Carreira Dev

28 mai, 2019

The Velopers #26 – Alexandre “Magoo” Costa

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No The Velopers #26, o desenvolvedor Alexandre Magoo Costa participa de um bate-papo descontraído e cheio de informação com Rodrigo Pokemao, Community Manager do iMasters.

Alexandre conta como começou a programar, sua trajetória na carreira, tecnologias e desktop. Além disso, ele fala também sobre web e mobile, comunidade e como é seu dia-a-dia como dev.

A seguir, você acompanha parte da entrevista transcrita. E se quiser assistir ao bate-papo completo, basta acessar o vídeo do canal do The Velopers no YouTube, no final da página.

O bate-papo

Pokemao – O Magoo veio de Floripa aqui para a entrevista. Como você começou a programar?

Magoo – “Eu fui um cara abençoado, literalmente. Quando eu tinha nove anos de idade, foi uma aula de computação, na escola estadual que eu estudava, que ofereceu cursos e deu bolsas de estudo para filhos dos professores.”

“A minha professora falou ‘eu acho que você vai aproveitar essa bolsa muito mais do que meu filho. Então, vai lá se matricular com a sua mãe e usa esse voucher da bolsa de estudos’.”

“Foi quando eu tive meu primeiro contato com computador. Na verdade, eu sempre fui uma criança curiosa. Eu era aquela criança que desmontava o radinho da vó e nunca mais conseguia montar.”

“E eu tive meu primeiro contato com programação nessa época. Programei numa linguagem chamada ‘logo’, que era uma linguagem para ensinar lógica para crianças. Desde então, não parei mais.”

“Eu tive sorte de, com nove anos de idade, descobrir o que eu ia ser quando crescesse. E toquei a carreira para esse lado, desde então.”

“Enquanto os outros alunos estavam se matando para começar o negócio, eu chegava em casa e ‘debulhava’ as apostilas. Sempre queria saber um pouco mais. Chegava na próxima aula mais avançado.”

“O Basic foi a segunda linguagem que eu programei na minha vida. Eu tive um TK 85. A galera, atualmente, liga o computador e já está tudo, Eu sou de um tempo em que você tinha que ligar o computador e programar ele.”

“Eu comprava aquelas revistinhas de jogos, passava a tarde inteira digitando jogo, para depois ver que o jogo era uma porcaria.”

Cegueira

Pokemao – O que você estudou, depois de fazer programação?

Magoo – “Como eu morava em um bairro muito afastado da zona leste de São Paulo, o único colégio técnico que tinha por perto, era de contabilidade. Eu sou tecnólogo em contabilidade. Nunca exerci a função. “

“Mas isso me deu um déficit de aprendizado. Quando você escolhia um colegial técnico, você perdia muitas matérias do currículo normal. Quando eu fui fazer minha faculdade, eu comecei a fazer o curso de Ciência da Computação, mas eu tive que trancar.”

“Porque, na época, eu trabalhava em uma consultoria que me exigia demais. Mas, depois eu fiz Gestão em Sistemas de Informação, um curso de dois anos e fiz uma pós na USP. Mas eu sempre fui muito autodidata. Sempre gostei de comprar livros e estudar em casa.”

“Só para o pessoal entender, Pokemão, hoje, eu sou cego. Eu nasci cego, com glaucoma. E com 20 dias de nascimento eu fiz uma cirurgia que me deu baixa visão. Eu fui considerado como baixa visão até os 28 anos de idade, quando eu tive uma crise do glaucoma.”

“E aí, eu fiquei cego. Então, até os 28 anos eu conseguia ler e conseguia usar o computador sem nenhum tipo de tecnologia assistiva. Mas, depois que eu fique cego, tive que fazer uma readaptação. Mas, ainda bem que eu já programava, então, nada mudou.”

Readaptação

“De 2007 para 2008 foi um ano de readaptação e eu tive que aprender a utilizar outras formas de usar o computador, que não fosse o uso do monitor. Eu tive que aprender o que é um leitor de telas, um software que roda no computador em modo suspenso, invisível. E converte qualquer texto que aparece na tela para áudio falado. Ele usa um sintetizador de voz que converte aquela informação textual em áudio.”

“Quando eu estou mexendo no computador, ele está literalmente lendo o código pra mim. E eu tenho alguns comandos especiais que o próprio leitor de tela fornece, que é para eu mandar ler a linha anterior, a próxima linha, ler o texto de forma corrida, navegar entre as janelas sem movimentar o cursor, marcar uma posição inicial e final para ler, etc.”

“Isso permite que eu leia qualquer coisa textual. Mas, às vezes, a galera gosta de mandar newsletter como imagem. E o leitor de tela não tem essa capacidade. Óbvio que eu posso passar essa imagem em um OCR e ele vai converter aquilo que é texto para mim. Mas nunca fica em uma formatação interessante e descente.”

“Eu me comunico muito por texto no computador e no smartphone, usando aplicativos de comunicação (whatsapp, messenger), graças à essa tecnologia que faz a conversão. Para quem tem baixa visão, existem recursos adicionais como ampliação de tela, auto contraste, que eu cheguei a utilizar quando eu comecei a ficar cego. Mas como a minha perda de visão foi muito súbita (em três meses eu evoluí de baixa visão para cego), essas tecnologias pararam de me ajudar.”

Programação

Pokemao – Na época que aconteceu isso, você já programava em C-Sharp?

Magoo – “Já. Mas, na verdade, eu fui passando por várias linguagens. Do Basic eu passei para o Clipper. Quando eu comecei a mexer com o Windows, eu tentei usar o Visual Objects e eu fui para o VB3.”

“Um belo dia, caiu na minha mão um CD trial, com Delphi. Foi paixão à primeira vista. Quando eu comecei a aprender Object Pascal, a mexer com Delphi, aquela coisa de orientação objeto… tudo isso caiu na minha cabeça de uma forma tão bacana, que foi bem legal. Na época, eu lia muito e comprei livros para me especializar em Delphi.”

“Quando começou a bombar a web, um pouco antes da bolha de 1999, programei no famigerado ASP. Quem nunca né? Fazia contador de visitas, mural de recados… todo site tinha mural de recados. Fiz chat também.De ASP, eu programei em Code Fusion. Era um negócio muito sinistro.”

“Depois, fui para o bom e velho PHP, durante muito tempo. Nessa época, fui passando por muitas consultorias. Do final de 2004 até o meio de 2007, eu e um amigo fizemos um trabalho para um braço da ONU. Teve um projeto nosso que foi implantado em 32 países da América Latina.”

“A gente fez alguns sites de compartilhamento de informações sobre saúde. Todos os sites tinha as informações em português, inglês e espanhol e trocavam informações entre si.”

The Velopers

Se você quiser assistir ao bate-papo completo com Alexandre Magoo Costa, basta clicar no vídeo abaixo, do canal do The Velopers no YouTube.