
Essa semana aconteceu a Conferência da W3C Brasil. Infelizmente não pude ir, mas acompanhei tudo pelo twitter através da hash tag #webbr2009.
Diversos assuntos foram discutidos no evento, dentre eles o que mais
me chamou a atenção foi a quantidade de opiniões divergentes com relação
ao ter ou não ter certificações para os profissionais que lidam com o
desenvolvimento front-end todos os dias. De todas as opiniões que foram expressadas neste dia, se juntar tudo
e fazer uma categorização das opiniões, vocês vão ver que tudo gira em
torno da desilusão dos profissionais quanto a este assunto.
Vi muitas pessoas sendo contra a certificação, pelo fato de muitos
já terem comprovado e sentido na pele o grande interesse de algumas
instituições – que prefiro não citar nome – em vender somente o papel, e não
o conhecimento.
Depois da discussão que tive com alguns amigos que trabalham na área
pude ver que as pessoas não são desiludidas com a certificação em si.
Os profissionais estão desiludidos na maneira como ela é vendida e
mantida pelas instituições e a forma como as empresas fazem a
utilização desta certificação.
A certificação é vendida como se fosse um curso qualquer, onde o
candidato à certificação entra em uma salinha, responde umas perguntas
e sai certificado. O que é uma demonstração clara de que as
instituições não estão nem um pouco interessadas no nível do
profissional que sai dali com este papel de baixo do braço, e sim pelo
dinheiro dos que acreditam que este papel vai mudar o seu mundo – o que
tem uma pitada de verdade.
Vi, também, que muitos estavam “indignados” pelo fato de as empresas
utilizarem tais certificações como filtro em um processo de seleção. Veja
bem, eu também acho isso uma sacanagem, mas não vejo como o fim do
mundo. A empresa tem um senso equivocado, às vezes, pensando que se eles
ignorarem todos os que não têm certificação e entrevistar somente o que
tem estarão fazendo um bom negócio, pois os que não tem são lixo – na
visão deles.
Mas, por outro lado, em grandes corporações, este filtro serve
puramente para agilizar o processo. Imagina uma empresa com uma fila de
três mil candidatos a uma vaga. Eles iriam demorar cinco anos para entrevistar
todo mundo da forma mais humana e minuciosa possível. Mas, infelizmente,
eles acreditam que, mesmo ignorando os dois mil sem certificações, pelo menos 10% destes mil que sobraram sejam bons
profissionais. Se pensarmos por este lado, é totalmente aceitável o
filtro quando aplicado em uma situação como esta – mesmo sabendo que
eles podem ter perdido os steve jobs pessoais
deles. Steve Jobs não tem nível superior, imagina ele procurando
emprego? Milhares de empresas aplicando seus filtros em cima de uma
mente brilhante, cool.
A minha opinião sobre estas certificações é: Devemos, sim, ter certificações.
Quanto mais o nosso ramo amadurecer neste sentido e tiver instituições
que comprovem e testem os profissionais que atuam neste meio, mais rápido andaremos rumo à extinção dos “sobrinhos”. Quanto mais formal
tornarmos o nosso ramo de trabalho, mais difícil será o acesso das
empresas sérias a profissionais sem compromisso e consideração com o
ramo e às pessoas que atuam nele. Devemos, sim, ter certificações. Talvez
tenhamos que amadurecer melhor esta idéia e talvez não oferecermos uma
certificação de HTML ou CSS, mas sim de Padrões Web, quem sabe?
Se a forma como tudo é “vendido” mudar, estas certificações servirão
como uma forma de valorizar o profissional que a possui. Tudo tende a agregar valor.
Este é um ótimo assunto e, diferentemente de só fornecer a
certificação, devemos garantir que o profissional que porta este selo seja
um profissional que, no mínimo, se importa com a gente, com a nossa luta
e principalmente, com o cliente.
Meu amigo Chris também falou e apontou suas consideração sobre o debate, vale a pena ler o texto dele.
[]’s
Igor.







