos a crescerem, vivendo cenários reais e objetivos comuns no seu aprendizado. De outro lado, temos os empresários conscientes do seu papel social, conseguindo visualizar o lucro junto com o crescimento de sua empresa, conscientes de que os recursos financeiros envolvidos provavelmente trarão retornos satisfatórios, especialmente em vantagem competitiva. Empresas que trabalham com esta ótica, com renovação contínua e capacitação de seus funcionários com certeza têm maior possibilidade de reter seus talentos.
Todos são responsáveis pelo sucesso da educação corporativa, desde a alta direção, com suporte a todo o processo e apoio financeiro, até os demais participantes, todos envolvidos no objetivo comum de se desenvolverem e, com isso, levar a organização a novos patamares, fortalecendo, também, o seu conhecimento interno.
Firmando parcerias entre as organizações e a as universidades tradicionais, grandes serão as chances de sucesso. Ao juntarmos o ensino com a prática do dia-a-dia, mesclando o conhecimento acadêmico com o institucional, todos ganham.
E a sua empresa já tem uma universidade corporativa? Isso tudo é claro pra você?







