Carreira Dev

28 ago, 2025

Passagem do dev júnior para sênior vai além do tempo de experiência, é sobre consistência

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Ao pensarmos no mercado brasileiro de desenvolvimento de software, apesar da grande oferta de oportunidades, a concorrência está cada vez mais acirrada. Nesse cenário, conquistar a posição de dev sênior exige muito mais do que tempo de mercado: é resultado de evolução técnica, visão estratégica e maturidade profissional.

Atingir a senioridade significa ser capaz de resolver quase qualquer tipo de problema com pouca ou nenhuma supervisão. É ter autonomia para fazer as perguntas certas, entender novos desafios e prever possíveis falhas antes mesmo que aconteçam. Essa preparação é o que garante a entrega de soluções eficientes, bem documentadas e testadas, inclusive facilitando a manutenção futura.

Não é uma missão fácil, mas longe de ser impossível. Para o dev júnior, o ponto-chave para cumprir essa jornada deve ser, acima de tudo, abraçar o escopo naturalmente mais “simples” da sua função, o que inclui: atuar sobre um conjunto limitado de problemas, contar com orientação para lidar com tarefas mais difíceis e trabalhar com poucas linguagens.

Essa etapa não deve ser vista como um obstáculo, e sim como a fundação da carreira.

Olhar estratégico

Já no caminho para se tornar sênior, o desenvolvedor também precisa saber que a execução não pode ser o seu único objetivo. “Fazer funcionar” não é o suficiente, é preciso garantir que funcione bem, hoje e daqui a dois anos, mesmo após mudanças no sistema ou crescimento da base de usuários.

Ou seja, o que na fase de júnior era apenas “seguir um passo a passo” se transforma em compreender o porquê cada decisão técnica é tomada e seus impactos. Isso passa por escolhas que influenciam diretamente a escalabilidade, a performance e a facilidade de manutenção de um sistema.

Um desenvolvedor sênior considera, por exemplo, se a escolha de um framework pode limitar futuras expansões ou se uma determinada abordagem de banco de dados pode se tornar um gargalo. É esse tipo de leitura que permite entregar soluções sustentáveis, que continuam eficientes a longo prazo.

Poder de adaptação

Outra percepção importante de quem quer se tornar sênior é que a tecnologia não para de se transformar. Quem quer se manter relevante precisa ter curiosidade para aprender e explorar conceitos além da sua especialidade principal.

Isso envolve, por exemplo: estudar novas linguagens e aplicações de IA (inteligência artificial); entender diferentes paradigmas de programação; experimentar padrões de arquitetura modernos; e se atualizar sobre ferramentas que podem otimizar o fluxo de trabalho.

Essa adaptabilidade também significa saber escolher a tecnologia certa para cada contexto, em vez de aplicar sempre a mesma solução. Um sênior entende quando vale a pena adotar uma ferramenta emergente e quando é melhor manter algo mais consolidado, equilibrando inovação e estabilidade.

Nesse contexto, ganha força o conceito do “Dev em T”, o profissional que combina um conhecimento profundo em uma área específica (a barra vertical do “T”) com uma base mais ampla em diversas outras tecnologias e competências correlatas (a barra horizontal). Ser um “Dev em T” significa, por exemplo, ser um especialista em back-end, mas também compreender o suficiente sobre front-end, DevOps e negócios para colaborar de forma eficaz e ter uma visão holística do produto. Para quem deseja explorar mais a fundo essa e outras trilhas de carreira em tecnologia, o guia de carreiras TechGuide.sh da Alura oferece um mapa completo sobre as habilidades necessárias para diversas áreas.

Confiança como reconhecimento

No final das contas, alcançar a senioridade é uma grande conquista? Com certeza, mas o júnior em busca desse objetivo também precisa entender que não se trata apenas de um cargo mais alto. O verdadeiro reconhecimento desse crescimento é a conquista da confiança do time, das lideranças e do próprio mercado para tomar decisões críticas, conduzir projetos e influenciar resultados

A consistência de entrega de valor e de postura vem muito antes do nome que aparece no crachá.